Folha Vitória Acolhimento e sinceridade são fundamentais para ajudar crianças em luto

Acolhimento e sinceridade são fundamentais para ajudar crianças em luto

Marília Mendonça deixou filho de quase 2 anos, especialistas ressaltam que pequenos não entendem morte e apoio é essencial

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Foto: Reprodução / Instagram
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A morte da cantora Marília Mendonça na última sexta-feira (05) acendeu uma discussão sobre o luto entre as crianças. Muitas referências sobre o pequeno Léo, filho de Marília com Murillo Huff que fará 2 anos no próximo mês, circularam na internet. 

Segundo a Arpen Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais) até o mês passado o país tinha 12.211 mil crianças órfãs. Mas afinal, qual a forma correta de falar sobre a morte com as crianças e entender as formas de luto vividas por elas? 

Nas redes sociais, Huff falou das dificuldades que enfrentará para criar o filho. "Talvez esse pequenininho correndo aqui na sala me ajude a enfrentar sua falta. Ou talvez ele me faça sentir mais falta ainda, por que ele é sua cara. Eu não sei. Eu tô perdido. Mas te prometo que eu vou encontrar o caminho e vou cuidar dele, com todas as minhas forças", escreveu o cantor no Instagram.

A psicóloga Elaine Di Sarno explica que as crianças não têm uma compreensão exata do que é a morte, mas falar a verdade é fundamental.

"Até os três anos de idade, não se entende ou compreende a morte na sua totalidade. Então, a conversa tem de ser mais lúdica, mas não pode é criar expectativa de que a pessoa vai voltar, porque isso não existe. A conversa deve ter dados da realidade. Também não é interessante falar que a pessoa vai aparecer em sonho, porque a criança tem muita fantasia e ela pode querer dormir para a pessoa voltar", alerta Elaine.

A psicóloga Gabriela Luxo, especialista em distúrbios do desenvolvimento, acrescenta.

"A morte é um conceito subjetivo e às vezes ela é muito repentina, sem que a criança conseguiu elaborar que o familiar estava mal e poderia morrer. Só a partir dos 6 anos elas conseguem entender melhor a morte, porque conseguem entender que existe o eu e o outro", conta Gabriela.

Acolhimento e honestidade são fundamentais 

O acolhimento das crianças quando quiserem falar sobre a pessoa que morreu e a honestidade de sentimentos adultos, sem esconder a tristeza dos pequenos, são formas da ajudar as crianças a aceitarem a nova realidade.

"O principal é mostrar para essa criança que ela não será abandonada, que tem alguém que vai dar acolhimento para ela. Uma criança bem cuidada, não é necessariamente cuidada pelos pais biológicos, o importante é que elas tenham pessoas próximas que vão ajuda-la a contornar a situação", pontua Gabriela.

"Temos de acolher e proporcionar um ambiente que a criança possa expressar a emoção, já que ainda não sabe nomear alegria, tristeza, angústia, ansiedade. Se o adulto estiver chorando, é importante e explicar que o choro é de saudade, tristeza. Precisamos mostrar que ficamos tristes em algum momento da vida, mas um dia melhora. Não negar, e ficar rindo como se nada estivesse acontecido. Até porque elas são muito observadoras e percebem o ambiente", observa a psicóloga.

Pequenas ações no dia a dia

Algumas medidas no dia a dia podem auxiliar nesse momento, como fazer leituras de livros para crianças sobre o assunto e deixar que as crianças, se elas quiserem, façam parte dos rituais após a perda de um familiar.

"Deixa que a criança decida se quer participar de missa, velório acho não é o caso, porque as crianças não entendem e não é relevante. Do ritual de guardar coisas da pessoa, de tirar roupas e pertences de casa. Se a família faz uma oração junta, chame a criança para participar. Ela vai entender está acolhida, apesar de todos os adultos estarem tristes", orienta Elaine.

Quando procurar ajuda profissional para lidar com o luto?

Assim como os adultos, alguns pequenos podem ter mais dificuldades de superar a perda e a ajuda de profissionais é necessária. 

"Sempre que a criança apresentar um comportamento diferente do padrão dela é importante procurar ajuda. Toda regressão ou comportamentos que ficam mais intensos é necessário buscar ajuda. Mesmo que a criança seja muito pequena, porque os profissionais também conseguirão auxiliar os cuidadores da melhor forma de agir", diz Gabriela.

A perda é difícil para todos e a percepção e dor das crianças não podem ser negligenciadas. "Não foram só os adultos que perderam uma pessoa que ama, as crianças também. Elas não podem ser esquecidas, porque eles são inteligentes, observadores e percebem que está todo mundo triste e chorando", conclui a profissional.

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