Folha Vitória Oito em cada dez postos de trabalho eliminados eram ocupados por maiores de 50 anos

Oito em cada dez postos de trabalho eliminados eram ocupados por maiores de 50 anos

Cresce desemprego em faixa etária que é principal provedora de muitos lares

Folha Vitória

Segundo divulgação recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego no Brasil atingiu 14,3 milhões de pessoas. A realidade pode ser ainda mais difícil para as pessoas acima de 50 anos, mesmo que tenham experiência e qualificação, como indica o levantamento feito pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados): até setembro de 2020, 438,1 mil profissionais dessa faixa etária foram demitidos, o que significa que cerca de 8 em cada 10 vagas eliminadas eram ocupadas por profissionais com mais de 50 anos.

O cenário é ainda mais delicado se considerar que a população brasileira está envelhecendo (o número de idosos com 60 anos cresceu 18% em cinco anos, conforme revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e que muitas famílias dependem da renda dos mais velhos para sobreviver. De acordo com estudo feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), quatro em cada dez brasileiros maiores de 60 anos são responsáveis pelo sustento de seus lares.

Para a professora de Gestão de Recursos Humanos da Estácio, Míria Reis, a questão cultural pode ser um entrave na contratação de pessoas mais velhas. “Na década de 1980 – quando iniciei minha atuação em RH –, aos 40 anos o profissional era considerado velho para o mercado de trabalho. Apesar de todas as mudanças ocorridas desde então, e dos discursos de inclusão, igualdade e diversidade, os desafios persistem. Observamos nas empresas que o percentual de profissionais com idade acima de 60 anos é mínimo”, explica a especialista em gestão empresarial.

Por isso, de acordo com a docente da Estácio, a maioria dos desocupados com mais de 50 anos aproveitam sua sólida formação para atuar como consultores e se manter no mercado. Por mais que iniciativas de mudança do quadro sejam tímidas, Míria Reis destaca que algumas empresas contam com programas específicos para esse público.

“Entretanto, a preferência por profissionais mais jovens continua sendo superior. Vemos então uma contradição, pois as empresas exigem conhecimento, experiência, porém pouca idade, como é possível? Percebo que as dificuldades enfrentadas pelos jovens e idosos acabam sendo similares. Ainda temos um longo caminho pela frente quando o assunto é inclusão e diversidade no mercado de trabalho brasileiro”, aponta.

Míria Reis enumera habilidades e características de trabalhadores acima de 50 anos que podem fazer a diferença nos negócios do empregador. “O conhecimento adquirido ao longo de suas carreiras é inegável, mas o que realmente diferencia esse grupo de profissionais é a maturidade. Toda a bagagem profissional e de vida adquiridas ao longo dos anos dão a essas pessoas mais serenidade, racionalidade e flexibilidade para contornar problemas e encontrar soluções. Ademais, outro ponto extremamente importante é o comprometimento que demonstram no trabalho, o que também pode ser creditado em virtude da maturidade”, ressalta.

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