Folha Vitória Cristhine Samorini: “Nunca deixei a condição de ser mulher me fragilizasse”

Cristhine Samorini: “Nunca deixei a condição de ser mulher me fragilizasse”

Cristhine Foi presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Espírito Santo (Siges) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf/ES)

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Foto: Vitor Machado e Everton Nunes
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Cristhine Samorini é empresária, natural de Vitória, graduada em Administração de Empresas, com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e em Marketing pela FGV. Atua como diretora comercial da Grafitusa, uma empresa que completou 100 anos em maio. Possui mais de 20 anos dedicados ao associativismo. Foi presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Espírito Santo (Siges) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf/ES). Foi também vice-presidente do Centro da Indústria Capixaba (Cindes) e atualmente preside a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

O que representa ser uma liderança feminina?

Essa é uma conquista diferenciada. Apesar de ser mulher, e viver em um ambiente masculino, nunca deixei que essa condição fosse algo que me fragilizasse. Na verdade, nunca foi obstáculo para mim, nunca fiquei muito pensando que, por ser mulher, deveria ter algum “diferencial” ou “facilidade”. Simplesmente não penso nisso. E sei que seremos sempre avaliadas pelas entregas, pelo nosso desempenho, e não pelo gênero.

O que diferencia um líder de um grande líder?

O maior esforço é, na verdade, integrar interesses em um mesmo propósito. E isso só é possível por meio do diálogo, outra habilidade fundamental para um líder. Melhor que o protagonismo é o bem coletivo. Abdicar do ego e, saber que as melhores ideias não partirão sempre de você é essencial para conseguir resultados melhores. Nesta caminhada na Findes, mantemos diálogo permanente com as lideranças industriais, os sindicatos, as unidades regionais. Lançamos o Gestão Presente, uma iniciativa da Federação para estarmos cada vez mais próximos da indústria, ouvindo as demandas e identificando oportunidades e vemos como a Findes pode apoiar na resolução dessas demandas

Quais são os seus líderes? Quem lhe inspira?

Meu pai é a pessoa que mais me inspira. Pela integridade e capacidade de sempre ver o lado bom das pessoas. No ponto de vista dele, sempre vale a pena uma última tentativa.

Você é presidente da Federação num cenário desafiador. Isso exige mais da liderança? O que não pode faltar a um líder?

Certamente é um momento que exige muito de todos nós. Precisamos ter habilidade para dialogar, ouvir, construir soluções em conjunto e apontar caminhos. Temos grandes desafios, mas temos razões para estar otimistas. Boa parte das questões depende de encaminhamentos das lideranças políticas em Brasília, e temos tido contato permanente com a nossa bancada federal e com o governo federal. Precisamos das reformas administrativa e tributária, precisamos avançar nas privatizações. Isso no cenário macro. De nossa parte, como federação, estamos preparados para dar apoio aos sindicatos e aos industriais, para tornar a indústria mais competitiva, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para a transição para a indústria 4.0. O Senai, o Instituto Senai de Tecnologia (IST) e o Findeslab são ferramentas importantes para isso.

Como é essa atuação da Findes?

O IST e o Findeslab, juntos, deram atendimento a mais de 400 empresas neste ano, que, mesmo na pandemia, investiram em inovação e tecnologia, visando a lançar novos produtos ou melhorar processos. No segundo ciclo do programa de empreendedorismo industrial, do Findeslab, recebemos mais de 250 projetos de startups de todo o país. Participaram startups de 14 estados, ou seja, já somos uma referência nacional. O Senai vem atuando de forma intensiva para qualificar profissionais para o mercado de trabalho. Essa qualificação está conectada com as necessidades atuais das indústrias e com as habilidades necessárias para o futuro do trabalho. Oferecemos cursos voltados para Indústria 4.0. Estamos preparando a próxima geração de profissionais, com os cursos de habilitação técnica, integrados ou não com o Ensino Médio, oferecendo um conhecimento completo para profissionais que exercerão cargos de liderança nas empresas, ou ainda que desejam empreender.

Como você vê o cenário econômico hoje?

Vemos sinais claros de recuperação. O empresário está confiante, é o que demonstra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado recentemente pelo Ideies. Esse índice está acima de 60 pontos, que é um nível pré-pandemia. Mas a reconstrução da economia exigirá muito trabalho. É um processo que deve envolver toda a sociedade em ações coordenadas: o setor produtivo, o poder público, os governos federal e estadual, as prefeituras, o Legislativo em todos os níveis da administração e as organizações civis. Lançamos em novembro, junto com o governo estadual, o plano de retomada da economia, que prevê investimentos importantes.

Por exemplo?

Só na indústria são mais de R$ 5,8 bilhões em investimentos até 2022. Temos o Porto da Imetame, a unidade da Suzano em Cachoeiro, a Café Cacique em Linhares, a expansão e a modernização da Chocolates Garoto, que será o centro mundial de inovação em chocolates da Nestlé, entre tantos outros. Muitos desses investimentos foram anunciados em plena pandemia. Ou seja, mesmo neste momento, o industrial está confiante e está investindo. Mas precisamos melhora a nossa infraestrutura e conectar melhor nossos portos a outros estados produtores.

Estive junto com o governador Renato Casagrande com os governadores de Goiás e Minas Gerais para consolidar o Corredor Centro-Leste, ligando esses estados aos portos do Espírito Santo. Os investimentos da renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), na malha ferroviária ligando ao litoral capixaba, serão fundamentais para que possamos consolidar esse corredor, ampliando o volume de cargas para os portos do estado e tornando a nossa infraestrutura mais eficiente e competitiva. Temos ainda a possiblidade de dutovias e logística associada à indústria de petróleo e gás, que permitam o transporte do gás natural, desde os pontos de produção do pré-sal, com preços baixos, que se associam a usinas termoelétricas, unidades de tratamento de gás e a uma rede capilarizada de distribuição. Nessa área, o Espírito Santo sai na frente em relação a demais estados por já possuir a sua Lei do Gás. 

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