Cidades Ex-funcionário acusa empresa de calote e põe fogo em ônibus

Ex-funcionário acusa empresa de calote e põe fogo em ônibus

Homem alegou que ficou revoltado por não ter recebido o pagamento completo das indenizações de sua demissão

Incêndio aconteceu na estação do Move

Incêndio aconteceu na estação do Move

Reprodução / RecordTV Minas

Um motorista foi preso suspeito de incendiar cinco ônibus da empresa em que ele trabalhava em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, na madrugada desta sexta-feira (23). A motivação do crime seria um desentendimento com a companhia em relação ao acerto de sua demissão.

O incêndio aconteceu dentro de uma estação do sistema Move da cidade. Passageiros que estavam no local ficaram assustados e, alguns deles, registraram o momento em que os veículos explodiam. A área foi isolada pela PM (Polícia Militar) e o fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros.

Confira também: PF cumpre 90 mandados em quatro Estados em nova fase da Lava Jato

De acordo com os militares, o responsável pela ação foi o motorista Adriano Ramos. Em entrevista à RecordTV, o homem contou que foi até o pátio onde ficavam os veículos da transportadora com um galão de combustível e esperou a saída das faxineiras.

— Eu entrei e coloquei gasolina. Tinha uma outra menina perto e eu disse para ela descer para não se machucar porque eu iria colocar fogo no ônibus.

Após o crime, Ramos foi até o gerente da companhia para relatar o ocorrido e aguardou a chegada dos policiais para se entregar. Na delegacia, ele contou que pediu demissão há três meses após fezer um acordo com a empresa, mas não teria recebido todo dinheiro que lhe era de direito.

Segundo ele, foram vários os contatos realizados com a empresa, contudo, não teve resposta sobre quando iria receber o restante do pagamento.

— No FGTS, quando você sai da empresa, eles pagam 40%. Segundo o gerente, a empresa pagaria só 20. O aviso prévio deu indenizado para eu não cumpri-lo e eles ficaram com metade, pagando apenas 50%.

Ramos diz que tentou trabalhar como motorista de aplicativo, mas as contas apertaram e ele ficou sem dinheiro. O desespero aumentou quando um dos filhos, de quatro anos, passou mal.

— Ele precisou de remédio e eu não tinha dinheiro para mandar.

Os ônibus queimados permanecem no pátio da estação. Um perito tirou fotos e avaliou os danos; Os coletivos articulados atendiam moradores de Vespasiano, na região metropolitana.

As linhas levavam os usuários daqui para Belo Horizonte. Um advogado da empresa e funcionários estiveram na delegacia pra prestar depoimento. Mas ninguém foi autorizado a gravar entrevista.