Folha Vitória Pelo menos seis crianças foram mortas somente este ano no ES

Pelo menos seis crianças foram mortas somente este ano no ES

A maior parte delas foi vítima da violência dentro da própria casa

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Foto: TV Vitória
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Histórias que causam dor e revolta. A criminalidade que tanto faz vítimas diariamente não tem perdoado nem mesmo os pequenos. De Norte a Sul do Espírito Santo, somente no primeiro semestre deste ano, foram registradas seis mortes de crianças.

A maior parte dessas tristes mortes foram causadas por familiares que, muita das vezes, viviam na mesma casa que as inocentes vítimas.

Paulo Antônio

Um dos casos que comoveu o Estado foi a história do pequeno Paulo Antônio Marinho de apenas oito anos. O garoto que morava no Morro do Romão, em Vitória, foi espancado até a morte. Segundo a família, o principal suspeito de cometer o crime é o padrasto da criança.

"Ele tampou meu sobrinho todinho e quando minha irmã perguntou onde estava o Paulo, ele disse que estava dormindo. Eu achei estranho porque meu sobrinho sempre acordava cedo para jogar bola. Quando nós destampamos ele já estava com o pescoço quebrado e todo roxo", contou a tia do garoto, Paloma Almeida Batista.

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As marcas das agressões também ficaram na família. A tia do pequeno Paulo lembra do momento em que encontrou o corpo do menino.

"Quando a gente encontrou a boca dele estava cheia de sangue. Porque ele bateu muito, meu sobrinho morreu chorando. Ele pediu socorro, pediu ajuda mas não tinha ninguém para ajudar ele", disse Paloma na época do crime.

Gabrieli Vitória

A vida de Gabrieli Vitória Magalhães também foi interrompida ainda na infância. Ela tinha apenas seis anos de idade quando foi estuprada e espancada em maio deste ano no município de Ecoporanga.

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O principal suspeito do crime é o padrasto, de 43 anos, que foi preso junto com a mãe da menina. Gabrieli foi encaminhada ao hospital, mas não resistiu e morreu.

Vitor Hugo

Um momento que deveria ser de celebração se transformou em pesadelo para Vitor Hugo, de 10 anos. Ele foi atingido por uma bala perdida durante um tiroteio que aconteceu na virada deste ano na praia de Marataízes. 

O alvo dos bandidos era um jovem de 18 anos, que morreu assim como o garoto que brincava na areia.

Ítalo e Anelize

Os irmãos Ítalo e Anelize, de oito e quatro anos foram assassinados pelo próprio pai na cidade de São Domingos do Norte. O crime aconteceu em junho e após assassinar toda a família, o homem tirou a própria vida.

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A brutalidade se assemelhou a um filme de terror e impactou a rotina da tranquila cidade do norte capixaba.

Jhonathan

O caso mais recente é do menino Jhonathan. Ele tinha cinco anos e morreu após ser atingido por um tiro quando estava no meio de um fogo cruzado do tráfico de drogas no bairro Zumbi dos Palmares, em Vila Velha.

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Jhonatan chegou a ser levado para o hospital e internado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

"A morte de uma criança é algo que sempre gera muito transtorno. Especialmente porque não se espera que uma criança faleça pois isso é algo contrário à natureza e isso pode gerar abalos psicológicos nas pessoas que ficam", explicou o defensor público Renzo Gama Soares.

Atendimento à família

O Estado oferece um atendimento especial aos familiares que perderam crianças de forma violenta. Apesar da certeza de que nada vai trazer as pequenas vítimas de volta, existe um tratamento para superar esse trauma. 

Esse tratamento, segundo o defensor público, pode ser feito no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).

"Trata-se de um equipamento municipal e que pode prestar essa assistência às famílias. Se for um caso que gere repercussão jurídica, aí sim a Defensoria Pública pode atuar prestando a assistência até mesmo judiciária", afirmou Gama.

No caso de Paulo Antônio, que morreu no Morro do Romão, a última informação é que o padrasto de Paulo, identificado como David Moraes Pereira, de 23 anos, foi denunciado pelo Ministério Público e é procurado pela polícia. Ele nunca mais foi visto desde o dia do crime.

A família acredita que ele esteja escondido, mas tem esperança de que um dia ele pague pelo crime. 

Para a tia de Paulo, David não matou apenas o menino, mas arrancou um pedaço da vida de cada um que conheceu o pequeno. "Ele é um monstro, não merece estar vivo e eu falo isso de todo o meu coração". 

O jornal Folha Vitória entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) para obter mais informações sobre o número total de crianças assassinadas no Espírito Santo, mas até o momento não obteve retorno.

* Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/Record TV

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