Folha Vitória Júri Milena: galho foi colocado na frente de carro para que executor soubesse quem era a vítima

Júri Milena: galho foi colocado na frente de carro para que executor soubesse quem era a vítima

Dionathas Vieira contou que não viu nenhuma foto da médica antes do crime. Ele teria recebido as características de Milena Gottardi por meio de um dos intermediários e, para evitar confusão, um galho foi colocado na frente do carro

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Foto: Divulgação / Polícia Civil
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No quinto dia do julgamento dos acusados de participarem do assassinato da médica Milena Gottardi, os réus começam a ser ouvidos pelo júri, no Fórum Criminal de Vitória. O primeiro a ser interrogado é o executor confesso Dionathas Alves Vieira. Ele começou a ser ouvido na tarde desta sexta-feira (27). 

O acusado chorou ao relembrar o dia do crime. Durante o interrogatório, ele revelou que não viu nenhuma foto de Milena antes do assassinato. Além das informações sobre as características dela, um galho de árvore foi colocado na frente do carro de Milena para que o executor pudesse identificar em quem atirar. 

Dionathas contou no interrogatório que foi procurado por Valcir da Silva Dias, um dos intermediários do crime, dois meses antes do assassinato. 

O assassino confesso de Milena disse que trabalhava em uma obra no bairro Maria Ortiz, em Vitória, quando recebeu uma ligação. Do outro lado da linha estava Valcir, que teria perguntado se ele aceitaria matar uma mulher. Dionathas disse que sim e Valcir teria informado que retomaria o contato nos dias seguintes, segundo depoimento no julgamento.  

Durante o interrogatório, Dionathas contou que não viu nenhuma foto de Milena Gottardi antes do crime. Ele teria recebido as características da vítima por meio de Valcir. O intermediário disse a Dionathas que a vítima era uma mulher alta, que estaria de jaleco branco e salto.

Ele disse que ficou com medo de "errar a vítima". Segundo ele, para evitar uma confusão, Valcir teve a ideia de colocar um ganho de árvore na frente do carro de Milena. Dionathas contou que viu o galho e, a partir disso, cometeu o crime. 

O rapaz revelou que, com a grande repercussão do caso, começou a ser pressionado pelos intermediários Valcir e Hermenegildo Palauro Filho. Os dois falaram para que ele fugisse para Minas Gerais, mas Dionathas preferiu ficar em Fundão, município em que morava. 

Dionathas contou que, quando viu a polícia na casa dele, já sabia que seria preso e acabou confessando o crime.

Outros réus do processo ainda serão ouvidos. A expectativa é de que a decisão do júri só saia entre a próxima segunda (30) e terça-feira (31).

Quem são os réus do processo

Hilário Frasson - ex-marido da médica e ex-policial civil
Esperidião Frasson - ex-sogro da vítima
Valcir da Silva Dias e Hermenegildo Palauro Filho - acusados de serem intermediadores do assassinato
Dionathas Alves Vieira - acusado de ser o executor do crime
Bruno Rodrigues Broetto - apontado como o responsável por conseguir a moto utilizada no dia do assassinato

Entenda a participação de cada réu no caso

As investigações concluíram que Hilário e Esperidião encomendaram o assassinato de Milena Gottardi por não aceitarem o fim do casamento entre ela e o então policial civil. 

Para isso, eles teriam contratado Valcir e Hermenegildo para dar suporte ao crime e encontrar um executor.

Ainda segundo a polícia, Dionathas Alves foi o escolhido para executar o "serviço" — como os envolvidos se referiam ao assassinato da médica. Para isso, ele receberia uma recompensa de R$ 2 mil.

Foto: Arte/Julio Lopes
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Dionathas teria usado uma moto, roubada pelo cunhado Bruno, para seguir de Fundão até Vitória e matar Milena.

O veículo foi apreendido em uma fazenda em Fundão, no mesmo dia em que Dionathas e Bruno foram presos. O executor confesso do assassinato disse à polícia que o crime foi planejado durante cerca de 25 dias.

O inquérito, no entanto, aponta que o planejamento do homicídio começou pelo menos dois meses antes do crime. Segundo as investigações, os seis acusados de envolvimento na morte de Milena Gottardi trocaram 1.230 ligações e formaram uma rede de comunicação antes e após o crime.

Depoimentos de quatro suspeitos de envolvimento do crime detalharam como foi o planejamento do assassinato da médica.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Justiça, Hilário Frasson está preso na Penitenciária de Segurança Média I; Esperidião Frasson, no Centro de Detenção Provisória de Viana II; Valcir, no Centro de Detenção Provisória de Vila Velha; Hermenegildo, no Centro de Detenção Provisória da Serra; e Dionathas e Bruno, no Centro de Detenção Provisória de Guarapari.

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