Cidades Endometriose: entenda a doença que atinge 10% das brasileiras

Endometriose: entenda a doença que atinge 10% das brasileiras

A endometriose, doença crônica, inflamatória e benigna que pode ocorrer durante o período reprodutivo da vida de mulheres, acomete cerca de 10% da população feminina brasileira. Em 2019, 11.790 mulheres no Brasil precisaram de internação por conta da doença. Os dados são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aponta que a doença é […]

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A endometriose, doença crônica, inflamatória e benigna que pode ocorrer durante o período reprodutivo da vida de mulheres, acomete cerca de 10% da população feminina brasileira. Em 2019, 11.790 mulheres no Brasil precisaram de internação por conta da doença. Os dados são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aponta que a doença é mais frequente em mulheres entre os 25 e os 35 anos de idade.

Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Etiene Galvão, professora do curso de Medicina do Unipê, a doença se caracteriza pela presença de tecido endometrial, glândula e estroma fora da cavidade uterina. E pesquisas apontam que mulheres podem demorar anos para ter o diagnóstico de endometriose. “Uma parcela das mulheres acometidas pela doença é assintomática, com o diagnóstico sendo, de forma casual, por um procedimento invasivo ou por outra indicação”, explica a professora.

Há muitas causas para a doença se estabelecer, sendo maior incidência em pacientes com herança genética. “Várias teorias e fatores são descritos, como: ciclos menstruais mais curtos, menarca (primeira menstruação) precoce, ciclos menstruais mais prolongados, nuliparidade (ausência de filhos), gestação tardia, raça branca e asiática, alto consumo de álcool e fumo, fatores hereditários, baixo índice de massa corporal, malformações uterinas e do canal vaginal, na grande maioria das vezes, relacionadas a exposição hormonal-estrogênios”, elenca.

Como reconhecer os sinais?

Segundo Dra. Etiene, as características da endometriose, que sugerem o diagnóstico da doença, são a infertilidade (não gestar), dismenorreia (dor à menstruação), dispareunia (dor durante as relações sexuais), dor pélvica crônica (dor constante no baixo ventre), dor à evacuação e disúria (dor ao urinar).

Em geral, as principais queixas são: dor à menstruação que aparece antes, durante e após, de grau variável, a depender do grau e infiltração, indo de média, severa a insuportável (dor progressiva), mesmo com uso de medicamentos; dor constante no baixo ventre, a depender da localização; dor ao urinar ou ao evacuar. “Em pacientes sem sintomas, o que as fazem procurar o (a) especialista, na grande maioria das vezes, seria a não capacidade de engravidar, sem uso de métodos de contracepção (25% das mulheres)”, informa Dra. Etiene.

Ainda, a endometriose pode causar infertilidade – e o oposto também pode ocorrer. “A fecundidade varia em torno de 2 a 20% em casais cujas mulheres apresentam endometriose não tratada”, reforça a ginecologista. O tratamento é direcionado conforme o grau, a idade, o desejo de engravidar e o acometimento dos órgãos pélvicos (aderências, obstruções). “O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, com retirada dos focos, liberação das aderências, sempre na tentativa de conservar útero e ovários, principalmente em pacientes que desejam gestar”.

Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento forem realizados, e também dependendo do grau e do estado dos órgãos pélvicos, é possível que a paciente vença os sintomas mais dolorosos e a dificuldade para engravidar, pontua Dra. Etiene.

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