Folha Vitória Futebol nos EUA sofre com baixo número de treinadores

Futebol nos EUA sofre com baixo número de treinadores

Sem coaches suficientes, clubes americanos enfrentam impedimentos na contratação de estrangeiros.

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Foto: Divulgação/DINO
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O futebol nunca foi tão popular nos Estados Unidos, com 7% dos entrevistados pela Gallup apontando-o como o seu esporte favorito, atrás apenas do beisebol, terceiro colocado com 9% da preferência. Na medida em que o esporte avança no país, aumenta também a demanda por coaches nos clubes norte-americanos. Em setembro deste ano, pelo menos cinco times da Liga Principal de Futebol (MLS) entraram em campo com treinadores interinos, demonstrando a dificuldade dos times em contratar profissionais capacitados. A crise atinge não só os times de elite, mas, principalmente, as ligas semiprofissionais e amadoras. 

Segundo a Challenger Sports, empresa de Kansas especializada em fornecer treinadores para clubes juvenis, a falta de coaches locais exige que times busquem profissionais fora do país. Em 2019, a empresa tinha uma demanda de 322 vagas, mas apenas 147 vistos temporários de trabalho foram aprovados pela imigração. “Os limites rígidos para o número de vistos nessa categoria impactam na quantidade de coaches que podemos trazer para o país, deixando grandes lacunas no esporte”, diz Derek Shoare, cofundador da companhia que treina em média 80 mil jovens por ano. 

Com a suspensão dos processos de imigração por conta da pandemia de Covid-19, no ano passado, a crise nos campos norte-americanos se agravou. Tanto que um time de Louisiana decidiu entrar na justiça para garantir que o treinador britânico Matthew Ferguson ingressasse nos Estados Unidos, mesmo diante das restrições para os cidadãos daquele país. “Vínhamos trabalhando nesse recrutamento desde 2018. Dias antes do lockdown, o visto foi aprovado e, em seguida, ele foi impedido de embarcar”, contou a advogada Leah Spivey para a agência Associated Press. 

Depois de atuar para o FCA Darmstadt na Alemanha como jogador e assistente técnico, em 2018, o brasileiro Bruno Meyer Simões, de São Paulo, foi convidado pelo clube alemão a ser scout e analista de desempenho, o que levou o time a ser campeão da Kreisoberliga, em 2019. Por conta do sucesso na Europa, Bruno foi então convidado a atuar no clube feminino Tudela FC, de Los Angeles, porém a data para o brasileiro se tornar treinador oficial do time depende do processo de imigração. “Os americanos trabalham mais a parte física, já os brasileiros são mais técnicos. Sabendo disso, os clubes buscam o nosso conhecimento para preparar jogadoras mais completas”, conta o ex-jogador profissional que migrou para a carreira de treinador em 2018, depois de passar pelos clubes norte-americanos Tulsa Revolution, em Oklahoma, e Golden State Force, da Califórnia. “Assim como eu, outros coaches estrangeiros aguardam permissão para trabalhar nos Estados Unidos. Enquanto isso, o esporte cresce em popularidade e pede mais profissionais capacitados em campo”, afirma. 

Em setembro, o futebol feminino profissional dos Estados Unidos bateu recorde de público na partida entre OL Reign e Portland Thorns, pela Liga Nacional de Futebol Feminino (NWSL), com cerca de 27 mil torcedores no Lumen Field, em Seattle. Trata-se do maior público já registrado em toda a história da modalidade no país.

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