Folha Vitória Motorista de Guarapari supera coronavírus depois de 26 na UTI

Motorista de Guarapari supera coronavírus depois de 26 na UTI

Recuperado e em casa, Jocimar Santos Queiroz é considerado um milagre para os médicos que o acompanharam

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Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
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Jocimar não pertence ao grupo de risco, mas ficou em estado grave.

O que parecia ser uma simples tosse seca, se desenvolveu e resultou em 26 dias de internação. O motivo: coronavírus. A doença que matou 80 pessoas em Guarapari, para o motorista Jocimar Santos Queiroz, morador do bairro Nossa Senhora da Conceição, é na vida dele, um milagre. Em casa, após viver momentos de angústia e afastamento dos familiares, aos 45 anos, ele foi recebido com carreata dos amigos e passa por fisioterapia para retornar à rotina.

Sem estar inserido no grupo de risco, o motorista de ônibus e sindicalista Jocimar Santos Queiroz, 45, se tornou caso confirmado, hospitalizado e curado do Coronavírus. Apesar de aparentar sintomas leves por uma semana, ele passou por dois hospitais e ficou no setor de UTI. “Inicialmente eu tive apenas uma uma leve tosse seca e procurei por uma farmácia. Fiz um exame respiratório e o farmacêutico me receitou um remédio para tosse e outro preventivo para o coronavírus. Caso eu não melhorasse, eu deveria procurar um médico. A partir daí, passei pelo Pronto Atendimento de Guarapari e pelos hospitais Jaymes Santos Neves e Evangélico”.

Uma semana se passou, e o motorista, que atuava desde o início da pandemia no Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, teve os sintomas agravados e buscou pelo Pronto Atendimento do município. “Tomei a medicação que o farmacêutico me passou, mas uma semana depois, eu fui trabalhar no sindicato e senti meu corpo mal, mas até então, somente a tosse havia se manifestado. Naquele dia, não voltei ao trabalho e durante a noite, me deu febre. No dia seguinte procurei ao P.A, pois eu estava fadigando. Apesar de eu imaginar, o médico me disse para eu fazer o exame rápido e, logo após, constatou minha internação”.

Com o acelerado desenvolvimento da doença, Jocimar passou um dia e uma noite no pronto atendimento, mas logo que conseguiu uma vaga na UTI, foi transferido. “Meu quadro piorou ao ponto de eu não ter oxigênio para fechar minha roupa após o banho. Foi quando consegui vaga no Hospital Jayme Santos Neves. Me recordo só de ter deixado meus pertences com a enfermeira, e a ambulância me buscar. Então, a última coisa que eu falei com minha irmã foi: cuida de mamãe. E ela me passou calma. O médico me deu um sedativo para eu ir a Vitória e, a partir daí, não lembro de muita coisa”, relata o motorista.

Sendo considerado um caso raro pelos médicos, Jocimar relembra de alguns momentos enfrentados durante o tratamento. “Os médicos me viram como um milagre, por eu ter passado por tudo isso e estar vivo hoje. A situação que eu passei é difícil alguém sobreviver. Ficar 26 dias entubado e não ter feito traqueostomia é raro. Segundo a médica, assim como foi difícil eu ter apagado para a entubação, pois levei 4 dias para entrar em coma, foi rápido para eu voltar. Eu tive muitos pesadelos na UTI. Lembro dos médicos me auxiliando a falar e mexer as pernas. Quando eu acordei, fiquei consciente de tudo. Eu sabia que estava no hospital, mas não tinha noção de tempo, nem o que havia acontecido no período. Quando eu peguei o celular, que eu já estava no quarto, passei mensagem logo para a minha irmã, e aí ela me relatou tudo”, relembra.

Sendo o único de casa que foi contaminado pela doença, mesmo tomando os devidos cuidados, Jocimar alerta a população. “Talvez meu quadro tenha piorado, pois eu demorei a buscar um médico. Posso dizer a todos que, qualquer sintoma que sinta, procure um médico. Pois quanto mais sintomas, menor a imunidade, e é ali que atinge. É uma doença covarde, traiçoeira, vai na fragilidade da pessoa”, orienta.

Apesar de não ter ficado em isolamento social durante os meses de pandemia, Jocimar não consegue imaginar onde pode ter ocorrido o contágio. “Não faço ideia de onde peguei, pois tive contato com várias pessoas, mas nenhuma do meu ciclo foi contaminada. Dizer que peguei em um dos lugares que tenho convivência é injustiça, pois somente eu sofri. Tomei todos os cuidados, máscara álcool em gel no carro e em casa, mas infelizmente a doença não escolhe rico ou pobre. Por mais que você se cuide, se tiver que pegar, pega”.

E após ter enfrentado os sintomas de uma doença que tem destruído famílias, Jocimar colheu uma lição dos dias difíceis no hospital. “A gente se sente um milagre, repensamos em muitas coisas da vida; atitudes e pensamentos”.

Fisioterapia

Ao receber a alta hospitalar, Jocimar precisou iniciar um tratamento de fisioterapia para recuperar alguns movimentos. Todo o acompanhamento é feito em casa. “Faço fisioterapia de segunda a sexta, pois como fiquei 32 dias no hospital acamado, perdi cerca de 20kg, massa muscular e força. Cheguei em casa de cadeira de rodas (confira no vídeo ao final da matéria). A fisioterapeuta me liberou caminhar no quintal de casa e estou me recuperando bem”, comemora.

Homenagem dos amigos e familiares

Para celebrar a conquista de Jocimar, amigos e familiares se uniram para surpreende-lo. “No primeiro dia que eu cheguei em casa, eu não imaginei que iriam fazer algo para mim. Eu estava com um primo na sala, que veio para cuidar de mim, pois eu estava 100% dependente de ajuda. De repente ouvi barulhos e gritos com o meu nome. Meus amigos e familiares pararam na frente da minha casa, com um carro de telemensagem, pois eu não podia ter contato ainda. Recebi discursos, mensagens; me senti único, emocionado, sem saber como agradecer. É muito bom saber que tenho amigos que não me abandonaram em um momento difícil”, relata.

Texto: Larissa Castro

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