Folha Vitória ES é o 3º estado com maior redução na taxa de homicídio; mortes por arma de fogo ainda preocupam

ES é o 3º estado com maior redução na taxa de homicídio; mortes por arma de fogo ainda preocupam

Em dez anos, também houve queda no número de jovens assassinados no Espírito Santo. Mesmo assim, os homicídios continuam sendo a principal causa de mortalidade na faixa etária entre 15 e 29 anos

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O Espírito Santo é o terceiro estado com a maior redução na taxa de homicídios do país, de acordo com o Atlas da Violência. No entanto, outros índices apontados no levantamento ainda preocupam. A taxa de mortes por arma de fogo, por exemplo, ainda é maior do que a média nacional.

O estudo foi divulgado na quinta-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e apontou uma queda de 22,6% no número de mortes violentas no Espírito Santo, no período entre 2008 e 2018. De segundo estado mais violento do país, o Espírito Santo passou para a 16ª posição.

O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, no entanto, reconheceu que ainda há muito o que fazer para reduzir os índices no estado. "Enquanto houver uma morte, não há o que se comemorar. Tem muita coisa a ser feita sim. Ao mesmo tempo em que o Estado coloca o olhar sobre essa questão, com o seu programa Estado Presente, é importante que, da mesma forma, os municípios se atentem para isso. Nós precisamos investir na educação, na qualidade de vida das pessoas que residem nesses locais de vulnerabilidade social, precisamos resgatar muito o valor da família", ressaltou.

Em dez anos, também houve queda no número de jovens assassinados no Espírito Santo. Mesmo assim, os homicídios continuam sendo a principal causa de mortalidade na faixa etária entre 15 e 29 anos.

Violência contra negros

A violência contra negros seguiu a tendência de redução, com queda de 39,2%. No entanto, caiu menos do que a taxa de homicídios contra brancos (-45,1%). Para a historiadora e coordenadora do Círculo Palmarino, Ana Paula Rocha, no Espírito Santo a visão da sociedade é de que a vida negra vale menos.

"Nós ainda somos mais de 75% das mortes. Isso significa dizer que a gente vive o que a gente chama de uma 'faxina étnica'. A banalização da nossa morte. Como que o corpo negro caído no chão é comum para a nossa sociedade", enfatizou.

Ainda que os índices apontem queda na violência contra a mulher no estado, nesses dez anos a taxa de homicídios por 100 mil mulheres é mais alta que a média nacional. E, mais uma vez, as negras são as principais vítimas: oito em cada dez mulheres assassinadas eram negras (79,2%). 

Para a coordenadora do Fórum Nacional de Mulheres Negras, Heloísa Ivone da Silva de Carvalho, é preciso olhar para os números com atenção. "Além de não reduzir e não manter o nível, nós tivemos um aumento no que diz respeito à população negra e isso demarca a ausência de políticas públicas afirmativas para pensar as periferias, a juventude negra, as mulheres negras".

Arma de fogo

A taxa de mortes por arma de fogo no Espírito Santo também ficou acima da média nacional em 2018, segundo o Atlas da Violência: 76,5 contra 71,1 no Brasil. "São armas de fogo ilegais, colocadas no tráfico de entorpecentes, exatamente para que eles se rivalizem. Então, diante de qualquer anomalia, de qualquer discussão, de qualquer indiferença dos integrantes de uma organização criminosa com outras, imediatamente ser resolvido com o fator morte", afirmou Alexandre Ramalho.

De acordo com o secretário de segurança, os dados de 2019 são mais animadores. No entanto, em 2020 houve aumento no número de homicídios. "Aumento este que chegou, em março, com uma diferença realmente muito grande em relação a 2019. Foram 142 homicídios contra 86, em 2019. Chegamos em julho com 69 homicídios, então retomamos a um patamar similar ao de 2019", destacou.

Em um ponto, especialistas e autoridade de segurança concordam: não se trata de investir apenas nas forças policiais e sim, em ações sociais. "Políticas afirmativas, desde a educação infantil: a história e cultura africana, a história e cultura afro-brasileira, demarcar as personagens negras, os personagens negros, conhecer a história da África enquanto continente riquíssimo", citou Heloísa.

"O que a gente precisa é de investimento efetivo em políticas públicas que garantam o mínimo para essas populações. A gente precisa que a escola chegue com mais qualidade, a gente precisa entender que a cultura e a juventude não são um problema", ressaltou Ana Paula.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV

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