Folha Vitória Com média de três assassinatos por dia, agosto termina como mês mais violento do ano

Com média de três assassinatos por dia, agosto termina como mês mais violento do ano

Somando o acumulado nos oito primeiros meses, o Espírito Santo já tem um total de 735 óbitos em 2021

Folha Vitória
Foto: TV Vitória
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

Agosto foi marcado pela violência no Espírito Santo. Em média, três homicídios dolosos foram registrados por dia no Estado. Os dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública indicam que este foi o mês mais violento do ano. 

A violência não muda apenas o destino das vítimas, mas também das famílias. Uma mulher que perdeu o marido para a guerra entre criminosos conta que demorou a acreditar no que havia ocorrido. 

"Ele era tudo para mim. Ele cuidava de mim. Eu fiquei sem chão, desorientada. Tentei acreditar que isso não estava acontecendo", desabafou. 

Essa dor foi sentida por centenas de famílias. Ao longo de agosto, 108 homicídios dolosos (quando se tira alguém a vida de alguém intencionalmente) foram registrados no Espírito Santo. 

O mês do ano com o maior número deste tipo de crime, até então, era janeiro, quando foram registrados 107 casos. 

Somando o acumulado nos oito primeiros meses de 2021, o Espírito Santo registra um total de 735 óbitos. No mesmo período do ano anterior, o Estado registrou 736 assassinados.

Foto: Reprodução TV Vitória
Folha Vitória

Folha Vitória

Folha Vitória

Em 22 de agosto, peritos e investigadores da Polícia Civil estiveram na praça de Itararé, em Vitória, após o assassinato de um jovem de 20 anos. A vítima foi identificada como Felipe Bones Xavier.

Testemunhas desconfiam que o rapaz tenha sido confundido com traficantes de drogas do bairro. Segundo a companheira de Felipe, o rapaz era trabalhador. Ele atuava em uma empresa de jardinagem contratada pela prefeitura de Vitória e morava no Morro da Conquista.

"Um a amiga da família me ligou e falou que tinham matado ele. Eu não quis acreditar. Pensei que iam socorrer ele e ia ficar tudo bem", disse. 

O casal, segundo a mulher, tinha muitos planos. "Tínhamos o sonho de ter um filho. Estávamos terminando a obra da nossa casa. Nunca imaginei que ia acontecer isso com ele. Ele era uma pessoa doce, carinhosa", contou emocionada. 

A família acredita que o atirador tenha envolvimento no tráfico de drogas de Andorinhas. O grupo disputa o controle da venda de entorpecentes com rivais de Itararé. Ainda no mês de agosto, outro jovem havia sido assassinato a tiros na mesma praça

A doutora em psicologia da Ufes e integrante do movimento negro do Estado, Luizane Guedes Mateus, relata que a realidade da violência atinge diretamente o morador. 

"Esse excesso de mortes e violações de direitos nas comunidades causam, não só uma visão distorcidas das comunidades pobres ligando pobreza e negritude à periculosidade, porque são bairros majoritariamente negros e pobres, mas também vai dificultar o luto destas famílias em que jovens foram mortos. Essa família sempre vai ter que explicar que esse jovem não tinham envolvimento com a criminalidade", destacou. 

O secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Alexandre Ramalho, garante que o estado busca estar junto das comunidades.

"O governo do Estado tem o programa Estado Presente, que tem eixo social e policial que são tratados de forma estratégica. Nós precisamos ter a participação dos municípios, cuidando desses bairros, com olhar cuidadoso nesses bairros", disse.

A mulher que perdeu o marido não espera um fim tão tráfico e doloroso para alguém. Agora ela busca forças e espera por justiça. 

"Eu desejo que a justiça seja feita, a de Deus principalmente. Eu sei que a vida do meu marido não vai voltar. É um dor grande", disse. 

*Com informações do repórter Douglas Camargo, da TV Vitória/Record TV.

LEIA TAMBÉM:

>> Ex-assessor parlamentar é assassinado a tiros em Guarapari

>> Homem invade casa de ex-esposa com submetralhadora e acaba preso

>> Mãe é presa suspeita de matar filho recém-nascido enforcado

Últimas