Folha Vitória Mulheres negras se unem e criam movimento para combater o preconceito racial na GV

Mulheres negras se unem e criam movimento para combater o preconceito racial na GV

O grupo pretende atuar no combate à discriminação e na busca de ações que incentivem o empreendedorismo, o empoderamento feminino e a autoestima da mulher negra

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Foto: Matheus Lemos
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Documentário: mulheres negras de comunidades periféricas da Grande Vitória relatam sobre preconceito racial e mostram suas belezas

No mês da Consciência Negra, três mulheres negras capixabas resolveram se unir para atuar no combate ao preconceito racial e na busca por ações que incentivam o empreendedorismo, empoderamento feminino e autoestima da mulher negra. Juntas, elas formam o movimento Black,Yes! Viviane Gomes dos Santos é uma das integrantes do grupo, juntamente com mais duas mulheres.

Segundo a presidente do Black Yes!, Nathalia Ayress, o projeto nasceu da vontade de dar voz à história de mulheres negras e guerreiras. “Mesmo tão castigada ao longo da história, a mulher negra se reinventa, luta por igualdade, respeito, dignidade e oportunidade. Ela também tem talento, estuda, trabalha, ama, constrói família e possui a sua beleza única”, comenta.

A primeira atividade do grupo é o lançamento de um documentário nas redes sociais, visando abordar os diversos tipos de preconceito racial. Dividido em quatro episódios, o documentário conta com a participação de 10 mulheres negras, entre 17 e 35 anos. 

“Reunimos várias mulheres negras de comunidades periféricas da Grande Vitória, para mostrar a sua beleza e empoderamento. Nesse trabalho, não existe padrões de manequim, cabelo ou boca. Apenas mulheres, negras, com cabelos crespos e só queremos ser respeitadas por isso”, frisa a modelo e voluntária do Black Yes!, Rudmyla Gaia.

A presidente do Black Yes! ressalta ainda que a missão do movimento é unir mulheres negras e outras pessoas que acreditam nesta causa, independentemente de condição social, cor ou religião. “Queremos lutar, juntas, por melhorias em várias frentes para a mulher negra. E contribuir para que esse cenário de discriminação diminua na sociedade, o que já é um grande passo e conquista, para que as próximas gerações não vivenciem o mesmo”, conclui Nathalia Ayress.

Problema constante

A empreendedora Viviane Gomes dos Santos, 35 anos, vivenciou algumas atitudes racistas à frente do seu próprio negócio. Ela era dona de um salão de beleza, em uma área nobre de Vitória.

“Alguns clientes chegavam ao local e se reportavam diretamente ao meu marido, achando que ele era o dono do salão, por ser branco. Muitos não me dirigiam nem a palavra, achando que era funcionária”, relatou.

Em algumas situações, Viviane não era remunerada de maneira justa. “Alguns clientes menosprezavam o valor do meu trabalho por ser negra. Infelizmente, mais uma atitude preconceituosa, pois estavam “apegadas” à minha cor de pele. E não na minha capacidade técnica de empreender. Mas, por outro lado, também recebi o incentivo de outras pessoas que acreditam no meu profissionalismo e até hoje acompanham a minha trajetória”, diz.

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