Folha Vitória Insatisfeita com anúncio de reestruturação da PM, associação de cabos e soldados cobra reajuste salarial

Insatisfeita com anúncio de reestruturação da PM, associação de cabos e soldados cobra reajuste salarial

Entidade que reúne 8 mil policiais entre cabos, soldados e bombeiros militares afirma que reestruturação da Polícia Militar ainda não sinaliza para um plano de progressão de carreira e aumento de salário

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A Associação dos Cabos e Soldados do Espírito Santo disse estar insatisfeita com a reestruturação da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros anunciada pelo Governo do Estado na última quarta-feira (11). 

Na ocasião, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, anunciou  um novo concurso público da Polícia Militar com 671 vagas, o retorno do Batalhão de Missões Especiais (BME) e a criação de novas companhias independentes em Cariacica, Vila Velha, Jaguaré e Pinheiros.  

Segundo o presidente da entidade, cabo Eugênio, os policiais não foram contemplados com anúncio de um plano de progressão de carreira. "Entendemos que há grandes avanços no que se refere à estrutura colocada à disposição mas os profissionais devem se sentir valorizados e motivados e isso não aconteceu. Não tivemos nenhum anúncio relacionado, por exemplo, à progressão de carreira", aponta o presidente da associação, cabo Eugênio. 

Ele acha que as reestruturações não beneficiam a maior parte da tropa, formada por cabos e praças, mais próximos do dia-a-dia da população.  

Ele diz que há soldados com sete anos na corporação que não receberam nenhuma promoção. "Há outros com 20 anos de trabalho com apenas uma progressão e outros próximos da aposentadoria que também não foram contemplados com promoções", descreve. Ele também cobra um reajuste salarial da categoria que, segundo ele, está entre os mais baixos do país.

De acordo com levantamento feito pelo Associação Nacional de Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares (Anermb), no Espírito Santo, um soldado recebe R$ 3137,76. O maior valor é o do Distrito Federal, onde um soldado ganha R$ 8086,03.

A associação garante que irá manter diálogo com o Governo do Estado. Tentarão sensibilizar o Estado abrindo um canal de discussão por meio da Assembleia Legislativa. "Iremos nos reunir na próxima segunda-feira com deputados que formam a comissão de Segurança Pública para avançarmos nessas reivindicações salariais", planeja o cabo.

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A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) foi procurada para comentar sobre as reivindicações da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo. 

Por meio de nota, informou que as medidas na área de segurança pública anunciadas pelo governador na última quarta-feira tratam de reestruturação operacional da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, bem como modificação na possibilidade legal do uso da Indenização Suplementar de Escala Operacional (Iseo) da Polícia Civil. 

"São ações técnicas e específicas, que visam melhor atender a sociedade capixaba. Em nenhum momento foram tratadas questões salariais e plano de carreira", reforçou.

A nota acrescenta que, entre os anúncios realizados, está o fim da limitação para o quantitativo de vagas para a promoção de sargentos, contido na Lei Complementar nº 911/2019. "A medida possibilita que mais militares estaduais sejam habilitados e qualificados para atuarem como sargentos", destaca a Sesp.

Sobre os ajustes salariais, em março de 2020 foi aprovado o projeto de Lei 9/2020, que tratou do reajuste para os policiais e bombeiros militares. A lei foi sancionada pelo governador Casagrande e o reajuste vem sendo realizado de forma escalonada, nos anos de 2020, 2021 e 2022.

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