Folha Vitória Cerca de 1600 mulheres foram vítimas da violência na Grande Vitória nos dois primeiros meses do ano

Cerca de 1600 mulheres foram vítimas da violência na Grande Vitória nos dois primeiros meses do ano

Além da dor física após sofrer uma agressão, as vítimas também estão suscetíveis a problemas emocionais em decorrência da situação vivida

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Foto: Reprodução / TV Vitória
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Sofrimento, angústia, insegurança e vergonha são apenas alguns sentimentos que as mulheres vítimas de algum tipo de violência sofrem todos os dias. De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo, nos dois primeiros meses deste ano, mais de 1600 mulheres foram vítimas de violência só na Grande Vitória. 

O que pouca gente sabe é que as vítimas de violência doméstica têm direito a auxílio médico, psicológico, social e jurídico gratuitos. Em muitos casos, elas precisam de ajuda para superar o trauma e se afastar dos agressores. Os caminhos para quem busca apoio vão além de uma medida protetiva.

A promotora responsável pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero, Cristiane Esteves Soares, explicou que as mulheres com filhos menores de idade têm prioridade nas matrículas e direito ao afastamento no trabalho. 

A lei também prevê que a vítima e seus filhos sejam abrigados em um local sigiloso. As medidas protetivas também podem ser solicitadas. A requisição pode ser feita sem o acompanhamento de um advogado ou a instauração de um inquérito.

Promulgada em 2006, a Lei Maria da Penha foi um divisor de águas no combate à violência contra a mulher. Ainda assim, de acordo com a promotora de justiça, há muitas barreiras a serem vencidas.

"A lei Maria da Penha é considerada como a terceira melhor lei no mundo no combate à violência doméstica e familiar. Porém, apesar desses quase 15 anos, ela tem frequentes desafios a serem enfrentados para a sua aplicação e execução".

Além do poder público estar atento ao problema, a sociedade civil também tem se organizado em redes. Há três anos, Joana Nogueira sofreu violência doméstica e decidiu fundar o Programa Mulheres Poderosas de Vitória. O grupo atende atualmente mais de 500 vítimas. 

"Me senti totalmente desprotegida quando eu sofri a violência. Com isso, eu senti necessidade e comecei a entrar em contato com mulheres de todas as comunidades de Vitória para fazer este trabalho de prevenção contra o abuso".

Nas reuniões, as mulheres recebem apoio jurídico, são acolhidas emocionalmente e desenvolvem atividades para conquistar a independência financeira.

"Quando veio a pandemia surgiu a história de fazer sabão. Quando começou aquela crise no ano passado tivemos a ideia de fazer o sabão e distribuir pela comunidade. Assim a gente começou a fazer oficina de sabão e distribuímos em Vitória até em Domingos Martins".

A violência contra a mulher acontece sistematicamente no Brasil e no mundo. Além da dor física de sofrer uma agressão, as vítimas também estão suscetíveis a problemas emocionais em decorrência da situação vivida. Embora o estímulo e apelo às denuncias sejam feitos diariamente, muitas mulheres ainda se calam. 

Os dados do Ministério Público assustam. Na região da Grande Vitória, Vila Velha lidera o número de casos de violência contra mulher. Ao todo, foram registrados, entre janeiro e fevereiro desse ano, 260 ocorrências. Por meio de nota, o município afirmou que, diante da situação, tem ofertado suporte no Centro de Referência à Mulher em Situação de Violência Doméstica. O local funciona no centro do município. O contato também pode ser feito pelo telefone (27) 3388-4054. 

Com 126 casos registrados entre janeiro e fevereiro, a capital do Espírito Santo, Vitória oferta serviços direcionados. A assistente social do Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência da capital, Fernanda Vieira, ressalta que as vítimas contam com o trabalho psicossocial e com o encaminhamento para as redes proteção.

Para os moradores de Cariacica, a ajuda é oferecida, inicialmente, na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. No local, a vítima pode realizar o boletim de ocorrência, pedir medida protetiva, a visita da patrulha Maria da Penha e solicitar abrigo. As ferramentas oferecidas pelo poder público auxiliam as vítimas. 

Quem já sentiu na pele a crueldade da covardia afirma que toda mulher é capaz de dar a volta por cima. 

"Nós queremos igualdade entre a gente. Queremos o direito de achar que temos poder e nós temos mesmo", disse Joana.

*Com informações da repórter Suellen Araújo, da TV Vitória/RecordTV

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