Folha Vitória Participação da variante Delta na transmissão comunitária no ES aumenta, diz secretário

Participação da variante Delta na transmissão comunitária no ES aumenta, diz secretário

Segundo o especialistas, essas variantes apresentam mutações que fazem com que elas sejam mais transmissíveis, e de alta disseminação

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A cada 10 amostras enviadas para a Fiocruz, 7 retornam ao Espírito Santo com resoltado positivo para a variante Delta da covid-19. A informação foi passada pelo secretário estadual de saúde, Nésio Fernandes, durante uma entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (20). 

"As últimas 133 amostras que recebemos da Fiocruz, que foram enviadas para sequenciamento genético, tiveram uma presença da variante delta em 70% das amostras, que são de julho e agosto, representando um marcador importante", afirmou o secretário. 

Apesar de não ser suficiente para indicar uma prevalência da variante em todo o Estado, Nésio afima que "existe um aumento da participação da Delta na transmissão comunitária do Espírito Santo".

"Como o secretário destacou, os 70% são das amostras sequenciadas. Isso não representa, pelo menos estatisticamente, neste momento, a predominância de determinada variante no conjunto no Espírito Santo. Mas indica um crescimento importante no estado", pontuou.

Delta e Gama aumentam os riscos da pandemia no ES

Ainda segundo o secretário, a circulação de variantes como a Delta e a Gama fazem com que os riscos da pandemia sejam ainda maiores. Uma prova desse risco é o aumento do registro de óbitos e internações pela doença. 

Nas últimas duas quinzenas, os óbitos aumentaram 30% na Região Metropolitana. Número passou de 39 para 49, segundo Nésio Fernandes.

"Nós ainda não alcançamos uma cobertura vacinal plena para reduzir o risco de circulação do vírus. Existe também um comportamento social que diversas condutas também tem refletido na contaminação. A existência da variante Gama e Delta como as duas principais em circulação no Estado representa um riso grande entre a população já vacinada e jovens", explica o secretário.

Entenda os riscos das variantes Delta e Gama

O doutor em epidemiologia, Daniel Gomes, explicou que a variante Gama também era chamada de P1, que surgiu originalmente em Manaus. Já a Delta é a inicialmete conhecida como variante indiana. 

"Ambas são variantes de preocupação. Ambas foram associadas, ou ainda estão associadas, a episódios de ampla utilização da rede pública de saúde, ou a internações, colapso do sistema de saúde dos lugares onde houve uma grande ocorrência delas", explicou. 

Ainda segundo o especialista, essas variantes apresentam mutações que fazem com que elas sejam mais transmissíveis, e de alta disseminação. Daniel explica ainda que elas conseguem "infectar melhor", e ao mesmo tempo elas têm também sido associadas ao aumento das internações. 

"Ainda não é possível dizer que ela causa doença mais grave, mas também pelo fato de disseminar mais, temos visto mais internações onde há disseminações dessas variantes", disse. 

Sequenciamento genético para identificar variantes será feito no ES a partir de Outubro

A partir do próximo mês será possível fazer no Estado o sequenciamento genético para identificar em laboratório quais variantes do novo coronavírus circulam no Espírito Santo. 

"Nós ainda vamos avançar muito ainda com estações robotizadas. Já fizemos a aquisição. A capacidade do Lacen-ES vai superar muito os 4.500 exames por dia de hoje. No mês de outubro, o exame que a Fiocruz faz, de variante, será de uma semana para outra, aqui", adianta o subsecretário estadual de saúde, Luiz Carlos Reblin.

O sequenciador adquirido pelo Estado já está no Lacen-ES, e agora passa por fase de testes e calibragem. Atualmente, para identificar as variantes, é necessário mandar as amostras coletadas para a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Com o novo aparelho, o Estado passará a ser independente. Dessa forma não será preciso esperar para saber os resultados e traçar estratégias mais eficientes para controle da pandemia.

As variantes Gama e Delta são as predominantes no Brasil

Em alguns estados a Delta, que chegou depois, já é predominante - caso do Rio de Janeiro. No Espírito Santo, de acordo com o doutor, ainda temos mais Gama, mas ainda não estamos fazendo uma ampla testagem para medir a prevalência de cada uma. 

"Segundo o Lacen, presume-se que ainda a Gama prevaleça. Mas a gente está muito próximo do Rio, então sabemos que isso muda rapidamente. Com relação à variante Delta, os resultados em laboratório mostram que ela é mais resistente à resposta imunológica que as outras variantes. Ela procupa mais por essa características" afirmou Daniel. 

Vacinas protegem contra todas as variantes, diz especialista

De acordo com o doutor e epidemiologia, todas as vacinas protegem contra as variantes já existentes e em circulação. 

"Elas não impedem o indivíduo de ser infectado, mas mostram uma melhora na recuperação após a infecção e, principalmente, impedindo que eles evoluam para casos severos. Aproximadamente 3% dos indivíduos vacinados podem evoluir e até entrar em óbito, mas a vacina protege e por isso é importante a vacinação completa, em duas doses. ", reforçou. 


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