Diário Digital Em 2020, crimes em família causaram dor e revolta

Em 2020, crimes em família causaram dor e revolta

As reportagens sobre crimes ainda são as campeãs de acesso e interatividade dos leitores. O ser humano, até por uma força natural e instintiva tem curiosidade em descobrir o mal que o cerca. Pesquisas mostram que a tragédia desperta medo e ansiedade, duas emoções essenciais para garantir a sobrevivência e que não podem ser ignoradas […] O post Em 2020, crimes em família causaram dor e revolta apareceu primeiro em Diário Digital.

As reportagens sobre crimes ainda são as campeãs de acesso e interatividade dos leitores. O ser humano, até por uma força natural e instintiva tem curiosidade em descobrir o mal que o cerca. Pesquisas mostram que a tragédia desperta medo e ansiedade, duas emoções essenciais para garantir a sobrevivência e que não podem ser ignoradas pelo cérebro.

Mas o objetivo das notícias policiais não é apenas revelar as ações pavorosas de algumas pessoas e sim, buscar uma apuração célere, a justiça, despertar a empatia pela dor do próximo e trazer à tona discussões sociais importantes. Grande parte dos crimes mais chocantes de 2020 estão ligados a conflitos familiares e relacionamentos abusivos.

Descontrole - Durante uma confraternização entre amigos, a professora Maxelline da Silva dos Santos, de 28 anos, foi morta com um tiro na cabeça pelo ex-namorado Valtenir Pereira da Silva, na madrugada de 1ª de março de 2020, no Bairro Jardim Noroeste, na Capital. Na época, o acusado que era Guarda Civil Metropolitano não aceitava o fim do relacionamento. Ele ainda atirou e matou o dono da casa, Steferson Batista de Souza, e feriu a esposa dele, a amiga de Maxelline.  A vítima já havia denunciado o ex-companheiro na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e tinha medida protetiva contra ele.

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Maxelline foi morta pelo ex-namorado Valtenir Pereira da Silva, na madrugada de 1ª de março (Arquivo/Reprodução Facebook)

Valtenir está preso desde o dia 6 de março, após uma força-tarefa da polícia, e aguarda julgamento por feminicídio e descumprimento de medida protetiva. Além do homicídio de Steferson, qualificado por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e tentativa de homicídio da amiga de Maxelline.

Crime brutal –  Homens que matam suas ex ou atuais companheiras em situação de violência doméstica, infelizmente, não é incomum. Mas uma mãe torturar, asfixiar e enterrar a filha viva de cabeça para baixo porque a menina denunciou os abusos sexuais sofridos pelo padrasto, é algo que gera tamanha perplexidade. A pequena Gabrielly Magalhães, de 10 anos, foi morta com requintes de crueldade em Brasilândia (MS), em 21 de março deste ano.

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Gabrielly Magalhães foi morta aos 10 anos pela própria mãe (Arquivo/Reprodução)

A mãe Emileide Magalhães, continua presa na Penitenciária Feminina de Corumbá (MS) aguardando julgamento que ainda não foi marcado. O padrasto acusado pelos abusos também foi preso pela Polícia Civil e segue em Penitenciária de Bataguassu, enquanto não é julgado. Durante as investigações, a polícia descobriu que a mulher teve ajuda do filho de 13 anos. O adolescente deu todos os detalhes do crime brutal e disse que foi obrigado pela mãe a participar.

Assassinato sem corpo – Mesmo sem a polícia nunca ter encontrado o corpo ou os restos mortais de Graziela Pinheiro Rubiano, de 36 anos, as investigações da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) sobre o desaparecimento da estudante de enfermagem, no dia 7 de abril, concluíram que ela foi morta e esquartejada pelo marido, Rômulo Rodrigues Dias, de 34 anos, preso desde de 19 de abril.

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Rômulo durante a fase de audiências do processo (Arquivo)

Ciúmes, um suposto triângulo amoroso e o pedido de separação teriam levado Rômulo a cometer o crime. Na fase do inquérito, ele sempre negou o assassinato a polícia contando “versões fantasiosas”. Mas foram encontrados vestígios de sangue no teto do carro dele que a perícia comprovou se tratar do sangue da vítima, assim como em uma edícula da casa onde o casal morava, no Bairro Jóquei Clube, onde havia enorme mancha detectada por luminol e até pegadas. Foi identificado que Rômulo ainda fez pesquisas no celular sobre amputação e uso de anestésicos.

Ele foi denunciado por feminicídio e ocultação de cadáver e aguarda julgamento preso.

Deu a vida pela filha – Segunda-feira, 11 de maio, depois de celebrar o Dia das Mães, Elza Lima Soares, 46 anos, entrou na frente do ex-genro Weber Barcelos da Silveira, 36 anos, e recebeu os tiros direcionados à filha, Roseli Costa Soares, de 28 anos, que também ficou ferida. Depois de atirar na ex-sogra e ex-mulher, Weber cometeu suicídio.  Tudo aconteceu na frente do filho do casal de 11 anos, na casa das vítimas, em Costa Rica (MS).

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Elza Lima Soares, 46 anos, entrou na frente do ex-genro Weber Barcelos da Silveira, para salvar a filha (Arquivo/Reprodução)

Roseli denunciou o ex-marido a polícia, no dia 7 de maio, depois que ela tentou deixar a casa onde morava e Weber a impediu, fazendo ameaças com uma arma na cintura. Ele chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança de R$ 1,5 mil. Ela tinha uma medida protetiva contra ele.

