OMS: 34 milhões de crianças no mundo possuem deficiência auditiva em algum grau

Para um diagnóstico precoce e tratamento adequado, é necessário que os pais estejam atentos aos sinais de alerta. Aprenda a identificá-los

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Folha Vitória

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Pouco discutida, a audição na infância é um fator importante que deve ser lembrada. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 34 milhões de crianças no mundo possuem deficiência auditiva em algum grau. Os dados também mostram que 3 a 4 mil bebês já nascem com algum tipo de problema auditivo. Por isso, o Dia Nacional da Infância, lembrado na próxima segunda-feira (24), alerta sobre colocar a infância como prioridade, principalmente em relação à saúde e ao desenvolvimento.

É importante cuidar da audição desde os primeiros dias de vida. "A perda auditiva pode limitar o acesso da criança a alguns sons, que são importantes para a comunicação. A gente aprende, basicamente, por meio dos nossos sentidos, pelas experiências auditivas, visuais e táteis. Isso cria as conexões cerebrais que dão significado às coisas. Por meio dessas experiências acontece o aprendizado", explica Erica Bacchetti, fonoaudióloga da Clínica ParaOuvir.

A médica lembra que a perda auditiva tem tratamento e quanto mais cedo for diagnosticada, melhor é o prognóstico. "O desenvolvimento da criança precisa ser acompanhado em um todo. Quando os pais levam a criança ao pediatra, é observado quanto a criança cresceu, quanto ela pesa, se está com os exames todos dentro dos padrões. Muitos pais levam ao oftalmologista para fazer uma triagem visual, mas esquecemos de dar atenção à audição", ressalta Erica.

Sinais de alerta

Para um diagnóstico precoce e tratamento adequado, é necessário que os pais estejam atentos aos sinais de alerta. Os comportamentos da criança devem ser minimamente observados. Nos primeiros anos de vida, a criança manifesta muitas de suas dificuldades e sofrimentos em mudanças de comportamento. "Sempre que a gente observa que nossos filhos estão se comportando um pouco diferente do que o habitual deles, devemos investigar", pontua a fonoaudióloga.

Dores de ouvido constantes, incômodo com sons intensos, dificuldades na escola, falta de interesse em atividades de comunicação, assistir televisão com o volume muito alto podem ser sinais que indicam para alguma alteração auditiva. "A criança pode começar a responder algo totalmente diferente do que perguntamos dar respostas desconexas. Quando chamamos pela criança e ela não responde, quando é muito distraída ou ainda muito agitada", lista a médica. 

Em crianças menores e bebês os sintomas podem ser mais sutis. Nos primeiros meses de vida, por exemplo, o bebê começa a se familiarizar com a voz de quem cuida dele, assusta se escuta sons altos, como a batida de uma porta, por exemplo. Com o passar do tempo começam os balbucios e as primeiras emissões de sílabas e as reproduções de barulhos que podem parecer palavras.

Tratamentos

No Brasil o teste da orelhinha é obrigatório. Assim que nasce o bebê, ele é submetido a esse exame com a finalidade de identificar precocemente perdas auditivas. Essa triagem auditiva neonatal é muito eficaz. "Tem muitas crianças que nascem, passam na triagem auditiva porque realmente escutam bem, mas durante o desenvolvimento têm alguma intercorrência que causa a perda da audição", afirma a fonoaudióloga. 

Apesar da perda auditiva resultar em algumas dificuldades durante a infância, ela não é impeditiva. A criança não será impedida de falar, de aprender ou se relacionar, isso devido aos inúmeros tratamentos disponíveis para proporcionar qualidade de vida a esses indivíduos. "É importante ressaltar que uma criança com perda auditiva não necessariamente vai ter dificuldade para desenvolver a fala", tranquiliza a especialista. 

O tratamento para os problemas auditivos em crianças depende da causa e gravidade da perda, por isso é sempre necessária uma avaliação médica para indicação do procedimento adequado para cada paciente. O médico determinará a causa da dificuldade para ouvir e qual conduta será adotada: uso de medicamentos, cirurgia, uso de aparelhos auditivos ou implante coclear.

No mercado existe uma infinidade de modelos e opções de aparelhos auditivos, que podem ser usados no tratamento de perda auditiva em crianças. "A criança com deficiência auditiva que recebe a estimulação adequada por meio da tecnologia, seja usando aparelho auditivo, implante coclear ou prótese implantada, tem o mesmo acesso aos sons que uma criança com a audição dentro da normalidade", finaliza Erica Bacchetti. 

>> Dia nacional da infância: 24 de agosto

A data, criada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tem o propósito de promover uma reflexão sobre as condições em que as meninas e meninos vivem no Brasil. Esse dia é um convite a toda sociedade para