Depoimento de ex-guarda municipal é adiado

A audiência na tarde desta quinta-feira (12) sobre o assassinato de Maxelline da Silva dos Santos e o amigo dela Steferson Batista de Souza, além da tentativa de homicídio da esposa de Steferson, terminou sem que o acusado Valtenir Pereira da Silva fosse ouvido. Com medo, testemunhas não aceitaram que o ex-guarda municipal acompanhassem os […] O post Depoimento de ex-guarda municipal é adiado apareceu primeiro em Diário Digital.

A audiência na tarde desta quinta-feira (12) sobre o assassinato de Maxelline da Silva dos Santos e o amigo dela Steferson Batista de Souza, além da tentativa de homicídio da esposa de Steferson, terminou sem que o acusado Valtenir Pereira da Silva fosse ouvido. Com medo, testemunhas não aceitaram que o ex-guarda municipal acompanhassem os depoimentos e a defesa pediu que sessão fosse anulada.

A primeira a ser ouvida foi a amiga de Maxelline que levou um tiro na lombar e viu o marido ser morto por Valtenir com um disparo no peito. Ela escapou, mas até hoje tem sequelas. Permanece afastada do serviço, ficou com uma demência na perna e mão esquerda e sofre de escoliose.

Emocionada ao lembrar da noite de 29 de fevereiro quando o ex-guarda municipal foi até a casa dela e do esposo, onde ocorria um churrasco entre amigos, ela disse que sabia do comportamento possessivo e ciumento do ex-namorado da amiga e que Maxelline contou a ele que tinha medida protetiva contra ele.

“Quando ele mostrou a arma, nunca imaginei que teria coragem de atirar. Maxelline segurou a mão dele e empurrou a arma para cima, nisso eu andei rápido para dentro quando senti uma dor nas costas e cai. Meu marido chegou para ver o que estava acontecendo e foi atingido no peito”, contou a vítima bastante abalada.

A mulher disse que a filha dela, uma criança, assistia TV no quarto e foi até a frente da casa ao ouvir os tiros, deparando-se com a mãe baleada e Steferson sem vida. “Eu só pensava na minha filha, corri com ela para o quarto e a escondi no guarda roupa, pensei que ele fosse matar ela. Quando voltei, Maxelline estava caída, eu não tive coragem de olhar”.

Ciúmes doentio - A mãe de Maxelline e a tia também foram ouvidas. Ambas afirmaram de maneira categórica que a jovem vivia em um relacionamento abusivo.

“Ela dizia que gostava muito dele, só reclama sobre suas mentiras. Dizia que Valtenir tinha acesso ao celular dela, mas minha filha não podia mexer no dele”, relatou a mãe ao promotor de justiça.

Ainda segundo a mãe de Maxelline, Valtenir monitorava os passos da namorada. “Almoçávamos juntas sempre e todas as vezes ele chegava no lugar onde estávamos rapidão, sem ela falar nada. Eu acho que ele tinha rastreador no celular dela”.

Aos poucos, depois de um ano de relacionamento, o comportamento de Valtenir passou a assustar Maxelline que foi agredida fisicamente pelo namorado.

“Ela tinha medo pelos irmãos dela e estava decidida a não voltar com ele. Depois que conseguiu a medida protetiva falava que estava tomando cuidado, iria mudar de casa para não ser encontrada”, afirmou a tia da vítima.

As testemunhas contaram que Maxelline chegou a ficar marcada em uma das brigas mais graves, depois de ser agredida pelo então guarda municipal com um tapa no rosto.

Estavam previstas seis testemunhas. Porém, conforme o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, uma delas arrolada pelo Ministério Público não foi intimada.

Intimidadas com a presença, ainda que online, por meio de videoconferência, de Valtenir, a vítima e a mãe de Maxelline não permitiram que o réu assistisse ao depoimento delas. Por conta disso, a Defensoria Pública pediu que o interrogatório do acusado fosse adiado para que ele pudesse ser instruído, já que por lei, ele tem o direito de assistir audiência em sua integralidade.

“Impugnou pela nulidade do ato ante o cerceamento de defesa (autodefesa) que seja deferido o direito do acusado de assistir o ato”, salientou o defensor.

Denúncia - O ex-guarda municipal está preso desde o dia 6 de março, após uma força tarefa da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), inclusive com a utilização de helicóptero nas buscas.

O crime aconteceu na noite de sábado (29). O guarda civil metropolitano matou ex-namorada, a professora Maxelline Santos, de 28 anos, por não aceitar o término do namoro que durou aproximadamente sete meses. A vítima estava em uma casa no bairro Jardim Noroeste onde acontecia um churrasco entre amigos quando foi procurada pelo acusado.

Conforme aponta a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Maxelline entrou na frente para proteger a amiga, que correu para dentro da casa. Mesmo assim Valtenir atirou, atingindo a amiga da ex-namorada nas costas. Em seguida, Steferson saiu para ver o que estava acontecendo e também foi atingido por um tiro no tórax.

Maxelline foi atingida por um tiro na cabeça. Ela e o amigo morreram no local, já a terceira vítima foi socorrida e sobreviveu.

Valtenir é denunciado por feminicídio e descumprimento de medida protetiva. Além do homicídio de Steferson, qualificado por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e tentativa de homicídio da amiga de Maxelline.

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