Folha Vitória Benjamim Batista Filho: “Dar o exemplo também é uma forma de motivar”

Benjamim Batista Filho: “Dar o exemplo também é uma forma de motivar”

A ArcelorMittal Tubarão (ES) é uma produtora de aço de renome internacional, especializada em aços planos, com capacidade instalada para produzir 7,5 milhões de toneladas ao ano

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Foto: Vitor Machado e Everton Nunes
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Benjamin Baptista Filho é engenheiro metalúrgico, formado na PUC-RJ, em 1976. Sempre esteve presente na indústria de aço, tendo entrado em 1983 na unidade da ArcelorMittal Tubarão. Iniciou como gerente de Exportação, cargo que ocupou até 1987. Passou por outras áreas até chegar ao cargo de presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América do Sul.

Participa ativamente de entidades do setor, em especial nos conselhos da Associação Latino Americana do Aço, da qual foi presidente, em 2013. Foi também presidente do Conselho Diretor Instituto Aço Brasil, entre 2014 e 2016.

Foto: Vitor Machado e Everton Nunes
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Paulo Wanick representando o líder Benjamin Baptista

A ArcelorMittal Tubarão (ES) é uma produtora de aço de renome internacional, especializada em aços planos, com capacidade instalada para produzir 7,5 milhões de toneladas ao ano. A empresa é uma das líderes entre as fornecedoras de aço da alta qualidade e ocupa posição de vanguarda como promotora do desenvolvimento sustentável, atuando pioneiramente em ações de gestão ambiental e relações com a comunidade.

Qual é o seu conceito de liderança?

Entendo que líder é aquele que conduz um grupo de pessoas de qualquer natureza para atingir um determinado objetivo. É como o treinador de um time, o maestro de uma orquestra. O líder é aquele que é reconhecido por guiar gente, guiar grupos, seja para qual for a finalidade.

Por que você foi considerado líder no seu segmento?

Sempre busquei trabalhar, estudar e me dedicar. Acredito que o reconhecimento de hoje é resultado da soma de todos esses fatores. Além disso, minha trajetória profissional sempre foi pautada no trabalho em equipe. Nunca trabalhei sozinho e isso pode ter agregado ferramentas e conhecimentos que se traduzem hoje nesse reconhecimento.

Quais são os pilares de uma liderança de sucesso?

Um líder precisa conhecer bem o negócio em que atua, mas também ter uma visão mais ampla de todos os cenários afim de mostrar caminhos, transmitir orientações seguras e, principalmente, saber motivar as pessoas pelo exemplo.

Quais são os maiores desafios e conquistas da liderança?

O maior desafio em ser um líder é inspirar e despertar a confiança das pessoas. Em relação à conquista profissional, eu tenho uma ligação muito forte com a ArcelorMittal Tubarão. Eu cheguei aqui no início, em março de 1983. Na época, a empresa era considerada um patinho feio. Uma empresa que chegou para produzir semiacabados de aço (placas de aço). Era algo inédito, não existia nenhuma siderurgia no mundo com esse modelo. Eu lembro que nos primeiros estudos de mercado, nós tentamos quantificar qual o mercado internacional de placas e naquela época chegamos à conclusão de que o mercado global de placa era da ordem de menos de 2 milhões de toneladas/ano e nós entramos com uma planta para produzir 3 milhões de toneladas. Não existia ninguém vendendo placa para mandar para outro continente. Foi um grande desafio começar essa operação e conseguir transformar um negócio que não existia em um negócio de sucesso. Eu diria que essa foi a minha maior realização profissional. Foi um trabalho intenso que conseguimos fazer, e a empresa se tornou um sucesso. A então CST criou um modelo de negócio que não existia antes dela. E esse modelo foi tão bem sucedido que foi copiado mundo afora depois de nós. Hoje temos várias empresas no mundo com esse perfil. Este, com certeza, foi meu maior desafio profissional e minha maior realização: ter participado desse processo que foi desafiador e muito bem sucedido. A planta de Tubarão é hoje a maior planta produtora de aço das Américas, isoladamente.

Como motivar pessoas e alinhar os propósitos dos colaboradores com os da empresa?

É preciso criar um ambiente favorável, reconhecer as qualidades individuais dos membros da equipe, criar uma cultura de feedbacks constantes, estimular a inovação e a criatividade. Dar o exemplo também é uma forma de motivar. Ao abraçar a causa e os valores da empresa, os colaboradores se sentem mais engajados e comprometidos.

Em que momento e circunstância o líder não pode errar? Por quê?

Como todo ser humano, o líder também é passível de erros. Por mais talentoso e consciente que ele possa ser, errar é inevitável. Mas há certas situações que podem ser evitadas. Não valorizar opiniões da equipe, negligenciar conquistas, não saber gerenciar mudanças ou não admitir os próprios erros e não liderar pelo exemplo também são falhas que podem comprometer o bom resultado de toda a equipe. Por fim, não liderar pelo exemplo.

Este momento desafiador pelo qual estamos passando, por exemplo, pode servir como uma oportunidade para os líderes? Se sim, de que forma?

Sim, pois é justamente nos momentos de maior turbulência que o líder precisa exercitar características inerentes, como calma e disciplina para entender o que está acontecendo e saber agir com prudência. Época de crise é também época de oportunidades para o desenvolvimento pessoal e o amadurecimento de quem se propõe a liderar um grupo ou uma empresa.

Que comportamentos e atitudes caracterizam o líder do futuro?

Apesar de muitos líderes terem uma qualidade instintiva, natural, uma maneira mais holística de entender o todo, também acredito que todos nós precisamos passar por um processo de aprendizado, independentemente da área de atuação. Assim, acredito que o líder do futuro, cada vez mais, precisará estudar, adquirir conhecimentos, conhecer bem seu próprio negócio, mas também saber ouvir, ter habilidade para enxergar novos caminhos e principalmente saber motivar e guiar pessoas. Um bom líder precisará perceber sua equipe com empatia, manter equilíbrio emocional e entender que liderança não se faz apenas na teoria. É preciso ser curioso, atento às novidades e estar sempre em busca da inovação.

Que futuro você quer para você, sua empresa e seus liderados?

Profissionalmente, eu diria que, se algum dia tive desejo de fazer algo, já o realizei. É o momento de dar oportunidade a uma geração mais nova. A empresa precisa se oxigenar, renovar. É possível que, depois de sair daqui, eu possa participar de algum Conselho de Administração. Para a empresa e suas equipes, desejo que se tornem cada vez mais atentas a questões como sustentabilidade, respeito à diversidade, ao meio ambiente, ao ser humano. Minha expectativa é de que a ArcelorMittal e seus profissionais se consolidem cada vez mais como uma organização forte, competitiva e participativa na vida da sociedade.

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