Com a crise da pandemia, Estado investe em tecnologia e aprimora ensino a distância

Desde o início da pandemia, mais de 240 mil alunos da rede estadual de ensino tiveram as rotinas impactadas. A tecnologia se tornou uma importante aliada

Foto: Reprodução TV Vitória
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Miguel é aluno da rede pública estadual e diz que tem se esforçado em dobro para se adaptar às aulas virtuais

Desde a Segunda Guerra Mundial, nunca tantos países fecharam escolas e universidades ao mesmo tempo e pelo mesmo motivo. Para se ter uma ideia, no ápice da pandemia do novo coronavírus, mais de 138 países tiveram instituições educacionais fechadas, 1,37 bilhões de estudantes ficaram sem ir à escola (representando mais de 3 em cada 4 crianças e jovens em todo o mundo) e 60,2 milhões de professores que não estão lecionando em salas de aula.

A pandemia da covid-19 forçou instituições educacionais em todo o mundo a utilizar repentinamente ferramentas tecnológicas disponíveis há muito tempo para criar conteúdo e experiências de aprendizado remoto para estudantes. Educadores de todas as áreas ainda seguem experimentando novas possibilidades de ensinar ― e isso é um grande avanço para um dos setores mais resistentes a mudanças e a adoção de novas tecnologias.

A educação à distância proporcionou uma nova realidade também nos lares do Espírito Santo. Cursando o 2º ano do Ensino Médio na rede pública estadual, Miguel Chagas Monjardim, de 16 anos, estuda há cinco meses dentro de casa. Acompanha as aulas gravadas pelos professores no computador. Ele precisou criar uma rotina de estudos para não perder o foco. 

"Acordo às seis horas da manhã e começo a estudar às sete. Até a hora do almoço, faço pequenas pausas de dez minutos para beber água, ouvir uma música. Mas logo volto a estudar. Eu seleciono as matérias no fim de semana, monto meu calendário e organizo a minha rotina de estudo", explica. 

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Segundo Miguel, por estudar em uma escola de tempo integral, ou seja, passava o dia inteiro no colégio, a adaptação à uma nova realidade de estudo remoto, no início, não foi fácil. 

"É mais difícil. Os professores em sala de aula sabem a melhor forma de ensinar, no dia a dia, de relacionar e explicar os assuntos. No formato online, tem funcionado, mas não é a mesma coisa. O aluno precisa ter o dobro do esforço para continuar com foco e concentração. Eu, felizmente, tenho as ferramentas necessárias para conseguir ter um rígido controle nos estudos. Eu aprendi com o tempo, mas consegui me adaptar", afirma o estudante.

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A mãe do Miguel, a auxiliar administrativo Carmencita Vago das Chagas, tenta conciliar a rotina com a ajuda aos estudos do filho. Ela acompanha de perto o desempenho com as aulas virtuais e disse que está satisfeita com o ensino à distância ofertado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu). 

"As escolas estão disponibilizando os conteúdos e o Miguel criou uma rotina de estudos. No início não foi fácil, eu mesma tinha que fazer cobranças mais rigorosas, pedindo para ele se dedicar mais. É tudo muito difícil, tudo novo e tudo diferente do usual. Não é a situação ideal, tenho clareza disso. O contato com os professores e alunos é insubstituível, mas infelizmente estamos vivendo essa situação e precisamos ter paciência", avalia a mãe do aluno. 

Desde o início da pandemia do novo coronavírus no Espírito Santo, em março deste ano, mais de 240 mil alunos da rede estadual de ensino tiveram as rotinas impactadas. A tecnologia, então, se tornou uma importante aliada. Segundo o secretário estadual de Educação, Vitor de Ângelo, por meio da internet, os estudantes têm acesso à videoaulas e atividades, disponibilizadas pelos professores nas salas de aulas virtuais. 

"Quando as escolas fecharam e os alunos ficaram longe da comunidade escolar, a gente precisava de algo para mediar essa relação. Então a tecnologia foi um desses recursos. Tem lugares que a interne não chega, então essas pessoas são atendidas com atividades impressas, de forma organizada. Há lugares também que a internet chega mas o aluno não tem condições de custear esse recurso. Nesses casos, a Sedu tem pago aos alunos e aos professores o acesso à internet"

Segundo Vitor de Ângelo, 90% dos alunos da rede pública estadual têm participado das atividades não-presenciais. A avaliação tem sido positiva do que tem sido ofertado, reconhecendo limitações trazidas pela pandemia. 

