Diário Digital Triagem em massa nos presídios previne avanço de doenças

Triagem em massa nos presídios previne avanço de doenças

Uma estratégia interinstitucional para combate e prevenção à Covid-19 está em andamento no Estabelecimento Penal "Jair Ferreira de Carvalho" (Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande), com testagens através do método RT-PCR, considerado padrão ouro, e isolamento seguro de casos sintomáticos ou constatados. O protocolo consiste ainda em aplicação de testes de HIV e rastreamento […] O post Triagem em massa nos presídios previne avanço de doenças apareceu primeiro em Diário Digital.

Uma estratégia interinstitucional para combate e prevenção à Covid-19 está em andamento no Estabelecimento Penal "Jair Ferreira de Carvalho" (Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande), com testagens através do método RT-PCR, considerado padrão ouro, e isolamento seguro de casos sintomáticos ou constatados.

O protocolo consiste ainda em aplicação de testes de HIV e rastreamento da tuberculose com exames de Raio-x. O plano de ação é desenvolvido pelo Governo do Estado, num esforço conjunto entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e Secretaria Estadual de Saúde (SES), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e o Município, por meio da Secretaria de Saúde de Campo Grande (Sesau). Os exames iniciaram há cerca de três semanas, já tendo sido avaliados cerca de 400 reeducandos.

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Internos fazem testagem para Covid-19

Sob coordenação dos médicos infectologistas Mariana Croda e Maurício Pompílio, os trabalhos de triagem dão continuidade ao projeto de rastreamento da tuberculose entre todos os internos, liderado pelo Dr. Julio Croda da UFMS/FIOCRUZ, que já é uma ação consolidada no local há mais de cinco anos, com disponibilização de um contêiner equipado com moderna aparelhagem de Raio-x para detecção da doença. A previsão é que essa estratégia prossiga por quatro meses na unidade, podendo ser prorrogada caso haja necessidade.

Devido ao surgimento da pandemia, esse procedimento está sendo aliado a testagens em massa para a Covid-19 de casos sintomáticos e daqueles que tiveram contato com positivados. Aproveitando toda a movimentação de reeducandos, também estão sendo aplicados exames para HIV. Os resultados dos exames da tuberculose demoram 24 horas, já os do coronavírus uma média de quatro dias e os de HIV saem na hora. Mesmo sem sintomas, todos os internos passam por triagem, com entrevista e preenchimento de questionário junto à equipe de enfermagem.

Segundo a Infectologista Mariana Croda, protocolo semelhante de testagem conjunta também é realizado no Instituto Penal de Campo Grande, onde foi iniciado o projeto piloto, e na Penitenciária Estadual de Dourados, com previsão de ser estendido ao Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (que já vem recebendo testagens da Sesau). Nas demais unidades do estado, outras iniciativas são realizadas em parceria com as secretarias municipais.

“O fluxo do trabalho consiste em rastrear todos os internos de um determinado pavilhão por etapa, e os demais que tenham sintomas nos últimos sete dias. Se o sintoma for compatível, já coletamos escarro e o Raio-x, que tem um programa que faz um laudo automático, e fazemos o teste da Covid”, detalha. “Ou seja, é uma grande estrutura disponibilizada”, complementa, informando que é testada uma média de 30 a 40 internos diariamente na Máxima.

De acordo com o diretor da penitenciária, Mauro Ferrari, por conta do grande volume e perfil de internos que a unidade abriga, o desenvolvimento do protocolo de ação no presídio necessitou de um grande planejamento de logística e segurança. Com isso, o Governo, por meio da Agepen, disponibilizou uma equipe específica de policiais penais para fazer a movimentação dos custodiados para a triagem, testes e isolamento. Assim, as testagens não atrapalham ou dificultam os demais fluxos da rotina diária de atendimentos da unidade prisional.

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Áreas do presídio passam por desinfecção

“Além disso, 26 celas foram reservadas no pavilhão 6 da penitenciária, mais conhecido como cadeia linear, possibilitando um melhor isolamento dos casos suspeitos e confirmados, já que fica mais separado dos outros pavilhões”, explica.

Conforme o dirigente, essas celas de isolamento e os espaços de circulação na penitenciária também recebem desinfecção diária com quaternário de amônia 5ª geração, considerado um dos produtos químicos mais eficientes. Para isso, uma bomba pulverizadora foi adquirida e o protocolo de higienização foi estabelecido com orientação técnica especializada e treinamento de internos. Para a limpeza das celas gerais é disponibilizado hipoclorito de sódio.

A especialista Mariana Croda explica que, além da testagem e isolamento, é realizado um monitoramento diário dos casos confirmados e sintomáticos pela enfermagem da unidade prisional, com aferição com oxímetro, encaminhamento para o médico se ocorrer evolução nos sintomas, ou para unidade de pronto atendimento e, quando necessário, internação. “Essa logística tem sido bastante eficiente, para o reconhecimento dos casos potencialmente graves e o pronto transporte até unidades de saúde externas”, garante a médica, elogiando o trabalho da Agepen.

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Equipe da Agepen e da Saúde que atuam nas ações preventivas em massa

A utilização do método RT-PCR - que possibilita o diagnóstico mais precocemente do coronavírus e, por consequência, um isolamento preventivo mais eficiente - somado a essa avaliação médica diária tem sido um grande diferencial. “Diferentemente do teste rápido de sangue, esse método padrão ouro permite a detecção no início da doença e, com o devido monitoramento, a gente consegue, de alguma forma, minimizar danos, que é reconhecer casos que podem evoluir para gravidade”, assegura Croda. "Isso por que temos toda uma estrutura de testagem, isolamento e avaliação médica", enfatiza, referindo-se a não haver casos tão graves até o momento.

Conforme o boletim diário do Comitê da Agepen de Enfrentamento à Covid-19, até o dia 20 de agosto, foram constatados 542 casos entre a massa carcerária de Mato Grosso do Sul, dos quais 60% já recuperados e nenhum óbito.

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