Folha Vitória Marcas Ícones: a pandemia do coronavírus x a economia capixaba

Marcas Ícones: a pandemia do coronavírus x a economia capixaba

“Surgirão novas demandas, novos desafios e novas possibilidades de organização e investimento. É preciso ser ágil para se adaptar aos novos tempos e captar o que está por vir”, diz Fábio Brasileiro

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A crise desencadeada pela pandemia da Covid-19 foi uma ducha de água fria para os grupos empresariais e fundos institucionais que se organizavam para desembarcar no Espírito Santo. Num cenário de juros baixos, estabilidade política e fiscal, a nova lei de gás e um conjunto de investimentos em infraestrutura já anunciados pelo Governo Federal, desenhava-se um cenário promissor e uma janela de oportunidade ímpar para o nosso estado.

Agora que o cenário macroeconômico se deteriorou, quais são os próximos passos?

Sempre é bom considerar que crise abre espaço para investidores qualificados, que souberam proteger o caixa e atuam com visão de longo prazo. Esse grupo reúne fundos institucionais, empresas de capital fechado e grandes grupos que buscam consolidar e ampliar posição nos setores em que já atuam.

Dentre os setores que mais despertam o interesse desse seleto grupo estão as atividades que mantiveram sua demanda durante o período de recessão, ativos com preços abaixo do valor de mercado e atividades que apresentam bom potencial de retomada pós-pandemia.

Na lista dos segmentos mais desejados estão saúde, educação, saneamento, agronegócio, tecnologia e infraestrutura. Áreas em que o nosso estado oferece um cardápio de opções muito interessantes.

É importante destacar que nossa matriz econômica, fortemente ancorada na indústria e no agro, e nossa condição política e fiscal diferenciada nos protegeram do desastre que se abate sobre outros estados da federação e nos coloca um passo à frente no árduo caminho da retomada.

Nossa indústria já dá fortes sinais de reaquecimento e cabe a nós, empreendedores capixabas, identificar e nos qualificar para abraçar as oportunidades que surgirão com as desestatizações, com a significativa melhoria das rodovias que cortam o estado, com o incremento da nossa malha ferroviária, com a privatização da Codesa e com os projetos portuários que começam a se materializar.

Esse conjunto de acontecimentos oportunizará aos setores de bens de consumo e serviços do estado grandes desafios. Vale lembrar que as empresas capixabas respondem hoje por menos de 60% dos fornecimentos nesses segmentos. Vislumbro neste momento um importante espaço para especialização, diversificação e crescimento de nossos negócios.

Empresas de porte já anunciam investimentos de vulto, como é o caso dos R$ 200 milhões anunciados pela Chocolates Garoto e a retomada das operações da Samarco, só para citar dois exemplos. A crise da Covid-19 foi inesperada e difícil para todos, com muitas perdas. Mas serviu para repensarmos modelos de negócios, processos, eficiência operacional e a reponsabilidade das empresas pelo desenvolvimento e bem-estar de uma sociedade. Surgirão novas demandas, novos desafios e novas possibilidades de organização e investimento. É preciso ser ágil para se adaptar aos novos tempos e captar o que está por vir. E o Espírito Santo tem tudo para se diferenciar neste momento de transformação.

A bola está conosco!

* Por Fábio Brasileiro, empresário e diretor-presidente do ES em Ação

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