Folha Vitória Dia do Sexo: descubra se existe uma frequência ideal

Dia do Sexo: descubra se existe uma frequência ideal

Uma vida sexual feliz é fruto de informações claras, incluindo sentimentos e emoções humanas positivas

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Na definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a sexualidade é vista como um aspecto central do ser humano durante toda a vida, não apenas na fase reprodutiva. Uma vida sexual feliz é fruto de informações claras, incluindo sentimentos e emoções humanas positivas, como amor, companheirismo, compreensão, respeito e prazer. 

Neste dia 06, é celebrado o Dia do Sexo, um dos pilares fundamentais para o bem-estar dos relacionamentos. Além de ajudar a manter ou estreitar a conexão do casal, as relações sexuais também são benéficas para a saúde: deixa a pele mais saudável, exercita músculos diferentes do corpo, promove a oxigenação (e ajuda a fixar a memória), aumenta a imunidade, melhora a qualidade do sono, é bom para o humor, fortalece o coração, combate o estresse, a depressão e pode evita até mesmo o câncer.

Apresentado esse contexto, o Folha Vitória resolveu escolher a data para perguntar aquilo que você, provavelmente, tem dúvida, mas tem vergonha ou nunca teve a oportunidade para questionar: afinal, existe quantidade ou frequência certa de se fazer sexo? Quem responde a esta pergunta, e a muitas outras, é a psicóloga e sexóloga Marcelle Paganini. 

Folha Vitória: Existe quantidade certa de se fazer sexo?

Marcelle Paganini: A quantidade ideal é aquela em que atenda a necessidade fisiológica da pessoa, portanto varia para cada indivíduo.

FV: O que define a frequência?

MP: Esta quantidade deve se levar em conta a realidade de cada um, como por exemplo, a existência de um relacionamento, o que o sexo representa para a pessoa, o quão prazeroso é, e etc. É importante também verificar que passar meses sem sentir desejou ou pensar em sexo excessivamente a ponto de interferir nas atividades diárias é sinal de que algo não vai bem. Nesses casos é interessante procurar ajuda de um profissional da saúde.

FV: O que fazer quando um parceiro quer fazer mais sexo que o outro? Como fazer com que isso não atrapalhe ou termine com o relacionamento?

MP: O ideal é o casal buscar um equilíbrio nessa frequência por meio do diálogo. Porém, é importante observar que não se deve jamais iniciar uma relação sexual sem que haja desejo, pois isso pode causar danos ao ciclo de resposta sexual. Quando há uma discrepância muito grande a ponto do casal não conseguir se entender, é indicado um tratamento com psicólogo-sexólogo que atue com terapia de casal.

FV: Dizem que homem gosta e precisa de mais sexo do que mulher. Isso é verdade? Por quê?

MP: Homens e mulheres precisam da mesma quantidade de sexo. Mas acontece que a mulher tem um histórico cultural bastante castrador em relação a sexo, fazendo com que elas sintam menos vontade do que os homens, geralmente. Por conta disso, alimenta-se o mito de que homens possuem mais necessidade sexual do que mulheres, o que é uma inverdade. Atualmente já podemos observar em mulheres livres, bem resolvidas em relação ao sexo, um desejo maior. Isso é fruto de autoconhecimento e entendimento da real função do sexo. Porém, por se tratar de uma cultura que vem há bastante tempo, ainda vamos aguardar algumas gerações para que se observe uma igualdade em relação ao desejo sexual.

FV: Existem malefícios em se fazer pouco sexo?

MP: Como a definição de muito ou pouco é relativa para cada indivíduo, é importante uma auto-observação de cada um. Se uma pessoa com uma quantidade X de necessidade sexual fizer um décimo dessa quantidade, pode haver sim prejuízos para a saúde. O principal é o fator emocional. Orgasmos são importantes para nossas funções cerebrais, previnem consequências do estresse, sintomas depressivos, entre outros. Outros malefícios podem ser físicos, como atrofias de musculaturas e dessensibilização de órgãos sexuais. O ideal é que o ser humano adulto mantenha uma frequência sexual saudável dentro dos seus próprios patamares.

FV: Fazer muito faz mal?

MP: O excesso é igualmente prejudicial. Fazer sexo demais, além de tornar a atividade algo banal, fazendo com que a função prazerosa de que o cérebro precisa seja cada vez mais difícil de ser atingida, pode igualmente dessensibilizar os órgãos sexuais. Lembrando que a quantidade muito e pouco varia para cada um. Uma pessoa que faz sexo excessivamente para além de sua necessidade tende a ter sintomas emocionais, como de ansiedade e estresse também. Afinal, existe ali uma alta exigência das funções neurais relacionadas ao sexo.

FV: Mas como saber que a frequência está baixa demais ou muito alta?

MP: O corpo dá sinais. O principal é o desejo. Quando há muito desejo não atendido é sinal de que a frequência pode ser maior. Outros sintomas são relacionados a humor. Baixas quantidades tendem a alterar significativamente o humor da pessoa, causando, por exemplo, melancolia e irritação. Para excessos, verifica-se a necessidade grande de mudar os estímulos, a fim de encontrar as sensações prazerosas do sexo. Nada satisfaz como antes e a busca por formas de prazer sexual são incessantes e até cansativas, gerando assim sintomas de estresse, irritabilidade, e etc.

FV: Quais seriam então as principais dicas para um sexo saudável?

MP: A primeira é respeitar seus próprios limites, evitando os excessos: nem muito nem pouco, sempre na medida. Pense como se fosse uma espécie de alimento, se comer demais passa mal se comer de menos faz falta para o organismo. Outra dica fundamental é respeitar o próprio corpo e fazer apenas o que dá prazer. Sexo não foi feito para agradar ao outro. Apesar de ser feito por duas pessoas, se trata de algo bastante individual. Para agradar pode-se buscar outras alternativas, como presentes, favores, e etc, jamais o sexo. Por fim, outra dica muito importante é: conheça seu corpo. O funcionamento de cada um é diferente, o que dá prazer para um, pode não funcionar para outra pessoa e está tudo bem. Cada um com seu manual de funcionamento. Conheça o seu e seja feliz.

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