Folha Vitória Mais duas advogadas são presas suspeitas de ajudar chefões do crime em presídios no ES

Mais duas advogadas são presas suspeitas de ajudar chefões do crime em presídios no ES

Segundo o MPES, responsável pela Operação Armistício, duas advogadas se apresentaram espontaneamente e estão presas com tornozeleira eletrônica em regime domiciliar

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Foto: Reprodução TV Vitória
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Duas advogadas investigadas por intermediar a comunicação entre detentos do sistema prisional do Espírito Santo e traficantes de uma organização criminosa foram presas após se apresentarem espontaneamente. 

Com isso, já são oito defensores presos no âmbito da "Operação Armistício", deflagrada nesta segunda-feira (20) pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Ao todo, a Justiça expediu nove mandados de prisão contra os profissionais. Um segue foragido.

Os advogados detidos cumprem prisão domiciliar, com a utilização de tornozeleira eletrônica. Nos próximos dias, eles prestarão depoimento na sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

De acordo com o MPES, a comunicação promovida pelos advogados permitia que, de dentro do presídio, os chefes do grupo denominado Primeiro Comando de Vitória (PCV) mantivessem o controle sobre o tráfico de drogas na região do Bairro da Penha, na Capital.

Além disso, a troca de mensagens favorecia a aquisição de armamentos e munições, por parte dos criminosos, o planejamento de homicídios, queima de ônibus e de outras ações violentas.

Segundo as investigações, cinco detentos eram responsáveis por comandar a organização criminosa de dentro da prisão. São eles: João de Andrade, o "Joãozinho da 12"; Carlos Alberto Furtado da Silva, conhecido como "Nego Beto"; Geovani de Andrade Bento, o "Vaninho"; Giovani Otacilio de Souza , o "Bob Esponja"; e Pablo Bernardes, o "Geléia".

Foto: Reprodução / TV Vitória
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Da esquerda para a direita: Carlos Alberto Furtado ("Nego Beto"), João de Andrade ("Joãozinho da 12"), Geovane de Andrade ("Vaninho"), Giovani Otacílio ("Paraíba") e Pablo Fernandes ("Geleia")

Eles estava presos na Unidade de Segurança Máxima Estadual, em Viana. No entanto, por solicitação do MPES, foram transferidos, na manhã de segunda-feira, para presídios federais, com aplicação de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que consiste na permanência do presidiário em cela individual, com limitações ao direito de visita e do direito de saída da cela.

'Catuques' e videochamada de dentro da prisão

O Ministério Público verificou que os advogados repassavam bilhetes, chamados de "catuques", entre os presos e os criminosos foragidos. Geralmente eles eram escritos, de próprio punho, pelos presos ou narrados pelos detentos e escritos pelos advogados.

No entanto, o MPES verificou, durante as investigações, que as cartas também eram enviadas por WhatsApp aos advogados, responsáveis por repassar as ordens e gerenciamentos do crime que partiam do sistema prisional.

Foto: Reprodução/MPES
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Ainda de acordo com o Ministério Público, em um dos atendimentos na unidade prisional, um dos integrantes da organização criminosa consegue realizar contato por videochamada com Fernando Pereira Pimenta, o "Marujo", que está foragido e é a principal liderança do grupo fora do presídio.

Um print de tela feito durante a videochamada foi encontrado no celular de uma advogada que atendeu o detento no dia, e que também é suspeita de integrar a organização criminosa.

Na investigação, o MPES também teve acesso a trocas de mensagens entre os criminosos, mostrando que eram realizadas "reuniões" entre os líderes da organização criminosa.

Algumas dessas mensagens, segundo o órgão, foram trocadas entre Nego Beto e Joãozinho da 12, dentro do Presídio de Segurança Máxima, em Viana.

"Q que deveria ter sido feito, após vc ter tomado conhecimento do que tava acontecendo, vc deveria ter comunicado ao VN, MJ, pedir uma reunião com geral, chamar o mlk chamar as testemunhas e juntos, meu amigo, todos tomar uma decisão só", diz um trecho.

Excesso de atendimentos

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, foi a quantidade excessiva de visitas que os advogados faziam aos detentos e o tempo de duração delas.

Foto: Reprodução / TV Vitória
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De acordo com o MPES, Joãozinho da 12 recebeu 567 atendimentos de 76 advogados diferentes. Algumas visitas tiveram duração de 8 horas, no período noturno e até mesmo de madrugada. Apenas em abril deste ano, ele foi atendido 37 vezes por 15 profissionais diferentes.

Nego Beto, por sua vez, recebeu um total de 700 visitas, de 86 defensores diferentes — uma média de uma visita a cada 26 horas.

Bob Esponja teria recebido o atendimento de 34 advogados, em um total de 153 visitas, com durações que chegaram a 8 horas.

Vaninho, que está preso desde 19 de fevereiro do ano passado, recebeu um total de 210 visitas de dez advogados diferentes. Algumas delas, segundo o MPES, tiveram duração de mais de 10 horas, estendendo-se entre o período noturno e a madrugada.

Já Geleia, preso no dia 4 de junho do ano passado, recebeu o atendimento de 36 advogados, em um total de 210 visitas. Somente no último mês de abril, ele teria recebido 28 visitas, algumas delas com duração de 5 horas.

De acordo com o Ministério Público Estadual, a quantidade excessiva de atendimentos recebidos pelos detentos e o tempo de duração das visitas reforça a ideia de que os advogados faziam a intermediação das mensagens trocadas entre os criminosos.

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