Folha Vitória 'Estamos sem chão', diz filha de pescador que continua desaparecido no mar

'Estamos sem chão', diz filha de pescador que continua desaparecido no mar

Gildazio Jesus Santos, de 52 anos, estava no barco Petrel, junto com outros três pescadores, quando a embarcação apresentou problemas e ficou à deriva

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Foto: TV Vitória
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Após seis dias de buscas pelo pescador Gildazio Jesus Santos, de 52 anos, que desapareceu após o barco onde ele estava naufragar na costa do Espírito Santo, na última quinta-feira (13), os dois filhos dele conversaram com a equipe de reportagem da TV Vitória/Record TV e contaram a angústia que têm vivido, nos últimos dias, por não terem notícias do pai.

Gildazio estava no barco Petrel, junto com outros três pescadores, que foram resgatados no último sábado (15), na reserva ambiental de Comboios, em Barra do Riacho, Aracruz, norte do estado. A embarcação pesqueira havia apresentado problemas técnicos perto da costa de Vila Velha.

Para os filhos de Gildazio, Daiane Souza e Daniel Souza, o que mais preocupa é a demora do pai ser encontrado. Os trabalhos de buscas estão sendo realizados pela Capitania dos Portos do Espírito Santo. "A gente está sem chão e sem saber o que fazer. A gente não pode pegar um barco e ir atrás dele para procurar. Na verdade, a responsabilidade é da Marinha fazer isso", disse Daiane.

Por telefone, a equipe da TV Vitória conversou com Waldeck, conhecido como Cutia, que estava no mesmo barco que Gildazio. Ele também é pescador e comandava a embarcação. 

Cutia explicou que tudo aconteceu depois que a estrutura de baixo do barco, chamada de serpentina, teria quebrado. Neste momento, segundo ele, Gildazio tomou a decisão de pular do barco em alto-mar. "Ele se apavorou e, sem avisar nada para nós, caiu dentro d'água sozinho, por conta própria", relatou.

No entanto, os filhos de Gildazio não acreditam nessa versão. Segundo eles, o pai é pescador há 40 anos e tem bastante experiência. Para eles, é pouco provável que Gildazio tenha pulado da embarcação.

"Meu pai tem 52 anos e 40 anos de experiência no mar. Meu pai começou a trabalhar novo. Ele fala que, quando começou a entrar água no barco, meu pai pega um tambor e pula na água. Como, se tem dez coletes salva-vidas no barco, meu pai ia pegar um tambor, e em alto-mar? Ele sabe que iria cansar e uma hora ele ia soltar. É mentira isso. Eu não creio nessa informação", afirmou Daniel.

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Cutia informou ainda que chamou o socorro da Marinha minutos depois que identificou que o barco estava com problemas e enchendo de água. Entretanto, segundo familiares de Gildazio e Cutia, a Marinha não chegou a tempo. Agora os familiares do pescador querem notícias do pai.

"Eu quero uma solução para a vida do meu pai. A gente não está aguentando mais. Já tem dois dias que eu não durmo, precisando de uma solução, e ninguém me fala nada", desabafou Daniel.

Por meio de nota, a Marinha informou que as buscas continuam pelo sexto dia consecutivo e que as embarcações já percorreram uma área de mais de 6 mil quilômetros quadrados, procurando os pescadores. Ainda segundo a Marinha, as causas e responsabilidade do acidente serão apuradas em inquérito.

Com informações da repórter Milena Martins, da TV Vitória/Record TV 

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