Folha Vitória Mulher finge pedir pizza para denunciar violência à polícia

Mulher finge pedir pizza para denunciar violência à polícia

O caso desesperador fez com que a vítima escapasse da triste estatística capixaba; só neste ano 31 mulheres foram mortas

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Foto: Marcos Santos/USP
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Para escapar das agressões, uma mulher decidiu ligar para o Ciodes. O que poderia ser um pedido de ajuda convencional, precisou ser remodelado. Por estar ao lado do agressor, ela fingiu pedir uma pizza. A estratégia foi uma das formas da vítima escapar de entrar para uma grave estatística capixaba: só em 2021, 31 mulheres foram mortas no Espírito Santo.

O caso aconteceu em abril deste ano no município da Serra. Apesar de não ter passado por essa experiência de denúncia, a servidora pública Joana Nogueira entende bem a aflição da vítima. 

Ela conta que sofria constantes ameaças do ex-companheiro, mas a situação ficou ainda pior quando ele colocou fogo na casa dela. Sem receber qualquer apoio, ela precisou começar do zero.

"Ele invadiu minha casa pensando que eu estivesse lá, colocou fogo e queimou minha casa toda. Ele dizia que ia matar. Foi um momento difícil demais, tive muito medo, fiquei sem saber o que iria acontecer. Foi quando eu senti vontade de montar um grupo para poder ajudar quem precisava. Na época, eu não tive apoio de ninguém", contou.

Hoje, cerca de 200 vítimas de violência doméstica são atendidas pelo projeto fundado por Joana, que realiza ações nas comunidades para levar incentivo e diálogo às mulheres, além de abordar a violência e a importância da denúncia.

Números assustadores

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp) apontam que só neste ano, 31 mulheres foram mortas no Estado. Foram 10 feminicídios confirmados e 21 homicídios dolosos, ou seja, quando não há intenção de matar a vítima. Por isso é de suma importância que os profissionais do Ciodes estejam preparados para identificas os casos de violência.

"A gente precisa saber do Estado, se os policiais estão preparados, porque é de grande importância qualquer tipo de ajuda que vier. A gente precisa divulgar e acreditar que vai melhorar", afirmou Joana.

De acordo com o diretor do Ciodes, coronel Márcio Celante, a capacitação dos profissionais é constante.

"É um treinamento contínuo e a cada dez dias eles são submetidos a esse treinamento. Temos a participação das agências de segurança do Estado, a Polícia Militar, Polícia Civil, a PRF, o Corpo de Bombeiros através de palestras e treinamentos e nós buscamos nesse treinamento levar ao atendente do call center, a responsabilidade que ele tem ao atender uma ligação de urgência e emergência no 190", explicou.

Por dia, o Ciodes recebe, em média, seis mil ligações de diversas ocorrências e de acordo com o coronel Márcio, deste total, aproximadamente duas mil se transformam em ocorrência policial e os números continuam crescendo.

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O diretor do Ciodes também ressaltou que a denúncia é parte integrante para a ajuda às vítimas e pode ser feita por um aplicativo da Polícia Militar.

"Nós temos o aplicativo APP 190 ES que possui uma funcionalidade chamada Sos Marias que a pessoa ao clicar nesse botão, envia um alerta direto para a tela do policial militar que, ao visualizar a necessidade do atendimento à uma mulher, já vai encaminhar uma viatura para o atendimento à essa socorro", explicou.

* Com informações da repórter Gabriela Valdetaro, da TV Vitória/Record TV.

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