Folha Vitória Índice de desmatamento do ES corresponde a menos de 0,1% da Região Norte do país

Índice de desmatamento do ES corresponde a menos de 0,1% da Região Norte do país

Segundo o último Relatório Anual do Desmatamento do Brasil, referente a 2019, o estado registrou menos de 10 quilômetros quadrados de área desmatada

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Foto: TV Vitória
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A Mata Atlântica é o único bioma presente no Espírito Santo. Atualmente, o estado possui mais de 3 milhões de hectares de Mata Atlântica, que um dia já representou 100% do território capixaba. O que faz com que esses números diminuam, no decorrer dos anos, é o desmatamento. 

Apesar disso, de acordo com o último Relatório Anual do Desmatamento do Brasil, referente a 2019, o Espírito Santo registrou menos de 10 quilômetros quadrados de área desmatada. Para o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Idaf), o resultado é uma conquista.

"A gente pode comemorar, porque o nosso desmatamento hoje é praticamente zero. É uma área muito pequena em comparação, principalmente, a diversos outros estados da Federação. Isso é uma grande conquista para toda a população do estado", comemorou o diretor técnico do Idaf, Fabiano Campos Grazziotti.

Para se ter uma ideia, o índice de desmatamento do Espírito Santo corresponde a apenas 0,09% do registrado na Região Norte do país, onde fica a Região Amazônica. Segundo o relatório, nessa região há mais de mil hectares desmatados no ano. 

Para o professor universitário e engenheiro florestal Luiz Fernando Schettino, o dado é muito positivo para o estado. "O Espírito Santo demonstra que é possível a convivência principalmente do agronegócio com a proteção ambiental", frisou.

Apesar de um índice de desmatamento baixo no Espírito Santo, ele ainda acontece e é cometido, na maior parte das vezes, por agricultores que, para ocupar um espaço, desmatam aquela região de maneira ilegal. De acordo com a Polícia Ambiental, o desmatamento ilegal acontece em várias regiões do estado, mas se concentra principalmente na região serrana.

"Hoje a quantidade desmatada é realmente um cantinho num morro lá que alguém quer ampliar um pouco a sua produção, ou alguém que quer construir em algum local. Porque estamos na casa de poucos hectares", destacou Luiz Fernando Schettino.

Fiscalização

Para fiscalizar esse tipo de crime, o governo do Estado alia tecnologia avançada a denúncias feitas pela população. "A gente recebe denúncia nos nossos escritórios e também através do 181, do Disque-Denúncia. Além disso, a gente tem ferramentas de sensoriamento remoto, ferramentas de alerta de desmatamento e também uma grande ferramenta que a gente utiliza é o cadastro ambiental rural das propriedades", disse Grazziotti.

O diretor técnico do Idaf afirma ainda que, além do trabalho de fiscalização, ações educacionais são realizadas. "A gente tem realizado um grande trabalho de educação e também a gente tem ferramentas disponíveis de fiscalização ambiental para coibir esse tipo de desmatamento ilegal", ressaltou.

Grazziotti lembra que desmatar é crime e pode gerar multa ou até prisão. "A gente conduz um processo administrativo de multa, embargo e apreensão do material que foi desmatado, da madeira. E, paralelo a isso, é feito uma notícia-crime ao Ministério Público, para que tome as devidas providências cabíveis".

Para o diretor, o índice baixo de desmatamento no Espírito Santo é resposta a uma série de fatores, mas um deles merece destaque: o reflorestamento. "Hoje o governo do Estado tem um programa que chama 'Reflorestar'. Então a pessoa que preserva e a pessoa que recupera ainda recebe um recurso, por meio do governo do Estado", destacou.

Luiz Fernando Schettino comemora os resultados e defende que outros estados vejam o Espírito Santo como exemplo. "Temos que levar esse exemplo do Espírito Santo. Somos um dos maiores produtores de mamão, um dos maiores produtores de café do país, temos uma pecuária boa, pimenta-do-reino, produzimos madeira e estamos aumentando a quantidade de área com floresta, recuperando. Então, por que não podemos ter uma convivência?", questionou.

Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/Record TV 

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