Folha Vitória Mais de 1 milhão de pessoas terão prioridade em vacinação contra a covid-19 no ES; saiba quem são

Mais de 1 milhão de pessoas terão prioridade em vacinação contra a covid-19 no ES; saiba quem são

Plano estadual de vacinação foi publicado nesta terça-feira. No entanto, ainda não há data para o início da imunização, já que o início da campanha depende da distribuição das doses de vacina por parte do governo federal

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Foto: Reprodução/Pexels
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No dia em que o Espírito Santo superou a triste marca de mais de 5 mil mortes causadas pelo novo coronavírus, o governo do Estado publicou, no Diário Oficial desta terça-feira (30), o plano estadual de vacinação. Entretanto, ainda não há data para o início da imunização, uma vez que o início da campanha depende da distribuição das doses de vacina por parte do governo federal.

Inicialmente, serão vacinados grupos prioritários, ou seja, os que necessitam ser imunizados com mais urgência, por, em tese, correrem mais riscos. Para isso, a vacinação será dividida em três fases que, ao todo, devem imunizar pouco mais de 1,1 milhão de capixabas. Mesmo quem já passou pela doença será vacinado.

"Nós pretendemos, com os primeiros grupos que serão vacinados, atingir aquele público que hoje tem uma probabilidade maior de evoluir para uma condição crítica, uma internação em um leito de UTI e ao óbito. As três fases iniciais de vacinação poderão permitir que nós tenhamos uma repercussão na redução de óbitos pela covid-19", ressaltou o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes.

Na primeira etapa, está prevista a vacinação de 271.788 pessoas. Desse grupo, fazem parte trabalhadores da área de saúde, pessoas de 75 anos ou mais, idosos institucionalizados (ou seja, que estejam em asilos ou instituições psiquiátricas), população indígena, além de povos e comunidades tradicionais ribeirinhas.

A segunda fase contempla pessoas de 60 a 74 anos. Nela, está previsto que 435.659 capixabas nessa faixa etária sejam vacinados.

Já a terceira etapa da campanha será destinada a pessoas com comorbidades — como diabetes, hipertensão, obesidade e outras doenças graves. Nessa fase, espera-se imunizar um total de 393.566 capixabas.

A doutora em epidemiologia Ethel Maciel afirma que o plano estadual de vacinação apresenta avanços em relação ao plano nacional. No entanto, ela diz ter sentido falta de outros grupos de risco.

"Uma perspectiva de inclusão de novos grupos, assim que as vacinas chegarem. Acho que isso é importante. É uma grande falha lá no plano nacional, porque ele para ali nos grupos prioritários e não tem um planejamento de inclusão de novos grupos", ressaltou.

Sem prazo

O secretário de Saúde garante que haverá atualizações, mas só quando a vacina chegar. Porém, essa é a grande questão: quando a vacina, de fato, vai chegar? Sem prazo por parte do governo federal, o Espírito Santo está de mãos atadas, já que não consegue negociar a compra diretamente com os laboratórios. Por isso, o plano de imunização foi publicado sem um calendário.

O secretário diz que cabe ao Estado cobrar. "Nós estamos insistindo com a União, com o governo federal, de que o Ministério da Saúde faça a aquisição de todas as vacinas disponíveis, para que a gente consiga, ainda em 2021, vacinar toda a população brasileira. Nós, no Espírito Santo, temos 493 pontos de vacinação. Nós já compramos as seringas, temos uma capacidade de vacinar até 1 milhão de pessoas por mês no nosso estado e poderíamos, em menos de um ano, vacinar todos os 3 milhões de capixabas", afirmou Nésio Fernandes.

Logística, capacidade de vacinação e plano o Estado tem. Mas de nada adianta se não houver doses suficientes. "É uma demanda global. A Pfizer mesmo já falou que agora, para março, não tem perspectiva de nenhuma dose aqui para o Brasil. Então já estamos falando de março sem nenhuma dose. Agora a gente tem o problema de não ter a vacina. Não adianta nada o Espírito Santo conseguir toda essa distribuição se não tiver a vacina, se não tiver 1 milhão de vacinas estocadas ali", frisou Luiz Gustavo de Almeida, PhD em Microbiologia pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).

Luiz Gustavo ainda alerta que o plano estadual do Espírito Santo contempla apenas uma vacina — a AstraZeneca —, quando seria mais prudente contar com mais fabricantes. "O Espírito Santo realmente foi sempre muito bom em fazer campanhas de vacinação. Então não é de se esperar que seja pior agora, para a covid-19. Eu dei uma olhada ali, estão certinhos os planos de fase 1, quais pessoas serão vacinadas, a fase 2, a fase 3. O que me chamou atenção um pouco negativamente foi que não estava contemplada a Coronavac nesse plano. É legal ter essa vasta gama de vacinas, para a gente conseguir, realmente, dar conta de fazer essa vacinação em massa", destacou.

Fases da vacinação

De qualquer forma, o plano ainda prevê três fases. A primeira é a pré-campanha, que estrutura o cronograma de vacinação. Em seguida, vem a campanha em si, que deve atender ao público prioritário por agendamento online ou telefônico.

Além disso, postos temporários, montados em escolas, igrejas ou centro comunitários, devem ser abertos para evitar que idosos circulem nos postos comuns. Parques e academias ao ar livre também são espaços possíveis de vacinação, além da adoção do sistema drive-thru.

Já a terceira fase é a pós-campanha, que deve principalmente monitorar possíveis casos alérgicos e reações adversas. Para Ethel Maciel, este é o principal avanço do plano estadual, frente ao nacional.

"Em relação aos períodos pré-vacinais, durante a vacinação e pós-vacinais, também apresenta uma preocupação que a gente tinha manifestado em relação ao plano nacional, que era a necessidade de a gente estabelecer aquela fármaco-vigilância, que é o controle de todas as pessoas que se vacinaram e como a gente pode monitorar efeitos alérgicos ou alguns outros eventos adversos que podem surgir após a administração da vacina", frisou.

Enquanto a vacina não chega, é preciso controlar a ansiedade um pouco mais. "Nós estamos já vendo aquela luz no fim do túnel. As vacinas já foram aprovadas em várias agências. A gente ainda não tem ela aqui, mas as vacinas já estão aí. Já estão sendo administradas com muito sucesso em vários países", ressaltou a epidemiologista.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV 

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