Folha Vitória Capixabas contam como superam os efeitos da pandemia em Portugal

Capixabas contam como superam os efeitos da pandemia em Portugal

Os capixabas que vivem em Coimbra contam com uma rede de apoio criada por uma capixaba, Amire Tauil. Criado há dois anos, o “Amigos em Coimbra” dá suporte na retirada de documentos

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Portugal é um dos principais destinos escolhidos pelos brasileiros que desejam sair do país e morar na Europa. Conhecida como a cidade dos estudantes, Coimbra atrai muitos capixabas por ter custo de vida mais baixo que o de Lisboa e por ser uma cidade relativamente pequena, a maior parte dos deslocamentos podem ser feitos a pé. Além disso, abriga uma das instituições mais antigas em funcionamento do mundo, a Universidade de Coimbra e seus 729 anos de história.

Durante a pandemia, os capixabas que vivem no local viram a rotina mudar, já que no início do isolamento foi decretado estado de emergência. Só era permitida o funcionamento de serviços essenciais.

A estudante da Ufes, Thaynara Machado da Cruz, chegou em Coimbra três semanas antes do isolamento com o objetivo de trabalhar e estudar. Foi surpreendida com a pandemia.

“Antes estava em outra localidade de Portugal. Em pouco tempo em Coimbra já houve o estado de emergência. Não podia sair de casa e estava absurdamente frio. Senti muita saudade de casa”, disse.

Outra capixaba, Juliana Carvalho de Souza, 23 anos, está em Coimbra desde 2018. Ela e o esposo perderam o emprego durante a pandemia em um restaurante. “Fiquei em casa três meses sem serviço. O rigor aqui foi muito grande. Quem não respeitasse as normas poderia pagar multa de até 500 euros. Para a nossa sorte, meu marido conseguiu um emprego em um frigorífico, que era uma atividade permitida”, explicou.

Os capixabas que vivem em Coimbra contam com uma rede de apoio criada por uma capixaba, Amire Tauil. Criado há dois anos, o “Amigos em Coimbra” dá suporte na retirada de documentos, indicação de serviços com base na economia solidária e integração a grupos, como de pais e mães, por exemplo.

“Muitos chegam ao país e recebem orientações erradas, acabam pagando por serviços que são gratuitos, por exemplo. O objetivo é proteger e apoiar os que chegam e criar uma boa rede de relação. Na pandemia, por exemplo, muitos pais e mães se ajudaram com troca de informações em relação às aulas, indicação de babás. Viver em outro país sozinho seria muito difícil. Apoiamos uns aos outros”, afirmou Amire.

Quem recebe o apoio da rede “Amigos em Coimbra” é a também capixaba Núbia Pessanha. Designer de bolos, ela viu as encomendas diminuírem com a pandemia. Trabalhando com doces há quatro anos, o incentivo foi muito importante. “O ´Amigos em Coimbra´ divulgou meus serviços e me ajudou a criar kits que fizeram muito sucesso na quarentena. Isso fez com que eu mantivesse minha produção em um ritmo interessante”, disse.

A pandemia também trouxe aflição para a capixaba Lorena Sales, 32 anos, e o esposo, Leandro Martins. Lorena estava grávida e o parto foi realizado em junho, não sendo permitida a entrada no hospital de nenhum acompanhante, nem mesmo o marido.

“Quando viemos para Coimbra, buscávamos tranquilidade e maior qualidade de vida para nosso primeiro filho, Miguel. Aqui, engravidei novamente e Rafael nasceu em meio ao estado mais crítico da pandemia. Foi muito difícil fazer a cesária sem a presença de meu marido porque eu já estava com um quadro de ansiedade em razão da pandemia. Aqui, todas as medidas de prevenção foram feitas com rigor, mas o serviço de saúde é muito bom e fez um acompanhamento psicológico antes do parto”, disse Lorena.

Outra situação enfrentada pela família foi o desemprego, já que muitos estabelecimentos fecharam. “Ficamos sem renda e contamos com o apoio de entidades, já que não conseguimos receber o auxílio oferecido pelo governo de Portugal. Nesse aspecto o ´Amigos em Coimbra´ nos ajuda muito. Com eles consegui o enxoval completo para o meu bebê, além de ajuda com alimentos. Nos apoiam em tudo”, relatou a capixaba.

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