Folha Vitória Enem: questões fáceis precisam ser resolvidas primeiro, diz educador

Enem: questões fáceis precisam ser resolvidas primeiro, diz educador

Conhecer o estilo da prova e as técnicas é fundamental para um bom resultado final

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Resolver a prova do Enem na ordem, da primeira até a última questão, pode diminuir a nota dos alunos, é o que afirma um grupo de especialistas em questões relacionadas ao Enem. O educador Mateus Prado, o Professor Ivys Urquiza e o engenheiro de computação Murilo Vasconcelos analisaram os dados de várias edições do exame para demonstrar como que a posição de uma questão na prova influencia e qual vai ser a dificuldade dela para cada aluno. 

Cada questão do Enem aparece em quatro posições diferentes, uma em cada uma das quatro cores de prova que os alunos recebem. Um dos exemplos que deixa evidente a diferença de acertos é uma questão da prova de linguagens do ENEM de 2019 que falava de aranhas e do Homem Aranha. Na prova em que a questão estava na posição 12 teve acerto de 35,72%, na prova em que estava na posição 26 teve 20,04% de acertos, na prova em que estava na posição 34 teve 18,88% de acertos e na prova em que estava como questão 42 teve 19,07% de acertos.

Na prova de linguagens foi onde o grupo encontrou maior diferença entre a porcentagem de acertos quando as questões aparecem nas primeiras posições na prova e o quando aparece entre as últimas questões, mas a regra de que quando as questões estão nas últimas posições na prova elas têm menor probabilidade de acertos acontece também nas outras três provas objetivas do Enem.

A primeira questão de matemática do Enem 2019, prova azul, mostra isto com muita clareza. A questão era extremamente fácil, falava de uma maneira de representar quantidades dos Incas e pedia para o aluno assinalar qual era o número que estava representado em duas cordas. 

Quando apareceu como primeira questão, na prova azul, foi acertada por 65,40% das pessoas que fizeram o exame. Na cor de prova em que foi a questão 8 a porcentagem de acertos já desceu para 58,19%. Na posição 37 apenas 45,99% dos alunos acertaram a mesma questão e na posição 42, apenas 44,09% das pessoas acertaram a questão. Os números demonstraram que quase 50% de pessoas a mais acertaram esta questão por ela ser a primeira da prova e não uma das últimas.

O engenheiro de computação Murilo Vasconcelos, organizou um gráfico no qual demonstra que, na prova, quanto mais longe uma questão aparecer, maior a possibilidade de erro, independente do nível de dificuldade. Para isto levou em consideração os dados dos milhões de alunos que fizeram as avaliações de 2010 a 2019, incluindo as provas PPLs e as provas extras. 

No gráfico abaixo é possível notar a tendência de que pessoas que saberiam resolver uma questão a errem por não ser a primeira questão de cada uma das quatro provas. Nas avaliações de Linguagens, se uma questão aparece na última posição há uma média de quase 5% de chance de erro a mais do que se a mesma aparecer no início da prova.

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Murilo explica que a prova é muito longa e que aluno precisa usar os dados de inteligência sobre o Enem a seu favor, tanto na preparação como na estratégia de prova. 

“É fácil não cometer os mesmos erros dos demais candidatos, um exemplo disto trazido por estes dados é responder primeiro as questões mais fáceis quando for fazer as provas. Só isto sozinho dá cerca de uma questão a mais inteira de graça em cada prova”.

O embaixador do YouTube EDU Ivys Urquiza e professor do canal Fisica Total, afirmou que “muitos estudantes perdem tempo insistindo em questões de maior dificuldade simplesmente para resolver os itens na ordem que se apresentam na prova." Ivys explica que, como sugere a análise do gráfico, fazendo isto o aluno compromete seu desempenho no exame já que fatalmente perderá pontos que ganharia se respondesse previamente perguntas de menor dificuldade distribuídas mais adiante.

O educador Mateus Prado conta que em toda prova longa sempre deve-se começar a resolver as questões pelas mais fáceis e depois passar para as que não são tão fáceis, mas que a pessoa sabe resolvê-la. Se isto já era a regra a ser cumprida em provas como a da FUVEST, a da OAB e as de concursos públicos, entre outras, no Enem a aplicação da TRI deixa isto bem mais importante. 

Prado lembra que se for para errar é melhor errar as questões que menos pessoas acertam, já que são as mais fáceis e as médias aquelas que todos estão proibidos de errar. Prado afirma que “é fundamental que o aluno antes do exame conheça muito bem os dados e que conheça as particularidades da prova. Para fazer o Enem é preciso ter uma estratégia baseada em como que é o percurso da prova e em como que ele foi percorrido por quem já o fez antes. Nisto podemos comparar o Enem a fórmula 1 ou com um rally, quem conhece melhor o circuito vai melhor na prova”, conclui.

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