Folha Vitória "Estamos exaustos por prender as mesmas pessoas", diz secretário sobre menor apreendido suspeito de matar contador em Cariacica

"Estamos exaustos por prender as mesmas pessoas", diz secretário sobre menor apreendido suspeito de matar contador em Cariacica

De acordo com Alexandre Ramalho, adolescente de 17 anos detido nesta quarta, suspeito de matar contador durante assalto, já tinha outras passagens pela Justiça

Foto: Reprodução
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O adolescente de 17 anos que foi apreendido na noite desta quarta-feira (9), suspeito de matar o contador Rodrigo Silva da Vitória, de 44 anos, durante um assalto em Bela Aurora, Cariacica, no último fim de semana, já tinha outras passagens pela Justiça.

A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, que gravou um vídeo nesta quinta-feira (10), onde manifesta sua indignação pelo fato de criminosos que deveriam estar na cadeia continuarem misturados em meio à sociedade.

"Nós temos que mudar. Não podemos tolerar mais essa cena para a sociedade capixaba e não há como mais imputar responsabilidade ou cobrança às nossas polícias. Nós estamos exaustos por prender as mesmas pessoas. Esse jovem de 17 anos já tinha passagem pela polícia e agora, mais uma vez, comete outro crime, uma brutalidade, e retira uma vida, de forma tão ignorante, como nós estamos assistindo".

Ramalho lembrou ainda que o adolescente não ficará detido por mais que três anos e que, quando completar a maioridade, ficará com a ficha limpa. Para o secretário, a necessidade de mudança nas leis no País é urgente.

"A lei ainda o beneficiará. O máximo que ele pode pegar de pena são três anos. Com 21 anos ele vai estar em liberdade, se cumprir a pena toda, e sua ficha, automaticamente, estará limpa. Isso que nós temos que lutar para mudar no nosso Brasil. Chega de impunidade", desabafou Ramalho.

"A pergunta é: até quando nós vamos ter que presenciar leis sendo banalizadas e a premissa maior no Brasil sendo a liberdade desses crápulas retirando vidas e ceifando a alegria de famílias?", completou.

Rodrigo Silva da Vitória foi morto a tiros, no último domingo (6), em Bela Aurora, Cariacica, após reagir a um assalto. Ele saía de uma festa de aniversário e conversava com um vizinho na calçada de uma rua do bairro, quando foi rendido.

Apontado como um dos autores do crime, o adolescente de 17 anos foi detido três dias depois, por policiais civis da Divisão de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV). Além dele, outro suspeito de participar do latrocínio já foi identificado pela polícia.

Ação foi registradas por câmeras de videomonitoramento

Toda ação foi flagrada pelo sistema de videomonitoramento de uma das residências da região onde ocorreu o crime. Nas imagens, é possível ver o momento em que dois indivíduos descem de um veículo e anunciam o assalto. A princípio, Rodrigo não reage à abordagem e até levanta as mãos.

Um dos criminosos pega a chave do carro, enquanto o outro tira o cordão do pescoço de outra vítima. Antes de entrar no carro de Rodrigo, um dos assaltantes faz ameaças apontando a arma de fogo para ele.

O criminoso tenta ligar o carro, mas não consegue e desce do veículo. No mesmo momento, um carro preto para em direção à vítima. Rodrigo, então, reage e parte para cima do bandido.

Foto: Reprodução/Videomonitoramento
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Imagens de segurança registraram o momento em que Rodrigo é abordado pelos criminosos

Após ser baleado, a vítima volta correndo atrás do homem, que entra no carro cinza e foge. Rodrigo cai na calçada e o amigo vai em direção a ele, com uma criança no colo, para tentar ajudar. O contador não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

"São indivíduos que nos chocam pelas imagens, pela forma audaciosa e pretensiosa que descem do veículo, pela abordagem arrogante, violenta e que culmina com a morte do Rodrigo", ressaltou Alexandre Ramalho.

A vítima deixou esposa e duas filhas pequenas. Emocionado, o irmão mais velho de Rodrigo, Jairo Silva da Vitória, conversou com a equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV, no dia seguinte ao crime, e falou sobre a morte do contador.

"Meu irmão era um cara trabalhador, estudou, correu atrás de tudo e eu tenho que ver meu irmão jogado no chão. Ver ele no DML foi a coisa mais triste. Nós só queríamos justiça", desabafou. 

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