Assassino em série – Foi o desaparecimento do comerciante José Leonel Ferreira dos Santos, de 62 anos, que levou a polícia a descoberta do mais recente “serial killer” de Mato Grosso do Sul, depois do Nando e do “Maníaco da Cruz”. O idoso foi encontrado morto e enterrado no quintal de casa, no dia 7 de maio, na Vila Nasser.  O homem apontado pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) como autor, o pedreiro Cleber de Souza Carvalho, 43 anos, ficou conhecido em Campo Grande como “Pedreiro Assassino”, depois de confessar que matou sete pessoas e ajudar a polícia a desenterrar os corpos ou restos mortais das vítimas.

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Cleber na foto com a esposa e a filha Yasmin (Reprodução/Facebook)

 O serial killer está preso desde maio, assim como sua esposa, Roselane Tavares Gonçalves, de 44 anos, e a filha, Yasmin Natasha Gonçalves Carvalho, 19 anos, acusadas de participação em um dos sete assassinatos. Yasmin, teve o benefício da prisão domiciliar concedido, em novembro. Os processos estão na fase das audiências.

Caso Carla – A morte de Carla Santana Magalhães, 25 anos, é o tipo de crime tão assustador que parece só existir nos enredos de filmes. A vítima foi sequestrada, esfaqueada e, depois de morta, abusada sexualmente pelo vizinho Marcos André Vilalba de Carvalho, 21 anos, na noite de 30 de junho, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande.

Carla não teve chance de gritar para pedir ajuda porque foi arrastada para casa do vizinho praticamente desmaiada, depois de um golpe mata-leão. Em questão de segundos, a vítima foi levada para dentro por Marcos e deixada na cama do quarto dele, inconsciente. Antes que pudesse acordar, o assassino esfaqueou a jovem no pescoço a primeira vez. Em seguida, vieram os outros golpes.

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Carla foi brutalmente assassinada pelo vizinho Marcos André Vilalba de Carvalho, 21 anos, na noite de 30 de junho (Arquivo/Reprodução Facebook)

O corpo de Carla foi encontrado sem roupas, na esquina da casa dela, depois do assassino cometer necrofilia e dormir três noites com ele embaixo da cama. Marcos André aguarda julgamento preso, desde o dia 14 de julho.

Chargista esquartejado – Ao menos seis denúncias de pessoa desaparecida, investigadas pela DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), na Capital, tiveram um fim trágico e de grande repercussão, apesar das investigações satisfatórias que resultaram na prisão dos suspeitos.

Foi o que aconteceu com o chargista Marco Antônio Borges. O assassinato dele foi descoberto no dia 24 de novembro, quando a massagista com quem a vítima tinha um caso procurou a polícia e confessou o crime depois de três dias do desaparecimento do chargista.

Clarice Silvestre, 44 anos, confessou ter assassinado o chargista a facadas, esquartejado o corpo, colocado em três malas e ateado fogo. As investigações apontam um homicídio qualificado por motivo torpe: o fato da vítima não querer assumir publicamente o relacionamento que tinha com a massagista.

Clarice está presa temporariamente e o filho dela de 21 anos foi indiciado por ocultação e vilipêndio de cadáver por ajudar a mãe a se desfazer do corpo da vítima.

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Marcos Borges era chargista do jornal O Estado (Divulgação)

“Incomodado com o choro” – E o que leva um pai a tentar matar a filha de apenas dois meses? No caso de um adolescente de 17 anos apreendido no dia 2 de dezembro, em Nova Alvorada do Sul (MS), o fato da bebê estar “chorando muito”.

Segundo a polícia, sob efeito de drogas e irritado com o choro da bebê, ele tentou esganar a filha e asfixiá-la até que ela dormisse e não o incomodasse. A bebê chegou ao hospital com fratura no crânio, nuca e lesão no fígado, além de um trauma antigo na cabeça. A denúncia revelou que não seria a primeira agressão sofrida pela criança.

O adolescente segue em uma Unidade Educacional de Internação (UNEI), acusado por ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio e tortura.  A mãe, de 19 anos, também foi indiciada por omissão de socorro.

Matou mãe e filha – Quatro dias depois de ser apontado como assassino da ex-mulher Fabiana Lopes dos Santos, 37 anos, morta com 19 facadas, no dia 4 de dezembro, em Campo Grande, Wantuir Sonchini da Silva, 43 anos, cometeu suicídio em Ribas do Rio Pardo. O mais surpreendente é que ele já havia sido julgado por matar asfixiada a ex-sogra, mãe da vítima, no Natal de 2018.

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Fabiana Lopes dos Santos, de 38 anos, morta com 19 facadas (Divulgação/Facebook)

Pelo homicídio de Alzair Bernardo Lopes, Wantuir foi considerado inimputável, ou seja, isento de pena em razão de doença mental, com a sentença de uma “absolvição imprópria” e teve como medida de segurança imposta pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, a internação no período de 1 ano para tratamento e acompanhamento psicológico.

Como condição para ganhar a liberdade condicional, ele passou por perícia médica e foi atestado que teria a possibilidade de retorno gradativo à sociedade. O desfecho da história, Wantuir foi solto da internação e, poucos mais de dois meses depois, sua ex foi encontrada morta.

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