Folha Vitória Coronavírus: jovens estariam se infectando mais e as mortes diminuindo no ES? Entenda!

Coronavírus: jovens estariam se infectando mais e as mortes diminuindo no ES? Entenda!

Relaxamento das medidas de prevenção aliado a uma ampliação da testagem podem causar a falsa impressão de que menos pessoas estão morrendo

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Foto: Reprodução / Agencia do Radio
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O número de casos de pessoas infectadas diariamente pelo novo coronavírus no Espírito Santo tem aumentado consideravelmente nas últimas semanas. De acordo com o Painel Covid-19, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 24 horas, foram confirmados mais 1.789 casos da doença no estado, elevando o total de infectados, desde o início da pandemia, para 181.306.

Além disso, os registros de jovens infectados pelo coronavírus também têm aumentado no estado, segundo a Sesa. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, explica que esse aumento pode ser justificado por dois motivos: a maior aglomeração e a maior capacidade de testagem.

"Os mais jovens, que estão circulando em bares, festas e aglomerações, nós estamos detectando porque aumentamos a nossa testagem. Hoje qualquer pessoa, em qualquer idade, que tem sintomas, nós realizamos o teste. Então aparece também um grupo mais jovem nessa testagem", frisou.

Apesar de necessária, a ampliação da testagem causou outra falsa impressão: a de que a covid-19 estaria provocando menos mortes no estado. Tal engano pode ser esclarecido se forem analisados os fatores que influenciam a taxa de letalidade.

Como numa conta de divisão, devem ser observados o numerador e o denominador. Alterando um ou outro, o resultado será diferente para mais ou para menos, como explica a doutora em epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel.

"Como o nosso cálculo de letalidade é feito a partir do número de pessoas que são testadas, e nós estamos testando mais, a gente tem a falsa impressão de que estão morrendo menos pessoas. Mas, na verdade, é porque antes a gente testava menos e agora a gente está testando mais. Mas a gente continua com um número que eu considero grande, acima de dez mortes por dia. E a gente tem tido um aumento nessas últimas três semanas, o que é preocupante. E aí fica o alerta de que a gente está em um momento delicado da pandemia", ressaltou.

A professora chama atenção também para outro tipo de operação matemática: aquele que mostra se a pandemia está recuando ou avançando de forma exponencial. Quando a taxa de transmissão fica acima de 1, o pior acontece. Ela está agora em 1,3.

"A gente chegou num momento da pandemia muito próximo de zero. A gente foi 0,9, 0,8, 0,7, 0,6. A gente estava acreditando que a curva iria descer e a gente ia conseguir controlar a pandemia. Mas, logo depois do feriado de 7 de setembro, o que a gente viu foi uma subida, e nós continuamos subindo desde então, da segunda semana de setembro até agora", destacou.

Leitos

O aumento significativo do número de casos tem gerado também uma maior pressão no sistema de saúde pública do Espírito Santo. Por causa disso, nas últimas semanas, foram revertidos leitos de UTI que estavam à disposição de pacientes de outras enfermidades, para que eles voltassem a ser disponibilizados ao tratamento exclusivo da covid-19.

De acordo com o Painel Ocupação de Leitos Hospitalares, da Sesa, atualmente a taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva destinados ao tratamento do coronavírus está em 82,78% no Espírito Santo. Levando-se em consideração todos os 715 leitos com potencial para receberem pacientes com covid-19 no estado, essa taxa cai para 49,09%.

Para que os números da doença voltem ao controle no Espírito Santo, o subsecretário Reblin pede que a população se cuide. "Usar máscara, só sair se for necessário, usar o álcool ou lavar as mãos com frequência, permanecer distante das pessoas. É uma regra estabelecida. Frequentar ambientes seguros, que seguem as regras, é fundamental", ressaltou.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV 

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