Folha Vitória Covid-19: relaxar nas medidas de proteção após 1ª dose de vacina aumenta risco de contágio

Covid-19: relaxar nas medidas de proteção após 1ª dose de vacina aumenta risco de contágio

No caso da variante Delta, por exemplo, estudos mostraram que apenas uma dose da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca não foi capaz de neutralizar a ação da nova cepa no organismo dos pacientes vacinados

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A vacina é a única forma de sairmos do cenário de pandemia do novo coronavírus. Mas enquanto não alcançamos a marca de 80% da população completamente vacinada - com as duas doses ou a dose única - os cuidados como o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização das mãos com álcool gel não podem parar. 

Isto porque, segundo a infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia, dispensar as medidas de proteção após a primeira dose não só aumenta o risco de contágio, como também contribui para que a pandemia siga em descontrole.

“Quanto mais tempo o vírus circula, há mais chances dele sofrer mutação e criar novas cepas, que podem alterar [o efeito] das vacinas e aí novos testes serão necessários para ver qual é o nível de eficácia. O processo é longo e é preciso que as pessoas pensem em se vacinar, sem escolher vacinas, pois uma vacina boa é aquela que a gente toma mais rápido”, destaca.

No caso da variante Delta, por exemplo, um estudo publicado pela revista científica Nature mostrou que apenas uma dose da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca não foi capaz de neutralizar a ação da nova cepa no organismo dos pacientes vacinados.

Imunização contra covid-19 só é completa com as duas doses da vacina

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Mônica Levi, explica que uma pessoa só está imunizada contra o coronavírus depois de completar o esquema vacinal e, no Brasil, apenas a vacina da Johnson é aplicada em dose única.

“Uma pessoa só é considerada imune após 15 dias da aplicação da segunda dose. Uma dose da vacina não é suficiente nem para garantir a proteção, nem para prevenir contra as formas graves da doença. Então, as medidas de proteção se mantêm necessárias para continuarmos tendo bons resultados da vacinação”, explica a especialista.

Vacinas são eficazes contra casos graves, mas não impedem contaminação pelo novo coronavírus

Vale ressaltar que as vacinas em aplicação contra a covid-19, apesar de protegerem contra casos graves e mortes pela doença, não são 100% eficazes e também não impedem que uma pessoa se contamine ou transmita o coronavírus. 

Mônica ressalta que, apesar das polêmicas e fake news divulgadas sobre a vacina contra covid-19, essa não é uma condição exclusiva destas vacinas, mas de todas as que existem.

A especialista também destaca que só será possível relaxar o uso das medidas não farmacológicas de proteção quando o país atingir uma imunidade coletiva. Atualmente, apenas 21% da população vacinável recebeu as doses completas ou a dose única da vacina da Johnson.

“Temos que pensar no nosso papel como cidadãos também. Enquanto não tivermos uma proteção coletiva, você poderá se infectar e mesmo que você não adoeça [ou seja assintomático], ainda pode transmitir o vírus”, ressalta Mônica.

*Com informações do Portal R7

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