Folha Vitória Hilário tentou impedir que Milena contratasse advogada para processo de divórcio

Hilário tentou impedir que Milena contratasse advogada para processo de divórcio

Advogada disse que Hilário monitorava o WhatsApp de Milena, pois sabia que ela estava querendo contratar um advogado para tratar da separação do casal

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Foto: Reprodução
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O ex-policial civil Hilário Frasson, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da ex-esposa, a médica Milena Gottardi, em 2017, teria tentado impedir que a vítima procurasse um advogado para dar entrada no processo de separação. A informação foi dada pela advogada Ana Paula Morbeck, que representou Milena no processo do divórcio.

Ana Paula foi a terceira testemunha a prestar depoimento nesta terça-feira (24), durante o júri popular dos seis acusados de participação no assassinato da médica — entre eles, Hilário Frasson.

Em seu depoimento, que começou por volta das 15h35, a advogada disse que Hilário monitorava o WhatsApp de Milena, pois sabia que ela estava querendo contratar um advogado para tratar da separação do casal.

De acordo com a testemunha, a médica tinha certeza de que seu WhatsApp e e-mail estavam sendo monitorados pelo marido. Por isso, ela arrumou um celular de padrão antigo e só se comunicava com a advogada por meio de mensagens via SMS.

Segundo Ana Paula, Hilário chegou a procurar a sócia da advogada para que ela o defendesse no processo de separação. No entanto, a sócia se recusou a representar Hilário, já que Ana Paula já estava como advogada de Milena no mesmo caso.

A testemunha acredita que o ex-policial civil fez isso para tentar impedir que Milena contratasse o serviço de advocacia daquele escritório. Com isso, Hilário foi atrás de outro advogado, Hélio Belloti.

Ana Paula relatou também que, em determinado dia, o acusado foi até o escritório dela ostentando uma arma e sendo rude e agressivo com a sócia.

Milena foi morta na véspera de assinar o divórcio

A advogada relatou que, durante o processo de separação, foi feito um acordo entre as partes, no qual se pedia três meses para concretizar ou não o divórcio. 

Nesse período, segundo Ana Paula, Milena ligou para ela dizendo que Hilário estava indo armado à escola das filhas e que se sentia vigiada e perseguida pelo marido.

"Mandei um email para o advogado do Hilário (Hélio Belloti) na quarta-feira a respeito do acordo. Na quinta-feira, Milena foi baleada. Na sexta, seria o dia em que a gente iria se reunir para assinar o divórcio, mas ela estava morta", lembrou.

A advogada relatou também que Hilário chegou a propor um acordo para que Milena voltasse ao apartamento do casal. No entanto, ela disse que só voltaria se ele não estivesse mais lá. Ela, inclusive, teria se proposto a pagar um aluguel para Hilário.

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Julgamento pode durar uma semana

O julgamento dos réus, de acordo com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo, pode, inicialmente, ter a duração de uma semana.

As etapas dos trabalhos podem durar mais tempo devido ao número de réus e de testemunhas. Serão 29 ao todo, sendo 19 convocadas pelas defesas dos acusados e 10, pela acusação.

Estão no banco dos réus Hilário Frasson, Esperidião Frasson, Dionathas Alves, Hermenegildo Palauro Filho, Valcir da Silva Dias e Bruno Broetto.

Ao chegar no Fórum de Vitória nesta terça-feira, a mãe de Milena Gottardi, Zilca Maria Gottardi, falou sobre a decisão de deixar o júri após a entrada dos réus no primeiro dia de julgamento.

O advogado de defesa de Hilário Frasson, Rodrigo Bandeira de Melo, também conversou com a imprensa antes de entrar para o julgamento.

Ele destacou que o primeiro dia foi marcado por depoimentos emocionantes e espera um julgamento tranquilo e respeitoso.

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Entenda a participação dos acusados na morte de Milena

Foto: Arte/Julio Lopes
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