Folha Vitória Empresa é suspeita de invadir Google Drive de concorrente para obter vantagem em licitações

Empresa é suspeita de invadir Google Drive de concorrente para obter vantagem em licitações

Segundo as investigações, empresa que teria sido vítima de espionagem deixou de receber R$ 60 milhões em 12 licitações das quais as duas participaram

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Foto: Direito ao Direito
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Uma empresa prestadora de serviços de iluminação pública no estado é suspeita de invadir a conta de armazenamento de dados em nuvem — o Google Drive — de uma concorrente. Dessa forma, segundo a Polícia Civil, ao ter acesso à planilha da concorrente, ela acabou obtendo vantagens em licitações das quais ambas participavam.

De acordo com as investigações, a empresa que teria sido vítima de espionagem deixou de receber cerca de R$ 60 milhões em 12 licitações das quais as duas participaram, desde 2017. O crime veio à tona nesta terça-feira (22), durante a deflagração da operação Natal Luz, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

"A investigação feita pela Delegacia de Crimes Cibernéticos detectou uma empresa que estava invadindo remotamente uma outra empresa, e fazia com que tomasse conhecimento de todo o seu processo de concorrência em licitação. Com isso, então, ela tinha informação privilegiada e conseguia ofertar sempre os melhores preços, as melhores condições de trabalho, e gerou para essa empresa vítima aproximadamente R$ 60 milhões em prejuízos, porque ela deixa de ganhar as licitações que ela tinha condições de ganhar desde 2017", destacou o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda.

De acordo com a polícia, a empresa que vinha tendo sua conta invadida desconfiou que estava sendo espionada, por meio de um dos e-mails da própria companhia. Segundo essa empresa relatou à polícia, desde essa desconfiança, ela não ganhou mais nenhum contrato de licitação. A companhia sempre perdia para uma mesma empresa.

"A empresa vítima procurou a gente, aqui na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, informou que desde o ano de 2017 tinha um tablet estranho conectado no Google Drive dela, ou seja, no e-mail da empresa vítima, e que, desde o ano de 2018, essa empresa vítima não conseguia mais ganhar nenhuma licitação que acontecia no âmbito do Estado do Espírito Santo", disse o titular da DRCC, delegado Brenno Andrade.

O delegado explicou que nenhum funcionário foi preso, mas que, durante a operação, realizada na Serra, foram encontrados aparelhos eletrônicos que confirmam a espionagem.

"O que a gente possui hoje no inquérito policial é suficiente para atestar que já tem, pelo menos, um crime ali de invasão de dispositivo de informática, considerando as informações prestadas e as provas trazidas pela empresa vítima, quais sejam: o tablet conectado, a rede wi-fi — que a gente comprovou hoje, no local, ser a mesma que a empresa vítima trouxe para nós, há um ano — e, de fato, o próprio aparelho localizado na sede, na mesa do gerente da empresa, que, informalmente, confirmou para a gente que ele tinha esse acesso indevido à conta, mas, segundo ele, eram acessos que não os beneficiaram", frisou Andrade.

Ainda de acordo com o delegado, com esse material, a Polícia Civil continuará a investigação para tentar descobrir outros crimes, como fraude a licitação, por exemplo. "A gente cumpriu esse mandado e verificou a procedência, de fato, das informações prestadas pela empresa que estava se sentindo prejudicada. Agora as investigações vão continuar para verificar possíveis outros crimes cometidos por essa empresa que está sendo investigada. A gente já verifica aí um crime de invasão de dispositivo de informática. Pode também ser investigada uma suposta fraude a licitação, a partir do momento em que a empresa investigada tem acesso a toda a planilha da empresa vítima, de quanto ela iria apresentar nas licitações das quais ela participava — ela apresentava, então, um valor menor quando ela via o valor 'xis' da empresa. E, obviamente, a empresa reclamou de uma situação correta, ou seja, ela nunca ganhava licitação porque o preço dela era sempre o maior", ressaltou Brenno Andrade.

Com informações do repórter Matheus Brum, da TV Vitória/Record TV 

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