Diário Digital Mãe e filho são vítimas de racismo por atendente de farmácia

Mãe e filho são vítimas de racismo por atendente de farmácia

Maisse Valéria da Silva Rosa de 36 anos, e seu filho João Guilherme da Silva de 17 anos, foram vítimas de acusação de roubo em uma farmácia localizada na Avenida Rachel de Queiroz, no Aero Rancho. O caso aconteceu na manhã da última quarta-feira (11), na Capital. A mulher e seu filho entraram em uma […] O post Mãe e filho são vítimas de racismo por atendente de farmácia apareceu primeiro em Diário Digital.

Maisse Valéria da Silva Rosa de 36 anos, e seu filho João Guilherme da Silva de 17 anos, foram vítimas de acusação de roubo em uma farmácia localizada na Avenida Rachel de Queiroz, no Aero Rancho. O caso aconteceu na manhã da última quarta-feira (11), na Capital.

A mulher e seu filho entraram em uma farmácia a procura de um desodorante para eles. Porém na primeira farmácia que entraram não havia o produto que ela desejava, apenas o desodorante do seu filho, que após a compra se direcionaram para a farmácia ao lado e encontraram o produto, e quando estavam na fila do caixa, veio um atendente de jaleco branco e pediu para olhar a sacola que João Guilherme segurava, com o desodorante da primeira farmácia que entraram.

"Veio um atendente de lá do fundo e falou para o meu filho "Eu posso abrir sua sacola?", e todo mundo que estava ali, olhou para ele e meu filho disse "pode". Ai ele olhou, mexeu e viu que era a etiqueta da outra farmácia, da primeira farmácia que nós fomos. O rapaz entregou a sacola para o meu filho e falou "Desculpa' e eu falei "Desculpa não", relembra Maisse.

Foi então que a mãe percebeu o nervosismo do filho, deixou o produto e foi embora, chegando em casa ela pensou sobre o ocorrido e decidiu que iria denunciar o caso. "Eu pensei 'não vou deixar isso barato', porque não é todo mundo que é de pele de cor, que é ladrão, que é bandido, não é assim, as pessoas não podem ver dessa forma. Se ele estava desconfiado de alguma coisa, olhasse na câmera, sei lá, e nos chamasse, por mais que ele não tenha esse direito, porque ele não era o segurança, chamasse a gente, porque somos clientes a muito tempo ali da farmácia, compramos a muitos anos ali".

Maisse afirma que o atendente momento nenhum usou palavras de xingamentos, porém a situação deixou o jovem envergonhado. "Meu filho sentiu que fosse pela cor, porque tinham outras pessoas lá, mais pessoas com sacola, com bolsa, porque que ele não revistou as outras pessoas? Porque foi diretamente no meu filho? É isso que meu filho fica se perguntando. Será que é por conta da minha cor, mãe? Porque a gente estava mal vestido, mãe?."

"Muita gente fala que é vitimismo, tudo fala que é racismo, isso e aquilo, enquanto não passa na pele, as pessoas pensam assim. E não é bem assim, meu filho sentiu na pele, é horrível, dói, porque você é uma pessoa honesta, você trabalha para adquirir suas coisas, pagar suas contas, pagar as coisas que você precisa e você vai em um ambiente para comprar um produto que você está precisando e você chega lá e é tratado dessa forma, como ladrão, como se tivesse feito alguma coisa errada, ainda na frente de um monte de gente", ressalta Maisse.

A mãe afirma que ela e o filho, mal conseguiram dormir lembrando da cena que aconteceu, e diz que seu filho não quer sair de casa.

"Meu filho está muito entristecido, muito aborrecido, que nem sair de casa ele está querendo, hoje eu preciso fazer umas coisas e ele já veio falar "mãe, eu não quero sair, eu não estou afim de sair", então imagina como está a cabeça dele. Eu só quero respeito, as pessoas tem que entender a ter respeito, independente de cor, raça, tem que ter respeito ao próximo, ter empatia ao próximo, ter amor ao próximo. Eu só vou dar continuidade nisso, porque eu quero respeito e provar a dignidade do meu filho"

Maisse acredita que o atendente não é uma pessoas leiga de conhecimento, e sabia que cometeu um erro. "O atendente não é uma pessoa leiga, por ele está ali, ele sabia o que estava fazendo, porque o tempo todo é passado na mídia, o tempo todo é passado na televisão esses tipos de coisas. Primeiro que ele não tinha certeza de que meu filho tinha pego alguma coisa, então ele não poderia ter abordado meu filho dessa forma", afirma.

"Eu não vou deixar isso passar em branco, porque eu quero defender a dignidade da minha família, dignidade do meu filho, porque ele é um bom menino, um menino temente a Deus, um menino religioso, então ele não merece passar por isso, e ninguém merece passar por isso", ressalta Maisse.

Foi registrado um boletim de ocorrência na 5º delegacia de Polícia Civil do Piratininga, contra constrangimento ilegal e o atendente da farmácia será intimado para prestar esclarecimentos.

O crime de constrangimento ilegal está previsto no artigo 146, do Código Penal, e pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano, ou multa.

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