Folha Vitória Menor taxa de ocupação melhora atendimento nas UTI's para covid-19, dizem médicos

Menor taxa de ocupação melhora atendimento nas UTI's para covid-19, dizem médicos

Na Grande Vitória, essa taxa de ocupação se manteve abaixo de 75%, na última semana, e atualmente está em 69,98%, segundo dados do Painel Covid-19

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Foto: Reprodução / Agencia do Radio
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O número de internações em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) exclusivas para o tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus vem caindo no Espírito Santo. A taxa de ocupação desses leitos vem se mantendo estável nos últimos dias, e os números refletem diretamente no trabalho das equipes médicas.

Na Grande Vitória, essa taxa de ocupação se manteve abaixo de 75%, na última semana, e atualmente está em 69,98%, segundo dados do Painel Covid-19. Em todo o estado, a situação é ainda melhor, com 65,98% dos leitos de UTI exclusivos para covid-19 ocupados. Se forem levados em consideração os 86 leitos aptos a receberem pacientes com a doença, mas que foram remanejados para outras enfermidades, essa ocupação seria de 58,04%.

Mas não são todas as regiões capixabas que apresentam queda no número de casos de covid-19. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), enquanto a região sul e a metropolitana têm queda consolidada no número de casos confirmados e de óbitos, nas regiões norte e central ainda há elevação. Além disso, muitos pacientes do interior ainda precisam ser transferidos para leitos de UTI da Grande Vitória.

"A Grande Vitória corresponde hoje a 30% dessas situações e o interior do estado, a 70%. Mas isso não quer dizer que a doença já acabou", afirmou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.

Ainda que a pandemia não tenha acabado, o panorama hoje é bem mais tranquilo nas UTI's, segundo o médico intensivista Thiago Rodrigues. "A gente tinha 50 leitos voltados 100% para covid, onde a taxa de ocupação era de 100% e, assim que tinha uma alta, uma pessoa já entrava no leito automaticamente. Hoje nós temos 20 leitos para covid, com 50% de ocupação", compara.

O intensivista conta que as mudanças na rotina de trabalho influenciaram diretamente na sua vida pessoal. Ele disse que, na fase mais crítica da pandemia, chegou a ficar dois meses e meio sem ver os dois filhos. "Foram dias e noites em que a gente não dormia. Eu tenho dois filhos e fiquei sem vê-los", lembra.

Em Vitória, um hospital privado foi inaugurado no pico da pandemia e, no dia da abertura, chegou a receber 18 pacientes com o coronavírus na UTI. Hoje a situação é completamente diferente: há cinco dias, a unidade de terapia intensiva do hospital não recebe nenhum paciente com a covid-19.

"No final de maio para junho realmente foi uma loucura, porque a quantidade de pacientes que chegavam todos os dias era muito grande. Existia uma falta de insumos, ou seja, de alguns medicamentos essenciais para fazer o manejo desse paciente do covid. E hoje, graças a Deus, esse momento está mais estável", destacou o também médico intensivista Adenilton Rampinelli.

Para o médico, o menor número de pacientes permite oferecer um melhor tratamento. "A diminuição do número de casos e o de pacientes com covid na UTI faz com que a gente consiga até trazer mais humanização para dentro da UTI, porque aquele corre-corre hoje diminuiu. E hoje tem a utilização de televisita, serviço social, psicologia", ressaltou.

Segundo Adenilton, quem fica em estado grave hoje tem mais chances de sobreviver do que no início da pandemia. "A gente tem os recursos todos adequados, a falta de medicamento que a gente tinha há dois meses está se normalizando. Então não existe a escassez — é lógico que em alguns serviços ainda sim. E, sobretudo, a curva de aprendizagem que a gente teve da doença é o que talvez vá trazer o melhor desfecho neste momento", frisou.

Mesmo assim, os profissionais de saúde se preocupam e afirmam que não querem passar pelo mesmo sofrimento mais uma vez. "Tivemos colegas que passaram para os pais e os pais ficaram graves. Aí você fica com aquele peso e não consegue nem exercer a sua profissão de uma forma que você ache bacana. Então é uma coisa que a gente não quer de novo", disse Thiago Rodrigues.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV

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