Folha Vitória Mineiro recebia aposentadoria do INSS em nome de cobrador do ES há seis anos

Mineiro recebia aposentadoria do INSS em nome de cobrador do ES há seis anos

Por erro no sistema do INSS, morador da Serra não conseguiu o benefício: "Ainda não estou aliviado. Vou ficar apenas quando tudo der certo"

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Foto: TV Vitória
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O caso da aposentadoria do cobrador Geraldo Xavier Soares, de 62 anos, está perto de ter uma solução. No entanto, ele considera reivindicar seus direitos na Justiça, uma vez que teve o número de CPF utilizado por seis anos para que outra pessoa recebesse a aposentadoria.

Geraldo mora na Serra e só descobriu o problema ao dar entrada no processo de aposentadoria. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o caso não se trata de fraude. Sendo que os dois nomes são verdadeiros, porém o número do CPF estava duplicado. 

O INSS explicou que o sistema possui uma funcionalidade automática que faz a junção de dados de uma mesma pessoa que estejam separados, como CPF. De acordo com o órgão, neste caso, o sistema fez a junção de forma equivocada.

Quem recebeu, por cerca de seis anos, a aposentadoria com o CPF do ex-cobrador foi um outro homem, com nome parecido: Geraldo Chaves Soares, morador de Minas Gerais.

O INSS informou que a falha já foi identificada e encaminhada para a área técnica atualizar o sistema. Com isso, Geraldo Xavier Soares, que mora no Espírito Santo, poderá solicitar o benefício em até 10 dias úteis.

Em conversa com o jornal online Folha Vitória, o ex-cobrador afirmou que agora, com a previsão de retornar mais uma vez ao processo de aposentadoria, está com expectativa que o problema seja solucionado.

"A resposta do INSS me deu uma expectativa boa para resolver isso. Ainda não estou aliviado. Vou ficar apenas quando tudo der certo. Mas já estou mais tranquilo por ter um novo prazo", afirmou.

Segundo ele, mesmo havendo o esclarecimento do INSS de que não se trata de uma fraude, ele vai decidir se irá buscar seus direitos na Justiça.

"É como uma fraude sim. No momento, eu não decidi  nada, mas não estamos contentes, pois isso foi um crime e tudo indica que é fraude. Provavelmente, vamos brigar pelo constragimento que eu passei", disse.

Caso foi descoberto pelo Sindicato dos Aposentados

A descoberta do caso foi do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Vitória, que constatou o erro na hora de dar entrada com os documentos do Geraldo Xavier.

Segundo o presidente do sindicato, Gerson de Maia Carvalho, ao iniciar o processo para tornar ativa a aposentadoria, o sistema recusou e impediu que fosse adiante.

"Para nossa surpresa, quando fomos entrar no INSS solicitando aposentadoria, fomos impedidos em função da acusação do sistema de que ele teria uma aposentadoria ativa desde de 2015. Então, em função disso, não conseguimos dar entrada a aposentadoria dele", explicou.

Embora não existam comprovações de que a ação seja criminosa, o presidente destacou que já foi identificado que essa pessoa está recebendo um benefício irregular.

"No primeiro momento, não podemos afirmar se foi algo fraudulento ou criminoso. O que nós comprovamos é que tem alguém recebendo uma aposentadoria irregular", ressaltou.

"O outro Geraldo também não conseguiria aposentar"

A pessoa identificada como Geraldo Chaves e que está recebendo a aposentadoria, possui no histórico três empresas onde teria trabalhado, inclusive a de transportes públicos, onde o Geraldo Xavier trabalhou por 20 anos, além de um grande banco.

No sistema, consta que ele estaria empregado de 1979 a 1996, sendo que nesse período, Geraldo Xavier estava trabalhando no interior. Outro detalhe, segundo o sindicato que deu entrada na aposentadoria, é que a pessoa que conseguiu se aposentar não teria êxito no pedido sem o registro na carteira do Geraldo capixaba.

"Se não fizesse a soma de todos esses vínculos, esse Geraldo que está recebendo não conseguiria aposentar porque não iria atingir o tempo mínimo necessário para aposentar em 2015, como ele conseguiu", explicou o presidente do sindicato.

A vítima envolvida na confusão, Geraldo Xavier não vê a hora de regularizar os documentos e conseguir ter acesso ao benefício que lhe é de direito.

"Provavelmente será um salário e pouco, mas será um apoio para mim, com a idade que tenho, para eu continuar tocando a minha vida", relatou.

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