Folha Vitória Pacote econômico anunciado pelo governo do ES não traz alívio, dizem pequenos empreendedores

Pacote econômico anunciado pelo governo do ES não traz alívio, dizem pequenos empreendedores

Economista acredita que pacote econômico pode dar fôlego, mas não resolve a crise financeira

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Foto: Gabriela Molina / Folha Vitória
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Durante pronunciamento realizado na tarde desta sexta-feira (19), o governador Renato Casagrande anunciou um pacote de medidas de auxílio ao setor econômico do Espírito Santo chamado de "Plano Espírito Santo - Convivência Consciente" que vai injetar R$ 1,8 bilhão na economia.

Apesar do anúncio, micro empresários, empreendedores e especialistas não ficaram empolgados com o anúncio e afirmam que as medidas não vão resolvem e nem minimizar a crise financeira que atravessam.

De ambulantes a lojistas, quem depende do comércio como fonte de renda tem sentido no bolso os prejuízos durante a pandemia e, agora, durante o fechamento total das atividades não essenciais. Os empreendedores que a reportagem entrevistou dizem que o plano econômico não trazem segurança.

O vendedor ambulante Johnson Apolinário vende bombons nas ruas de Cariacica. Clauzira Monteiro também é vendedora ambulante e trabalha no  Centro de Vitória. César Saad tem uma loja na Praia do Canto, em Vitória. Os três contaram que sobrem com os impactos provocados com a redução drástica nas vendas.

As medidas adotadas pelo governo capixaba incluem prorrogações de prazos para a quitação de débitos e de impostos, além da abertura de um programa específico para manutenção de empregos. 

Para o ambulante Johnson, que possui CNPJ de Microempreendedor Individual, a possibilidade de empréstimo sem juros e com carência de seis meses é uma opção a ser pensada a curto e médio prazo. Enquanto isso, ele segue na tentativa de melhorar as vendas em postos de combustíveis, padarias e outros estabelecimentos comerciais considerados essenciais, que não estão proibidos de funcionar, apesar das limitações de horários.

"Eu não posso me dar ao luxo de não ir para a rua, lógico que eu vou com todas as precauções possíveis, porém não tem como eu ficar em casa esperando as coisas acontecerem, até mesmo porque eu tenho família, tenho filhos e eu acredito que essa também é a realidade de muitos trabalhadores hoje", disse o vendedor ambulante.

Clauzira Monteiro que vende lanches no centro de Vitória teve que se adaptar. Sem poder contratar motoboys que possam executar o serviço de delivery, ela mesma está fazendo as entregas.

"Com essa nova restrição, eu estou trabalhando da seguinte forma: entro em contato com os meus clientes mais frequentes através do whatsApp. Passo para eles um cardápio e eles escolhem o que vão querer. Depois eu marco um horário e faço as entregas. Em 20 ou 30 minutos no máximo eu volto para casa para não desobedecer a ordem da restrição", explicou.

Na Praia do Canto, a loja de César está cumprindo o decreto estadual e funciona  apenas com delivery. Sobre as medidas anunciadas, ele acredita que poucas pessoas vão se aventurar nos empréstimos pois muitos já estão endividados. O vendedor defende algo mais robusto como a isenção de impostos para os comerciantes.

"Nós precisamos que alguns impostos deixem de ser cobrados e com isso, a gente ganha um fôlego a mais. Esses empréstimos precisam ser pagos. Esse recurso vai ser, basicamente, para pagar os empréstimos do ano passado, porque o movimento que tivemos em 2020 não deu nem para pagar os empréstimos", contou.

De acordo com o economista Wallace Millis, o pacote econômico anunciado pode dar um fôlego a curto prazo, mas está longe de ser uma solução definitiva para pequenos e médios empresários. Millis reforça que para microempreendedores e trabalhadores informais a solução seria uma ajuda financeira direta, como o auxílio emergencial.

"Postergar pagamento e liberar crédito para essas pessoas, significa prolongar o sofrimento no futuro. O que resolve mesmo é a injeção de recurso, dinheiro novo na economia", afirmou.

* Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV.

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