Folha Vitória Consumo de medicamentos aumenta na pandemia; veja os riscos da automedicação

Consumo de medicamentos aumenta na pandemia; veja os riscos da automedicação

Especialista analisa os riscos da automedicação e faz alerta sobre a busca por orientações acerca dos medicamentos na internet

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Com a pandemia, surgiram vários tratamentos alternativos que, mesmo sem nenhuma comprovação científica, foram difundidos nas redes como eficazes contra o vírus. Segundo uma pesquisa do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas, o setor farmacêutico cresceu 16,2% no Brasil nos últimos 12 meses.

Ao apontarem para um aumento significativo do consumo de medicamentos no país, esses números acendem um alerta sobre o consumo excessivo e imprudente desses produtos por parte da população.

Para a professora de Farmacoterapia e Cuidado Farmacêutico, Yone de Almeida Nascimento, a pandemia apenas acelerou um fenômeno que já estava em andamento.

“A internet tem se tornado uma fonte de pesquisas cada vez mais frequente sobre medicamentos e tratamentos. Existem bons conteúdos sobre o assunto, mas a grande maioria é de credibilidade duvidosa. O problema é que pessoas que recorrem a essa alternativa são leigas, portanto, têm dificuldade para filtrar tais informações”, afirma ela.

Entenda os riscos da automedicação

Apesar da existência de um certo tabu em torno da automedicação, ela é considerada uma prática de autocuidado, que é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, sintomas leves como dor de cabeça eventual ou cólica menstrual podem ser tratados pelo paciente. 

Medicamentos Isentos de Prescrição (MPIs)

Por isso existem os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), recomendados pelas autoridades sanitárias para tratar os sintomas associados a condições de saúde autolimitadas, como os citados acima.

No entanto, os especialistas alertam para a existência de riscos. A professora Yone de Almeida Nascimento destaca três situações principais a que o paciente deve ficar atento

- A persistência dos sintomas após a utilização dos MIPs;

- O consumo de um MIP e os medicamentos de uso habitual do paciente, de forma simultânea (pois existe o risco deles se anularem ou até mesmo prejudicarem a saúde do paciente); 

- O risco do MIP agravar outras doenças pré-existentes;

Consulta ao farmacêutico

Apesar de ser uma prática tradicional no Brasil, a prescrição de remédios por parte dos profissionais farmacêuticos só foi regulamentada em 2013, por meio da resolução 586 do conselho federal de farmácia. 

Todos os medicamentos que se enquadram na lista de grupos e indicações terapêuticas presentes no documento podem ser prescritos pelos farmacêuticos. Yone diz que a consulta ao farmacêutico é válida, mas faz um alerta aos consumidores. 

“No Brasil, muitos atendentes de farmácia que não possuem formação adequada e trabalham por comissão. O que faz com que muitas vezes eles incentivem o consumo de medicamentos sem atentar para a real necessidade do paciente”, explica a professora.

Ainda segundo a professora, "a melhor forma de se resguardar é certificando de que o profissional que passa as orientações é de fato um farmacêutico que possui o conhecimento técnico para prescrever um medicamento adequado às necessidades do paciente, ou até mesmo direcioná-lo a um outro profissional de saúde”, finaliza.

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