Folha Vitória Aulas serão retomadas nas escolas municipais da Grande Vitória a partir de segunda-feira

Aulas serão retomadas nas escolas municipais da Grande Vitória a partir de segunda-feira

Segundo psicólogos e especialistas em educação, após quase um ano sem frequentar as salas de aula, os alunos vão precisar de acolhimento

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A partir da próxima segunda-feira (1º), a maior parte das escolas municipais da Grande Vitória começa a retornar com as aulas presenciais. Psicólogos e especialistas em educação alertam que, após quase um ano sem frequentar as salas de aula, por causa da pandemia do novo coronavírus, os alunos vão precisar de acolhimento.

As aulas vão funcionar em sistema híbrido, ou seja, parte da turma participará das aulas presencialmente e a outra parte continuará no ensino remoto. Na semana seguinte, os grupos se revezam e quem estava no presencial passará para o online e vice-versa.

Em Vitória, as aulas serão retomadas a partir da semana que vem, para estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ao todo, estão matriculados 11.277 estudantes na rede municipal da capital capixaba. De acordo com a manifestação das famílias, 5.629 alunos retornarão para a escola.

Em Vila Velha, que possui 49.829 alunos matriculados, apenas o 9º ano e a 8ª série do EJA retornam na segunda-feira. O restante volta em outras datas, de forma escalonada e híbrida.

Na Serra, a previsão é de que cerca de 24 mil alunos voltem ao formato presencial, na próxima segunda-feira. Para o ano letivo de 2021, o município tem 71.011 alunos matriculados. Dessa forma, o sistema será híbrido.

Em Cariacica, onde estudam 47.746 alunos na rede municipal, as atividades do presencial híbrido iniciam na próxima terça-feira (2), quando haverá apenas as atividades do 6º ao 9º ano. O retorno será escalonado e por etapas, em datas diferentes para cada uma das séries em que os alunos estão matriculados.

Já em Viana, as aulas foram retomadas no dia 4 de fevereiro. Segundo a prefeitura, cerca de 90% dos 13.500 alunos voltaram às escolas.

Ensino híbrido

A psicóloga Kelly Tristão ressalta que toda a comunidade escolar vai precisar se adaptar ao formato híbrido, e que o mais importante, neste momento, é o diálogo com as crianças.

"Se existe medo, escutar esse medo e tentar dar o contorno para esse medo. Se existe uma ansiedade, conversar um pouco sobre como vai ser esse retorno. Diante do que essa criança está expressando, a gente vai tentando, junto com ela, suavizar um pouco esses sentimentos, que podem estar muito aflorados neste momento", frisou.

Já a especialista em educação e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Cleonara Maria Schwartz, afirma que o formato híbrido será um grande desafio para os professores, que podem ficar sobrecarregados.

"O professor, quando prepara uma aula online, ele usa algumas ferramentas, adequa a linguagem, escolhe um tipo de atividade que seja adequado. Ou seja, é um planejamento diferenciado do planejamento que ele faz para o ensino presencial", destacou.

Acolhimento

Outro fator importante é o acolhimento dos alunos, que deverá ser uma preocupação de toda comunidade escolar. Segundo a especialista, o ano de 2020 pode ter provocado uma desigualdade de aprendizagem jamais vista nas escolas.

"Além da acolhida, ele vai ter que ter um olhar bem sensível e cuidadoso para ir identificando as desigualdades de aprendizagem e, ao mesmo tempo, tendo a habilidade de ir inserindo os conhecimentos que deverão ser trabalhados e que não foram trabalhados no ano passado, em função do contexto, dos ajustes que precisaram ser feitos, mas que agora precisarão ser retomados", frisou Schwartz.

De acordo com Kelly Tristão, após quase um ano em isolamento, estudantes podem desenvolver uma dificuldade de socialização. A psicóloga destaca que cabe aos pais e aos professores ficarem atentos.

"Precisa ser observado como essa criança vai reagir e aí, nas primeiras semanas, ter uma parceria entre pais e escola, com os feedbacks. A gente pode ir conversando com essa criança e ir elaborando, junto com essa criança, essas dificuldades que ela está tendo".

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV 

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