Folha Vitória ES registra cerca de quatro ocorrências de estupro por dia

ES registra cerca de quatro ocorrências de estupro por dia

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que uma mulher é vítima da violência sexual a cada oito minutos no país

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Foto: Divulgação/Pexels
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Uma violência que deixa marcas para toda a vida. De acordo com a Secretária Estadual de Segurança Pública, de janeiro a outubro desse ano foram registrados 1.117 casos de estupro no Espírito Santo. No mesmo período do ano passado, foram 1.465 notificações. Mesmo com a redução, o número preocupa já que, por conta da pandemia do novo coronavírus, pode ter ocorrido uma substantificação dos crimes. 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que a cada oito minutos uma mulher é vítima de estupro no Brasil. Só no ano passado foram mais de 66 mil boletins de ocorrência registrados no país. 

O número não representa a totalidade dos casos. Muitas mulheres têm medo ou até vergonha de falar que foi vítima da violência sexual. A delegada titular da Gerência de Proteção à Mulher, Michelle Meira, orienta para que as vítimas de estupro liguem imediatamente para o 190, para receber orientações para preservar as provas do crime. 

"Todas as unidades policiais estão aptas a realizar quaisquer tipos de registros. A gente pede que, se houver a possibilidade, a mulher seja encaminhada ao Plantão Especializada à Mulher, para que o atendimento possa ser realizado com uma equipe que já está habituada a trabalhar com o delito. É importantíssimo que ela compareça a uma delegacia. Nós orientamos que a vítima não se desfaça das peças de roupa ou tome banho. Isso pode ajudar na investigação", explicou. 

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Em Linhares, na Região Norte do Espírito Santo, uma menina de 12 anos engravidou após ser estuprada. Dois presidiários foragidos foram presos acusados do crime. Um deles é pai da vítima. Segundo o delegado do Departamento Regional de Linhares, Fabrício Lucindo, a mãe da jovem desconfiou do crime após mudanças no comportamento da jovem. 

"Eles foram liberados na saidinha temporária da independência e foram para a região de Linhares. O pai pediu para a mãe da criança para ficar com a menina. Durante este período, ele teria autorizado que o colega tivesse relações sexuais com ela. A filha relata tudo o que aconteceu", disse. 

No final de 2019, cerca de 13 vítimas estiveram na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para reconhecer um microempresário acusado de estuprá-las. Segundo a denúncia, ele abordava as mulheres com uma arma de fogo, colocava as vítimas dentro do carro e as levava até a Rodovia do Contorno, onde praticava o crime. 

A delegada orienta que a mulher deve procurar um hospital para receber o atendimento de urgência. "Existe um programa para quem sejam vítima de qualquer tipo de violência sexual, onde a pessoa recebe medicação para evitar doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e também para receber atendimento psicológico". 

A defensora pública Fernanda Prugner lembra ainda que as mulheres também recebem apoio da Defensoria Pública, que orienta sobre a Lei do Minuto Seguinte e sobre o pedido de Medida Protetiva de Urgência. "A lei garante às vítimas um atendimento emergencial, integral e interdisciplinar pelo Sistema Único de Saúde. Se for praticada no âmbito da família ou em âmbito intimo, a mulher pode acessar o site da Defensoria Pública e preencher um formulário para solicitar uma medida protetiva, que é recebida imediatamente pela instituição", ressaltou. 

O advogado Sérgio Vieira orienta para que a vítima passe o maior número de informações possível para a polícia. "Imediatamente, a vítima deve procurar uma delegacia, registrar o maior número de dados e características do autor, como altura, características físicas e roupas que ele estava usando, busca descrever o máximo possível", disse. 

Além de buscar os direitos, a terapeuta Samiza Vieira lembra que também é preciso cuidar do psicológico. "Quem passar por alguma situação parecida como essa, deve procurar ajuda, conversar, se sentir mais leve e o problema ser encarado de outra forma". 

*Com informações do repórter Michel Bermudes, da TV Vitória/Record TV. 

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