Folha Vitória Os maiores desafios para advogadas e advogadas em início de carreira e como enfrentá-los

Os maiores desafios para advogadas e advogadas em início de carreira e como enfrentá-los

Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB-ES, Baltazar Bittencourt, dá dicas importantes para quem está começando na profissão e precisa se preparar para o mercado

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Foto: Reprodução / OAB-ES
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Presidente da Comissão da Jovem Advocacia da OAB-ES, Baltazar Bittencourt, dá dicas importantes para quem está começando na profissão e precisa se preparar para o mercado

Diferente de diversas outras profissões, o advogado, após se graduar no curso superior de Direito, deve fazer o Exame de Ordem para, se for aprovado, tornar-se advogado e poder exercer a profissão. Neste período inicial, esse profissional, conhecido como Jovem Advogado, precisa de muito apoio. E é pensando nisso que a Ordem, Seccional Espírito Santo, tem uma Comissão voltada para esse grupo, a Comissão da Jovem Advocacia.

Esse apoio e encaminhamento é de extrema importância para o advogado e advogada em início de carreira. A Comissão, auxiliando esses jovens profissionais e a classe em geral, promove, em parceria com a ESA-ES e com as outras Comissões da OAB-ES, diversas palestras, seminários e cursos durante todo o ano.

Para falar mais sobre essas atividades, entrevistamos o presidente da Comissão, o advogado Baltazar Bittencourt. Confira a entrevista!

1. O que a OAB Jovem faz para incentivar os jovens advogados?

O nosso objetivo é baseado no lema do presidente José Carlos Rizk Filho, que é o de proporcionar meios para incentivar a Jovem Advocacia a não desistir da profissão. A ajuda na capacitação, por meio dos diversos cursos que realizamos, a atuação na mudança das regras de publicidade, estipulação do piso salarial ético, e toda estrutura física organizada pela gestão da OAB por meio das sedes, salas e escritórios coletivos inaugurados, foram exemplos de medidas com esse objetivo.

2. Quais são os maiores desafios do mercado para esses profissionais?

Acredito que o maior desafio é se posicionar como referência em um mercado saturado e com muitos advogados e advogadas e escritórios já consolidados. A prospecção de clientes, gestão de escritório e tempo e a falta de experiência na atuação prática são grandes dificuldades na nossa profissão para os que estão em início de carreira. Em contrapartida, há um movimento de uma nova advocacia, menos conservadora e mais humana e eficiente que pode ser aproveitada, sempre com ética, estudo e responsabilidade.

3. Por que é importante para esses jovens profissionais aproveitarem as oportunidades como os cursos de pós-graduação da ESA e outros cursos que a ESA oferece em parceria com as Comissões?

O estudo é um dos pilares para o sucesso profissional, e muitas vezes a jovem advocacia ainda não possui recursos para investir em capacitações caras que estão no mercado. Daí a importância da ESA e das Comissões com seus cursos acessíveis e de extrema qualidade que podem ser aproveitados pela Jovem Advocacia para ajudar a superar os desafios mencionados.

4. Qual a importância de valorizar os jovens advogados do interior do Estado?

A jovem advocacia do interior deve ser tão valorizada quanto a da Capital. O problema é que sempre houve um déficit de atenção da Seccional com o interior do Estado, panorama que foi revertido com a atuação da atual gestão da OAB-ES, vide as sedes que foram inauguradas, salas de apoio, van do interior, cursos que realizamos de forma presencial nas subseções, e on-line, meios que abrangem todo o Estado de forma equânime. O interior do não deve e não será preterido em relação à Capital, e a jovem advocacia pode ficar tranquila pois irá receber nosso apoio, independentemente de onde esteja no Espírito Santo.

5. Na sua opinião, as mulheres passam por mais dificuldades, por fazerem parte de uma carreira que tradicionalmente é voltada para o masculino? Quais são e como enfrentá-las?

Sem dúvidas. Os advogados precisam reconhecer que a advocacia é um ambiente muitas vezes hostil às advogadas, principalmente àquelas em início de carreira. Cabe a nós, da jovem advocacia, plantar a semente para mudar esse panorama. As mulheres são menosprezadas, julgadas pela forma que se vestem, desrespeitadas em audiências pelos próprios colegas e interrompidas em sua vez de falar. Acredito que nós, homens, precisamos tomar a responsabilidade para colaborar com a criação de um ambiente mais acolhedor, o que certamente já vem sendo perseguido pela atual gestão. Exemplo disso é a criação da Ouvidoria da Mulher da OAB-ES. Para as advogadas em início de carreira, há grandes exemplos de mulheres que enfrentaram esse sistema e que se destacaram por sua atuação, que servem de inspiração para mostrar que, em que pese as dificuldades, hoje há uma instituição que as apoia e muito espaço para ser ocupado.

6. Qual conselho daria para graduandos ou jovens advogados em relação ao mercado de trabalho e ao futuro?

Pensar fora da caixa, buscar a eficiência e humanização dos clientes nas resoluções efetivas de suas demandas, e entender que essa é uma fase que vai demandar muito esforço, estudo, viradas de noite e finais de semana perdidos. Não é fácil, mas resistir e se adaptar a esses desafios certamente tornará o profissional um destaque em meio a um mercado extremamente saturado.

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