Folha Vitória Atendimento individual: especialistas defendem prioridade a alunos sem acesso à internet

Atendimento individual: especialistas defendem prioridade a alunos sem acesso à internet

Modelo de aula é permitido nos municípios capixabas classificados no risco alto para a covid-19, como é o caso dos da Grande Vitória

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Foto: Unplash
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Com a saída da Grande Vitória do risco extremo para a covid-19 e entrada no risco alto, conforme o Mapa de Risco elaborado pelo governo do Estado, o atendimento individual de alunos nas escolas da região passou a ser permitido . A autorização vale para todos os 50 municípios capixabas que estão no risco alto. 

Já para os cinco que se encontram no risco extremo — Domingos Martins, Ecoporanga, Mimoso do Sul, Pedro Canário e Santa Teresa — o atendimento individual não é permitido e as aulas só podem ocorrer de modo online.

Especialistas ouvidos pela TV Vitória/Record TV defendem que a prioridade no atendimento individual deve ser dada aos alunos que não conseguiram, por falta de acesso à internet, acompanhar as aulas e realizar as atividades, tendo em vista as dificuldades por eles enfrentadas e a gravidade da pandemia.

"Seria prioritário para aqueles que não têm acesso à rede mundial de computadores. O atendimento individual é válido. Vai depender da organização da instituição escolar, porque ela tem que fazer o levantamento de quais as necessidades desse aluno, o acompanhamento junto à família, para saber que processo ele está necessitando de aprendizagem naquele momento, e dar sequência àquilo que a escola já tem feito de forma remota", destacou o professor e doutor em educação Fábio Amorim.

O infectopediatra Pedro Peçanha destaca a importância dos cuidados de combate ao novo coronavírus durante esses atendimentos, mesmo que sejam individuais. "Ainda é necessário manter as medidas de proteção, desde a recomendação do uso de máscara, para crianças acima de 2 anos, higiene das mãos e o distanciamento, orientado pelos professores em cada escola", frisou.

O estudante Arthur Abreu, de 9 anos, que está no 4º ano do ensino fundamental, é um dos que afirmam ter encontrado dificuldades com o ensino remoto, mesmo se dedicando bastante durante as aulas online. "Tem algumas horas que a dúvida é esquecida, porque tem um monte de aluno que fica conversando", contou.

A mãe dele, a comerciante Gislanda de Oliveira, diz que acompanha de perto as tentativas de tirar as dúvidas de casa, no bairro Parque das Gaivotas, em Vila Velha. Ela acredita que a suspensão das aulas presenciais pode prejudicar o aprendizado do filho.

"É diferente de quando está na sala de aula, que levantou a mão e ele consegue se expressar. No online ele tem que ficar falando 'tia, tia'. Só que tem 20, 25 alunos falando ao mesmo tempo e, às vezes, ele fica muito chateado de não ter a resposta da professora naquele exato minuto", relatou.

A escola particular onde os filhos de Gislanda estudam ainda não informou se vai ou não ofertar atendimentos presenciais. No entanto, a comerciante acredita que a medida seria positiva, tanto para o Arthur quanto para a pequena Marissa, de apenas 4 anos. "O professor consegue captar a concentração dela para ele. Com pai e com mãe eles não ficam. Você pode tentar, ensina, ensina, mas eles dispersam rápido", afirmou.

Fábio Amorim orienta os familiares a ficarem atentos às dúvidas da garotada no dia a dia e registrem, para que o encontro com o professor possa ser aproveitado da melhor forma possível. Segundo ele, mais do que individual, é importante que ele seja personalizado. "É importante fazer tópicos das dificuldades, com questões, com essas problematizações, que quando o aluno chegar na escola o professor vai poder trabalhar de forma mais efetiva", ressaltou.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/RecordTV 

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