Folha Vitória Pollyana Paraguassu: “Ajudar 2 mil autistas no ES me faz crescer todo dia”

Pollyana Paraguassu: “Ajudar 2 mil autistas no ES me faz crescer todo dia”

Presidente da Amaes tem de atendimento social a consultas médicas de graça pela instituição, que celebra 20 anos neste ano, mas depende de doações para operar

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Foto: Pedro Permuy
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Pollyana Paraguassu assumiu a presidência da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes) em 2016. De lá para cá, viabilizou tratamento de graça para milhares de jovens e adolescentes que frequentam a entidade, em Vitória. Hoje, o local que celebra 20 anos de existência em dezembro faz de 1,9 mil a 2 mil atendimentos por mês para capixabas de quase todos os 78 municípios.

“Ajudar os nossos assistidos, hoje, me faz crescer todos os dias. São sonhos e expectativas de família inteiras que são depositados no nosso trabalho. No nosso atendimento de 45 minutos, 1 hora. Mas são formas de a família acreditar, de ver uma oportunidade. Somos uma por todas e todas por uma. E sempre falo que a dor de uma é a dor de todas as mães”, declara, em entrevista exclusiva à Coluna Pedro Permuy.

Atualmente, a presidente da Amaes também faz parte do quadro de articulistas do Livre Pensar, seção de Opinião do Folha Vitória, e escreve semanalmente às segundas-feiras. Também realiza lives na plataforma de vídeos do jornal online a cada quinze dias no projeto "E Se Fosse Seu Filho?". 

A dor de Pollyana, aliás, começou com o filho mais velho, que é autista, e tem hoje 18 anos de idade. “Desde quando assumi a presidência, pensei: ‘Que outra mãe não pise na pedra que eu pisei. E se pisar, que não doa tanto’. A muralha do preconceito social ainda é muito grande e, aos 18, há uma morte social que ainda precisa ser tratada”, avalia.

A dificuldade da maioridade, no entanto, não é exclusiva. Apesar de vários programas de assistência só atenderem quem é do espectro autista até os 17 anos e 11 meses, há várias demandas dos menores de idade que também ficam à míngua.

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“Um teste cognitivo é R$ 2 mil, R$ 3 mil. O autismo hoje virou um mercado muito rentável, sim. E o sistema público não oferece tudo e é muito difícil. Quem oferece são instituições como a Amaes, mas com fila de espera grande. Temos parcerias, mas são coisas pontuais”, declara.

A associação presidida por Pollyana, que tem recebido auxílio do Instituto Américo Buaiz e Shopping Vitória, fornece de orientação a serviços, propriamente ditos, como consultas médicas, terapeuta, oficinas de linguagem, de música, arteterapia, equoterapia, serviço social e apoio pedagógico. Em 2020, além disso, distribuiu mais de 7 mil toneladas de alimentos aos visitantes dos programas. “E isso tudo se mantém de doação e projetos de editais”, confidencia ela, que coordena uma equipe com 26 colaboradores e diretoria.

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“Diretamente são mais de 300 pessoas atendidas hoje, mas neste mês passado, por exemplo, fizemos 1.975. Todo mês essa é a média”, continua.

Para sanar essas dificuldades, a presidente da Amaes lamenta pela falta de políticas de Estado. “Não podem ser (políticas) de governo. E hoje a gente não briga mais por pouco. Apesar de a gente quase não ter recurso continuado, temos lutado por outros apoios que não acabem. E projetos que contemplem o autista adulto e a família como um todo”, diz.

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E termina: “A maioria das mães dos nossos assistidos é mãe solo. Elas não têm mais ninguém. E tenho muita vontade de seguir com um projeto, que seja um braço, para os adultos autistas, porque eles são esquecidos. Quando chegam aos 18, parece que pegam o laudo e jogam fora. Mas não é assim. É até muito mais desafiador”. 

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