Folha Vitória Cresce número de demissões em bares e restaurantes e de empresas com impostos atrasados

Cresce número de demissões em bares e restaurantes e de empresas com impostos atrasados

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o setor tem um saldo negativo de 236.350 postos de trabalho com carteira assinada em 2020 até setembro

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A nova pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) da série covid-19, em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, apontou que o setor ainda enfrenta sérios problemas na retomada. 64% das empresas afirmaram que demitiram na crise. Os cortes alcançaram 37% do total das equipes. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o setor tem um saldo negativo de 236.350 postos de trabalho com carteira assinada em 2020 até setembro. Mais de 500 empresas de todo o país participaram da pesquisa, realizada entre 7 e 27 de novembro.

Outro dado preocupante e que irá merecer a atenção dos governos diz respeito aos tributos: 39% afirmaram que estão com pagamentos atrasados. Desse total, 34% irão aguardar opções de parcelamento e outros 31% dizem que conseguirão pagar apenas se houver descontos, mesmo com o financiamento da dívida.

A pesquisa quis saber quais as principais dificuldades para a retomada. Para 29%, o motivo é o ponto do estabelecimento, instalado em shoppings, aeroportos ou próximos a escritórios, locais que ainda não retomaram o movimento. Outros 27% apontaram a falta de confiança do consumidor como causa. Para 24%, o problema maior é a queda da renda dos clientes na pandemia e outros 20% atribuíram os resultados às limitações de horários impostas pelas legislações estaduais ou municipais.

37% das empresas que possuem mais de uma unidade já promoveram o fechamento de lojas. Em relação ao faturamento do mês de outubro, comparado com o mesmo período de 2019, 27% afirmaram que tiveram queda acima de 50%, enquanto para outros 29% a receita diminuiu entre 26% e 50%.

Os resultados apontaram uma melhora no índice de sobrevivência das empresas. Em agosto, 22% dos entrevistados afirmaram que fechariam as portas. O número agora é de 9%. Outro dado positivo foi a melhora do crédito. Dos 58% que pediram, 75% afirmam ter conseguido utilizar alguma das linhas oferecidas pelos governos. Na pesquisa anterior, o índice de aceitação das propostas era de 50%. O motivo alegado pela maioria das empresas que tiveram propostas recusadas (61%) foi a escassez dos recursos das linhas anunciadas.

"Há duas leituras importantes para a diminuição da taxa de mortalidade: o crédito passou a chegar a uma parcela maior das empresas e, infelizmente, muitos bares e restaurantes já fecharam as portas nos últimos meses e já não fazem mais parte da base de nossos entrevistados", afirma Fernando Blower, diretor executivo das ANR.

"Esse novo estudo mostra que o setor está passando por uma grande transformação, o que traz oportunidades, mas que ainda continua a enfrentar os desafios provocados pela pandemia, tanto que 70% dos entrevistados alegam ter acessado os mecanismos da MP936, que prevê, dentre outros, a redução de salários e jornada. Detectamos também que negócios em rede ou grupos tiveram uma melhor performance, mas mesmo assim os reflexos são significativos", afirma Simone Galante, CEO da Galunion Consultoria e responsável por esta pesquisa.

A pesquisa também perguntou às empresas sobre a capacidade de liquidez para pagar a folha de novembro e o 13º salário. 74% afirmaram que dispõe de recursos em caixa, enquanto outros 26% disseram que não. Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, os dados gerais confirmam as previsões de que 2020 vai encerrando como o pior ano da história do setor.

"Nós estamos trabalhando fortemente para a abertura de novas linhas de crédito e na questão dos tributos. Acreditamos que ainda teremos um semestre com alguns altos e baixos, uma vez que as estatísticas apontam para o aumento no número de casos de Covid-19 no país. Mas quero reforçar, mais uma vez, que nosso setor tem cumprido com rigidez todas as regras e protocolos de segurança e não queremos e nem devemos ser penalizados com novas restrições enquanto vemos quase todos os dias, em várias partes do país, eventos clandestinos sem nenhuma fiscalização", alerta Melles. Diante ainda de tantas incertezas, 56% dos entrevistados afirmaram não ser possível ainda fazer qualquer previsão de faturamento para 2021.

Em relação ao futuro, 41% afirmaram estar aberto a novas parcerias de negócios e investidores, 37% estão investindo em formatos e novos canais (dark kitchen, cloud kitchen, varejo), 23% em novas marcas próprias, 22% buscam financiamento/investidores, mas não abrem mão de controlar o negócio e 22% querem vender o negócio. De outro lado, evidenciando o momento de transição, o estudo apontou que 23% das vendas ainda são pagas em dinheiro em espécie.

"Não se trata somente da pandemia passar, e sim da transformação de todo o setor, onde há desafios para ampliar canais de vendas, novas formas de relacionamento com consumidor, ajustes na oferta de produtos e serviços e na competitividade de forma geral. O delivery continua e irá continuar a ter um papel importante, mas o modelo de captação de pedidos está evoluindo para múltiplas formas (marketplace, e-commerce, aplicativo próprio, parcerias), acelerando a digitalização do setor. Além disso, ajustar canais de abastecimento, produtividade e desperdícios continua a ser um fator importante para mais de 40% dos entrevistados", ressalta Simone Galante.

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