Folha Vitória 'Apenas conversar não resolve o problema de quem pensa em cometer suicídio', diz especialista

'Apenas conversar não resolve o problema de quem pensa em cometer suicídio', diz especialista

Segundo o neurocientista 'apesar da boa intenção, não deve ser apresentada como uma ajuda eficiente'

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Foto: Reprodução
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O psicanalista e neurocientista Fabiano de Abreu alerta que, apesar da boa intenção, apenas conversar, além de poder não ajudar, pode até piorar a situação de quem pensa em suicídio. Devido ao Setembro Amarelo (Campanha de Prevenção ao Suicídio), muitos usuários se colocam à disposição de quem precisar conversar e ter uma palavra amiga, mesmo sendo desconhecidos. 

Fabiano de Abreu alerta, no entanto, que esta atitude não substitui um atendimento profissional. “Em alguns casos, somente uma mensagem positiva pode não ser suficiente e ainda piorar a situação de quem buscou ajuda, porque o outro pode não saber o histórico daquele alguém e seu quadro clínico. Portanto, apenas boa vontade não é suficiente". 

O conselho do psicanalista ao ouvir que a pessoa pensa em suicídio é não deixá-la sozinha, mas enfatizar que somente um profissional poderá ajudar, argumentar e convencer quem sofre que apenas uma conversa não é suficiente. “Quando há o pensamento ou a tentativa de suicídio, pode ser necessário o uso de medicamentos. Então, se faz essencial a procura de um psiquiatra”, enfatiza.

O profissional destaca que este Setembro Amarelo tem sido ainda mais importante, pois o isolamento social imposto pela pandemia tem aumentado casos de ansiedade e depressão. Quanto mais grave, mais difícil é procurar ajuda, portanto, quem vê de fora deve fazê-lo. “Muitas vezes, a fadiga resultante de disfunções hormonal e neural faz com que a pessoa não consiga procurar ajuda, sendo necessário que o outro se mova por ela. A fadiga mental confunde a razão fazendo com que a pessoa não entenda que precisa de ajuda”, explica o pesquisador. Ele afirma que é necessário entender que ansiedade, estresse e depressão causam disfunções em mensageiros responsáveis pelo humor, sensações, emoções, e também pela memória e consciência. “Ou seja, pode ser que a pessoa nem saiba o que está fazendo ou não reconheça o problema”, ressalta Fabiano Abreu. 

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