"Temos ido o mais longe que conseguimos e digo com segurança: temos ido muito longe mesmo. Isso é um ganho como experiência, como aprendizado para os meses seguintes, para o próximo ano. A gente tem a expectativa, lógico, de que possamos voltar com às aulas presenciais, com segurança, tão logo seja possível, porque a escola aberta com aulas presenciais faz diferença. Mas enquanto isso não for possível, a nossa estratégia tem sido acertada e eficiente", avalia o secretário. 

Entrevista com o secretário estadual de Educação, Vitor de Ângelo:

Ainda não há uma data certa para o retorno das aulas presenciais. Inicialmente, os estudantes devem estudar parte do tempo na escola, e outra parte em casa. Segundo o secretário, o modelo de ensino híbrido deve ser aperfeiçoado e seguir em prática após a pandemia. 

"É uma frase bem batida, mas me permito usá-la: na crise, a gente consegue aprender. Parafraseando, na pandemia, eu acho que também. Temos a consciência de que levou a tantas mortes, tantos prejuízos, interrompeu o contato presencial com alunos, mas também trouxe coisas que podem ser aproveitadas positivamente. A pandemia nos trouxe a necessidade de aprofundamento na cultura digital e isso vai permanecer como legado", disse o secretário. 

Segurança e tecnologia

A tecnologia também se mostrou uma aliada na área da Segurança Pública do Estado. Um exemplo disso é que os registros de boletim de ocorrência, por meio da Delegacia Online, foram ampliados, possibilitando que mais crimes sejam registrados, evitando que nesse período de restrição de circulação em vias públicas, a pessoa tenha que se deslocar até uma delegacia. 

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, a tecnologia se tornou uma eficaz aliada. "A Delegacia Online permitiu a inserção de novos crimes para que a população pudesse registrar as ocorrências, como violência contra mulher. Da mesma forma, o próprio DML criou um mecanismo para que, por meio de mensagens, familiares consigam descobrir se uma pessoa desaparecida deu entrada no local. No Corpo de Bombeiros, criamos um aplicativo para que as questões relacionadas a vistorias técnicas, dúvidas possam ser esclarecidas por meio desses sistema", explica o secretário.

Só não são aceitos registros de homicídios, sequestros, estupros e furtos e roubos de veículos. O cidadão que precisar registrar um Boletim de Ocorrência deve acessar o site da Delegacia Online

Registro de ocorrências pela internet:

Intensificação das ações policiais

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O trabalho de Segurança Pública é essencial e não pode ser suspenso. Desde março, segundo o secretário estadual de Segurança Pública, operações tiveram continuidade, com ações estratégicas e integração entre as forças policiais. Os índices de crimes patrimoniais registraram redução. Até julho, 1.007 homicidas e 2.277 armas de fogo foram apreendidas. 

Três grandes operações foram realizadas em diversas fases:

Operação Visibilidade – cinco edições entre abril e julho. Criada com o objetivo de aumentar a ostensividade e a sensação de segurança da população, com foco em abordagens a veículos e coletivos.

Operação Caim – nove edições entre abril e julho. Operação coordenada pela Polícia Civil e realizada em todo o Estado, com o principal objetivo de prender traficantes e homicidas. Até o momento, 327 prisões foram realizadas.

Operação Sentinela – quatro edições entre abril e julho (uma por mês). Operações coordenadas pela Polícia Militar, realizadas em todo o Estado, que resultaram em 541 detenções até o momento. 

Cidades - O novo normal

Foto: Rede Vitória
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O novo coronavírus alterou — e continua alterando — as relações pessoais e profissionais durante meses. Agora, a sociedade começa a se preparar para o período pós-pandemia: o 'novo normal'. Trabalhos estão sendo desenvolvidos pelo poder público e por iniciativas privadas para que as pessoas possam se adaptar a uma nova forma de viver.

A série de reportagens "Cidades - O Novo Normal" traz uma abordagem sobre o novo normal na Saúde, Tecnologia, Mobilidade e nos espaços públicos, além de falar sobre as novas relações de consumo e convivência.