Folha Vitória Crianças com autismo precisam de ainda mais atenção na pandemia, alerta pediatra

Crianças com autismo precisam de ainda mais atenção na pandemia, alerta pediatra

Confinamento, distanciamento social e quebra da rotina podem causar estresse e irritabilidade em portadores do transtorno

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Foto: reprodução/pixabay
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Em meio à pandemia de covid-19, que tem exigido novos comportamentos por parte de todos, o confinamento e distanciamento social podem causar impactos na vida e bem-estar das crianças com autismo, transtorno que afeta o sistema nervoso, as habilidades sociais e comunicativas dos pequenos, prejudicando seu desenvolvimento.

É o que sugere um estudo publicado pela Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro, que aponta que o rompimento de padrões de comportamento e rotina na vida do autista podem provocar casos de irritabilidade, intolerância e estresse. Algumas crianças têm tendência de se isolarem. Em geral, os autistas possuem resistência à mudanças.

O levantamento ressalta que, em meio à necessidade de isolamento, é importante que os profissionais que cuidam do bem-estar do portador de autismo fiquem atentos à rotina da criança. 

A pediatra Marcia Vlasman deu algumas dicas para tornar esse momento menos difícil para as crianças com autismo. Confira:

Organização da rotina

De acordo com a especialista, organizar um quadro com as tarefas do dia registradas por escrito ou por imagens (de acordo com o grau de entendimento) é uma boa ideia. É importante que os pais preparem a criança, de modo sutil, para inevitáveis mudanças.

Todos os cuidados em casa

Em meio ao atual contexto de agravamento da pandemia e medidas de distanciamento social mais rígidas, receber os cuidados de variados profissionais em domicílio, de acordo com a pediatra, é essencial. 

"O home care oferece a vantagem do acompanhamento ocorrer em domicílio, proporcionando aos pacientes e familiares maior adaptabilidade e adesão ao tratamento, uma vez que, para o autista, as mudanças de ambientes impactam de forma negativa", lembra Márcia. 

"A realização das terapias em casa pode ser benéfica para esses pacientes em virtude de estarem em seu próprio ambiente, além do tratamento não ser interrompido por razões quaisquer, como o agravamento da pandemia, algo que afeta os tratamentos realizados presencialmente".

Equipe multidisciplinar para o apoio e desenvolvimento

Ainda de acordo com Marcia, diante da enorme abrangência do espectro autista, é necessário que a criança receba cuidados individualizados e providos por uma equipe multidisciplinar composto por profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psicopedagogos, além de médicos. 

Combinar o trabalho da equipe permite à criança desenvolver a autonomia e proporciona mais qualidade de vida. 

Sobre o autismo

O distúrbio, que atinge uma a cada 160 crianças em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), demanda terapias, visando o bem-estar e melhor desenvolvimento dos pequenos.

Embora os sintomas variem muito, pode ser identificado por alguns sinais que costumam ser comuns, como dificuldades com a linguagem, para interagir com outras pessoas e comportamentos repetitivos.

De acordo com a OMS, pessoas com transtorno do espectro autista frequentemente apresentam outras condições concomitantes, incluindo epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O nível de funcionamento intelectual em indivíduos com TEA é extremamente variável, estendendo-se de comprometimento profundo até níveis superiores.

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