Folha Vitória Mais de 40% das internações por covid no ES são de pessoas que recusaram a vacina

Mais de 40% das internações por covid no ES são de pessoas que recusaram a vacina

Haverá mudanças no método de classificação de risco dos municípios e apontou que a cobertura vacinal de uma cidade será levada em conta

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Foto: Diego Simão/TV Vitória
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Um total aproximado de 42% das internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de enfermaria por covid-19 no Espírito Santo são de pacientes que não foram vacinados. A informação é do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.

Em pronunciamento feito pelas redes sociais nesta terça-feira (05), ele alertou que o aumento de internações por covid-19 está relacionado ao comportamento de pessoas que se recusam a se vacinar.

"Tivemos 826 solicitações de internações na última quinzena de setembro e, desse total, 42% são de pessoas não vacinadas", declarou.

O secretário abordou sobre mudanças no método de classificação de risco dos municípios e apontou que a cobertura vacinal de uma cidade será levada em conta.

"Nós teremos, nesta quarta-feira, uma reunião extraordinária da sala de situação onde iremos atualizar diversas medidas de enfrentamento à pandemia no Estado",. destacou.

O secretário chamou a atenção de pessoas que não se vacinaram ainda. "A vacina protege o indivíduo e, ao mesmo tempo, protege a comunidade. Aqueles que se recusam a vacinar possuem uma probabilidade maior de evoluir para um quadro grave ou a um óbito. Precisamos avançar no convencimento de que a população adulta se vacine".

"O governador Renato Casagrande fará um pronunciamento em que fará anúncios importantes na reorientação da estratégia e na metodologia da classificação de risco das cidades capixabas na matriz de risco. A cobertura vacinal passará a ser o principal fator determinante para que a população de um município seja reconhecido com risco muito baixo para a covid-19".

Cerca de 25 mil idosos estão com a dose de reforço em atraso no Espírito Santo. O secretário alertou para perigo de possibilidade de internações e óbitos. "Isso representa um risco individual para ter a infecção por covid-19 e desenvolver uma condição crítica, podendo evoluir a óbito".

O secretário comemorou os resultados do projeto "Viana Vacinada", que imunizou a população do município com duas meias doses. A meia dose poderá ser utilizada como dose de reforço no Estado. "O projeto Viana Vacinada constitui o maior estudo mundial do uso da meia dose de um imunizante na população. Os resultados têm suscitado a possibilidade de que a dose de reforço pode ser realizada com a meia dose da vacina da AstraZeneca". 

Meia dose usada testada em Viana poderá ser aplicada como dose de reforço

A meia dose da vacina AstraZeneca, aplicada no projeto Viana Vacinada, poderá ser utilizada também como terceira dose para reforçar o esquema vacinal contra covid-19. 

"O projeto Viana Vacinada constitui o maior estudo mundial do uso da meia dose de um imunizante na população. Os resultados têm suscitado a possibilidade de que a dose de reforço pode ser realizada com a meia dose da vacina da AstraZeneca", disse Nésio Fernandes.

Os dados preliminares mostraram que após a primeira meia dose, realizada em 13 de Junho, 88% dos participantes que não tiveram contato com o vírus da Covid-19 produziram anticorpos neutralizantes.

Após a segunda meia dose, a taxa de soroconversão de anticorpos neutralizantes que conferem proteção foi de 99% dos indivíduos, semelhante à dose padrão.

"Nesse primeiro momento nós temos os resultados parciais da primeira fase, ou seja, nós avaliamos e identificamos que duas meias doses foram capazer de induzir 99,8% de anticorpos neutralizantes, que são aqueles de proteção, semelhante àquele esquema com duas doses inteiras", disse a coordenadora do estudo, a pesquisadora e médica Valéria Valim.

A pesquisadora explicou que apesar de não ter sido concluído, o estudo já apresenta resultados relevantes e animadores para as próximas fases.

"Esse resultado é importante porque ele permite, de fato, considerar esse esquema vacinal e aumentar o alcance para pessoas que não tiveram ainda a imunização ou até mesmo a necessidade de dose de reforço", finalizou.

Para o prefeito do município, Wanderson Bueno, o resultado aponta para a confirmação do que já era esperado desde o início do estudo, em junho.

"Vemos com muita felicidade o resultado. Desde o início, trouxemos muito conhecimento para a população, para trazer a segurança. Havia a dúvida com a meia dose e se teria efetividade. Desde o início era seguro essa possibilidade da dose de reforço, caso não fosse efetiva. O segundo resultado de 99.8% nos deixa feliz. É muito importante para o trabalho da pesquisa"

Bueno ainda lembrou que a cidade já possui uma grande porcentagem de pessoas com o esquema vacinal completo e que isso refletiu nos números de casos no município.

"Já estamos chegando a 80% de vacinação com segunda dose em Viana. Houve uma redução muito grande dos casos. tinhamos um registro de mais ou menos 20 casos por dia e, em 30 dias, eram 4 casos. Estamos há mais de 30 dias sem óbito.

Entenda o Projeto

O Projeto Viana Vacinada é um estudo científico denominado “Efetividade, Segurança e Imunogenicidade da Meia Dose da Vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) para Covid-19”, que tem o intuito de avaliar a capacidade da meia dose da vacina Astrazeneca (Oxford/Fiocruz) reduzir o número de casos de Covid-19 na cidade de Viana, que fica Região Metropolitana da Grande Vitória.

Com a execução do projeto na cidade e o empenho do Governo do Estado, por meio do Plano Estadual de Vacinação Contra a Covid-19, em garantir imunização à população capixaba, Viana alcançou a marca de 100% da população vacinada com a primeira dose.

O estudo é coordenado por equipes de pesquisadores do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/EBSERH) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O projeto foi aprovado no Comitê de Ética do Hucam-Ufes, pela Comissão Nacional de Ensino e Pesquisa (Conep) e será executado por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde (MS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Fiocruz, Hucam-Ufes, Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), e Prefeitura de Viana.

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