Folha Vitória Em documento, pediatras e infectologistas defendem retorno para aulas presenciais no ES

Em documento, pediatras e infectologistas defendem retorno para aulas presenciais no ES

Documento que foi entregue aos secretários de Saúde e de Educação pede escolas reabertas em cidades no risco alto para alunos até o 5º ano do ensino fundamental

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Foto: Agência Brasil
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As Sociedades Espiritossantense de Pediatria (Soespe) e de Infectologia do Estado do Espírito Santo (Sies) recomendaram ao governo estadual que as aulas presenciais para alunos da educação infantil até o 5º ano do ensino fundamental sejam retomadas o mais rápido possível. O posicionamento das entidades médicas foi registrado em um documento entregue a representantes das secretarias estaduais de Educação (Sedu) e de Saúde (Sesa) na tarde de quinta-feira (29). 

Nele, os profissionais indicam as razões para o retorno das atividades, apontando estudos e pesquisas feitas na Europa e em alguns Estados do Brasil sobre o impacto da pandemia na Educação e os riscos, considerados menores, para esta faixa etária. 

Nesta sexta-feira (30), o governador Renato Casagrande se reúne com o comitê gestor sanitário para tratar do assunto. Ele sinalizou que pode flexibilizar o retorno das aulas presenciais em cidades classificadas em risco alto.

Razões defendidas pelos médicos para retorno das aulas presenciais da educação infantil:

- Baixa transmissão de coronavírus observada nas crianças e adolescentes, especialmente os menores de 5 anos de idade;

- Reabertura de escolas em outros países não significou impacto na curva de óbitos (desde que as escolas adotassem medidas sanitárias);

- Baixa taxa de transmissão de criança para criança;

- Baixa taxa de transmissão entre crianças e professores;

- Inadequação das crianças menores ao sistema de ensino remoto;

- Maiores prejuízos cognitivos e comportamentais em crianças menores fora das escolas


"Existe uma janela de oportunidade que estamos perdendo pois o ensino remoto não é suficiente para crianças dessa faixa etária atingirem seu potencial. Além disso, estudos citados no documento apontam que a expressão da covid-19 não é significativa neste grupo", informa o médico pediatra Rodrigo Aboudib, integrante da Soespe e que participou da reunião.

Atualmente, de acordo com o mapa de classificação de risco, as aulas presenciais estão liberadas em municípios em risco baixo e moderado. As entidades defendem que elas possam ser estabelecidas também para as cidades em risco alto. 

“Em risco extremo, deve-se fechar tudo. Mas em risco alto, as escolas devem ser as primeiras a abrir para a educação infantil. Logicamente, respeitando todas as medidas sanitárias”, reforça. 

A publicação detalha que as escolas devam abrir, mas com um esquema de segurança que envolva: monitoramento de sintomas, testagem de sintomáticos e rastreamento de contatos; distanciamento de 1,5m e retorno gradual em etapas; e adoção de medidas de higienização das mãos, etiqueta de tosse, uso de máscaras, limpeza diária do ambiente. 

Aos pais, é aconselhado que as crianças permaneçam em casa se elas apresentarem algum sintoma de doença viral como febre, coriza, obstrução nasal entre outros. 

Aboudib diz que, após um ano de pandemia, os baixos índices de contaminação e transmissão do coronavírus em crianças sugerem que a atividade educacional pode ser desenvolvida se a sociedade como um todo aderir às recomendações de prevenção. 

“Nós apoiamos o fechamento das escolas em março deste ano em razão do risco real do caos sanitário e funerário que iríamos viver. Isto foi uma realidade. Ocorre que, depois disso, as atividades, como o comércio, estão retornando com adaptações. Mas não vimos um olhar e uma preocupação em relação às crianças e seu aprendizado. O custo alto que está sendo pago pelos alunos da educação infantil por terem aulas suspensas pode ser que não consigamos reverter e isso será grave para o futuro dessa geração e para o desenvolvimento até de nosso país", sintetiza.  

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